domingo, 2 de outubro de 2011

Retribuição

Ela continua dançando sozinha,
Tentando serena ficar,
Caminha.

Deixando nas palavras seus resquícios,
Retroalimentando em mim seus vícios,
Vidas revertidas em seus fins e inícios.

Ainda vejo a marca deixada pelo seu grande vazio,
Está límpida,
Em desanuvio.

Tenho a pretensão
De achar que entendo algo de sua solidão,
Pelo menos sei  que
Dividi-la com alguém não soa como intimidação,

Compartilhando  o que sente,
O que tem em sua mente,
Ao contrário de quem quero
E por quem desespero,

Da salvação do coração,
Em última confissão
Não se esquiva,

Se acidenta,
Se fere,

Mas nada a impede de ser,
Apesar da intempérie,
Sempre portadora de palavra ativa.

E diz,
Tão alto quanto pode,
Com a força que o cosmos lhe dá,
E que dentro dela explode,
Expelindo expressão sensitiva,

Sofre,
Admite:
Dinamismo,
Diamante,
Dinamite,

Falando com ela,
Qualquer ação imprevista,
Tem a acepção de conquista.

Ela, por mim cada dia mais bem quiista,
Me deixa uma lição,
Em vista,
Significativa.

Mais um desastre do acaso,
Do qual ela sai,
Em todo caso,
Cada vez mais viva.

sábado, 1 de outubro de 2011

Infinitas vezes dez

Nostalgia,
Sentimento que me guia,
E, brotando das frestas
É o que me resta,
Como reconfortante certeza,
Sei que posso e passo
Pelo espaço da bonita tristeza.

Desengano... talvez.

O silêncio pinga,
Na parede, decepção.

Tudo é mágoa,
De onde nasce a dor,
Se acumula a água,
Surge o bolor.

O mofo acumulado,
Anulando o sabor daquilo que vejo,
Fazendo tremer de covardia o meu desejo,
Antes, sempre se fazendo alado.

Respirar é tão difícil,
Sonhar sendo meu vício e meu ofício,
Faz do meu objetivo final
A conquista de cada novo início,
A descoberta de outro seu indício.

A umidade me faz mal,
Essa é a verdade,
Busco algum sinal de afetuosa unidade,
E me desperto,
Para um obstáculo fatal que me afeta,
A humanidade,
Que da alergia da letargia,
Está repleta.

Eu,
De fingida
Já que sem ser vivida

Nostalgia,
Atravesso mas um dia,
Abastecido,
Sentindo, 
Perdido,
Ensandecido,
Como a excelência  silente goteja!

Eu,
Como alguém que a proteja,
Pretendo ser.

Uma pessoa assim exclui dos seus planos a vingança,
Por mais que xingue,
Toda vez que o sigilo pingue,
Calando a ti, junta com minha esperança,
Deixando  ambas emudecidas,
Estando mudas,
Sem nenhuma mudança.




quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Rotação 78

Me acreditava sendo sólido estando só,
Agora, perdido em nó, sigo opaco,
Franco e fraco,
Temendo que seu rosto acumule desgosto,
Que contamina, polui e mal se vê,
Próximo ao pó.

Seu sorriso, fato liquefeito,
Olhar que se solta,
Emite encanto perfeito,

Poder sobre o qual eu, suspeito,
Pouco penso,
Que me faz flutuar
No ar, suspenso
Pra aceitar, estando propenso,
Que quem fala  aqui é que ao outro ilude,
E que teus pecados,
Unem nossos lados,
E são bem mais honrados,
Comparados com minhas virtudes.

Tudo isso, digo, Amiúde:

Te cito,
Recito,
Versifico,
Diversifico,
Reverso,
Atravesso,
Tenho em ti regressivo progresso,
Fujo, fico,
Realizo, mistifico,

E o consigo,
Por saber que contigo,
Permaneço seguindo vivo,
Tendo teu olhar,
Mesmo pensando em me escapar,
Como intenso incentivo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Terra, depois.

Continuo tonto,
Na roda dos sentimentos, amarrado,
Então por isso eu me desaponto,
De te ver em estado alterado.

Não quero acabar sendo perverso,
Meu indicador para ti não aponto,
O que quero é estar sempre pronto
A ter você como alguém com quem converso.

Podes provar com todo o gosto,
Tanto do elixir quanto do veneno,
Sou eu que devo  agir pelo oposto,
E tentar degustar daquilo que condeno.

Mas para reverter essa minha vertigem,
Preciso reconhecer com franqueza,
Desconheço qual dos saberes mais me afligem,
A minha repulsa ou sua beleza.

Qual terra?

É inevitável expor,
O que pela minha cabeça agora passa,
Um dia, cedo ou tarde,
Enquanto navegas pelo mar de água que arde,
Você terá, aos meus olhos, se convertido em fumaça,
Independentemente de tudo que em contrário eu faça.


 Não importa o quanto eu me doe,
(E me doa)
O ato de sentir me atordoa,
Me deixa tonto,
Mas perceber o seu estado,
Saber que aos poucos,
Muito pouco tem me restado,
É algo para o qual jamais estarei pronto.

Minhas lembranças têm se liquefeito,
Tua figura grava em mim,
Um inebriante efeito,

Quero te entender,
Ou se isso é impossível, te interpretar,
Mas enquanto me impressionar só com o que ver,
Estarei aturdido,
Perdido na superfície do meu tosco mundo,
Nunca conseguirei a encontrar,
Em algo que possa sanar,
Nosso descompasso profundo.


Pela admiração que mal conservo,
A busca incessante do teu respeito,
Tento aparentar que me preservo,
E que quase esqueci do meu constrangedor defeito,

Mas, sabes, sou suspeito,
Te observo,
E rasgo meu peito.

Nunca fostes santa,
Disso eu sei
E o tenha certo,
Mas eu me recusei a acreditar,
Que é tão evidente o teu desnortear,
Resvalando em tamanho jogo aberto,
Por isso, quase berrei,
Me notei boquiaberto,

Nós,
Rodeando a lama,
Real, crua,
Nua em pelo,
A cada segundo,

Eu, tentando removê-la,
Sempre me torno mais imundo.

E consciente de que não posso retê-lo,
Meu medo me desperta para um pesadelo,
Que faz de mim
Algum paranoico andarilho vagabundo

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Alguém tem fé...


Surjo, graças ao versículo,
E de saber qual lias,

(Um entre tantos...Minha fé, aos trancos, 
Entre prantos, 
Desencantos,
 Espantos)
E é em ti sentido, tendo verbos francos.

Rumo á tua crente diáspora,
Onomástica travessia.

Voluntária ação épica,
(Quiçá, estética)

Marcialmente,
Marchando para aquilo que cria.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Outro Veludo...

Ao nunca,
Que sempre encontrei,
Já brindei
E cumprimentei.

Você fecha a porta,
Nenhuma outra luz verei.

Quem se importará, além de ti,
Com "pra onde irei ?"
Ou "o que farei aqui?"
Ninguém irá lamentar,
Caso eu chore atrás da porta, depois de me ferir.

Aí vou eu,
De Novo,
Trabalhando duro,
Bancando o bobo,
Assim, ainda sem conseguir entender
De que forma perdi em meu próprio jogo.

Como eu me sinto ao ser amado?
Me perguntaram isso pela primeira vez,
Não sei,
Talvez,
Derrotado?
Minto...
Ainda ignoro o amor compartilhado...

O mesmo que continua odiando o próprio corpo,
E tudo que é exigido nesse mundo torto,
Querendo saber completamente,
O que você e seus amigos conversam tão discretamente.

A morte de um filho imaginado?
O amor feito na cena?

Ela me confunde e sorri,
Provocadora e pequena.

Se for ela quem vem agora,
Tenho que olhar onde piso,
Não sei pra onde estou indo,
Mas espero poder ser o paraíso.

Tentarei me sentir como um homem,
Atravessando a maré comprida,
Buscando ser salvo,
Por uma heroína,
Chamada "esposa" e/ou "vida".

Descobri uma razão para continuar minha existência,
Saber que nada,
Na estrada de qualquer essência,
Está livre dos caminhos que cruzamos juntos,
A minha (in)consciência e a sua consistência.

Me finjo de forte,
Seguro uma carruagem na chuva,
Com as mãos cobertas com as luvas,
De outro Hércules encharcado,
Que pendurei, ao lado do meu passado,
Certo ou errado.

Meu futuro nunca chega cedo,
E é isso que me dá medo,
Ele sempre está atrasado.

Desisto de pensar que eu sozinho me refaça,
"Ajude-me em minha fraqueza,
Pois estou caindo fora da graça".
Já que sou como quem todos os dias se apaixona,
E todas as noites se despedaça...

Seria esse um verdadeiro pecado?
Persistindo em seu pálido olhar calado?

Queria um dia perfeito,
Apesar de crer que não sou esperado,
Despossuído desse direito.

Os anos que desperdiço,
Levando como único compromisso,
As almas que posso vender,
Para ver se consigo,
Só correr, correr, correr...
Pegando ao vento,
Sortes e mortes, dizendo-me o que fazer...

Papel que se rasga,
Ator que se desmonta,
Soldado que se quebra,

Todos feitos da madeira,
Que alguma marcha celebra.

O que eu tenho pra escolher,
Alguns sacrifícios fazem ser,
Difícil de esquecer.
Missões cumpridas,
Com pares de palavras enforcadas na corda,
Tornadas água,  que escapa e transborda,
Ao contrário do pranto, que ela não verte,
E todo o espanto, que tenho e me inverte.
Quando ela concorda.

Cores diferentes feitas de sono e sonho,
Luz e calores,
Pretos e brancos,
Com os quais componho,
Agora e desde antes,
Meu plano
De inércia brilhante,

Quem ama esse brilho?
Nem todo mundo,
Esse é o (maior) único engano.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um certo aeroplano...

Me levou até a tenda de um circo,
(em que tudo é a "simples mente")
Onde pude ver como estás bem desse jeito,
Todo tão pouco que sei de você, respeito.
E podemos ver, aqui, todos os rostos facilmente,
O fato inegável do sonho transparente.

Esse inevitável sentimento
Levado como as folhas, pelo vento.
Olhar dentro dos olhos dela,
Esse é meu intento...
Afável? lamentável?
Não sei direito...

O que eu reconheço ser insustentável,
É  manter a negação de que o instante de sua fala
Representa pra mim momento agradável...
E sobre algo assim, alguém igual a mim não se cala!

Você não irá me ver nunca mais? até o fim dos tempos? você tem certeza?
Tu precisas do que agora eu digo:
Se me rejeitar, nem prosseguirei,
Seguindo então, outro dos meus sonhos comuns,
Sendo uno,
Sendo um,
Unido com a onda da correnteza.

Duvidar disso:
Uma prerrogativa que você tem,
Mas se não for por ti, que seja pra mim mesmo o compromisso,
De que será o que farei,
Sendo, com qualquer outro alguém,
O que  sempre fui anteriormente:
Omisso...

Para quê mascarar minha tola valentia?
De que quero te entender, o dia todo, todos os dias!?

Nada do que quer está errado,
Só espero que além de do mundo apanhar,
Um dia você o tenha, em suas mãos, apanhado.

Pode parecer que enlouqueci,
Que me perdi,
Desequilibrei-me da razão, do meu centro,
Mas, antes de me amordaçar,
Me deixe essas palavras pronunciar
(lamento):
"Coisas boas podem por ser encontradas por aí,
No ódio do sofrimento."

"Alguns acham legal,
Passeio farto,
Brilho,
Paraíso"

Dos disfarces de sabedoria destes, escapo, fujo, quase em dois me parto,

Sabendo que para tal,
Se for preciso,
Até o inferno deslizo.

Tua alma estará protegida,
Livre desse ópio,
Se encontrar dentro de ti,
Teu amor próprio.

Estarei aqui quando o pior tiver se dado,
Verdades tornadas mentiras,
Flores e alegrias mortas,
Lágrimas caindo no seu peito...

Serei o único te tratando com amizade,
No lugar onde ou você é só,
Ou nem é mesmo convidada.

Hoje, quero ser mais do que sou,
Quero explodir e chorar,
Sendo tão complexo esses atos eu conseguir realizar,
Espero poder ter te feito entender
O que essa vontade pode significar.

Tenho dois espelhos,
Um em cada mão,
Sendo bebidos, maus conselhos,
Meu quarto, minha prisão,
Em minha cabeça, a chave e a fiança:
Tua confiança e consideração.

Não tenho mais nada pra agarrar,
Nunca pude caminhar para o mar...
Mas sou alguém ansiando sua canção cantar...
Ignore se te chamarem de mulher vã,
Tu brilhas como o sol,  fazendo a sombra da manhã,
Em que repouso, e ouso, fazer a ti totem de arte nata,
Teu Suor é ouro,
A areia de tua praia, prata,
Óbvio mostrar o motivo pelo qual insisto:
Me fortalece o que não me mata...

Terei feito a chamada pra ti,
Efeito do realizado de repente,
Conheci muita gente aqui,
Mas nenhuma delas é você,
Que me faz  querer ouvir sua voz pra dividir,
Minha euforia sem motivo aparente.

Permaneço sendo franco,
Honesto e lento como nunca foi
O Coelho branco.

Realmente me preocupo com você,
O que te desaponta,
Te afronta,
O que conta
O que vê.

Estou liberto e incontido,
Sairei de perto,
Antes que a dama,
(a quem deixarei, quase certo),
Sem encerrar a leitura desses versos,
Tenha partido.

domingo, 18 de setembro de 2011

Enquanto as pedras rolam...

Não sou nenhum estranho,
Você conhece meu modo de bater na porta,
E me ouve cantando,
Suave e baixo,
Aquela canção que sei que te conforta...

Por volta da meia-noite,
Escutas o açoite
De saber que não é sem sangrar que minha alma lavo.
Levo dentro de mim a doçura sofrida do açúcar mascavo.

Você sabe de cor o meu apelo antigo,
Contra a guerra e a tempestade, te peço abrigo,
Sou tão forte contigo,
Disfarçar isso não consigo.

Tenho consciência dos riscos que enfrento,
Hoje, sinto frio,
Estou alto,
Mas eu ainda tento.

Até ver que as marcas dessa escuridão em mim se vão,
Me recordarei de você, vestida de preto,
Entre as garotas com seus trajes de verão.

Enquanto insisto em querer alguma fala,
Faço do relento minha sala,
Esperando sua ligação.

Agora o chão serve de leito,
Não sei como posso, mas deito.
Há quanto tempo estou aqui,
No limite do ato de rastejar?

Não percebes, divindade feminina?
Estou tentando ganhar.

Vá em frente e acenda a cidade,
Invente tudo o que for da sua vontade,
E independente do errado ou certo,
Lembre-se, eu estarei sempre por perto.

Se você me receber,
Me dignar a ter a sua atenção,
Juro que não volto se não me esperar,
E pego o trem, sem o destino avaliar,
Com sua companhia me levando até a estação.

Sem isso,
Converto a tensão,
Em concentração digna de monge,
Quero tornar a desaparecer em teu espírito
E ir pra longe...

Pro andar de cima,
Depois das escadas,
Uma viagem, um passeio de versos e prosas.
Sonho com o dia em que se confundem todos os nadas,
E em que dirás que me cobrirá de rosas.

Eu,
Um cão  ganindo,
O animal mais doce do mundo,
Só querendo fazer, do que estou sentindo
Algum sentido mais profundo.

Desejando por ti ser protegido,
Ansiando amor concretizado,
Exibindo coração partido,
Caio no jogo da minha juventude,
No qual sempre perco, iludido.

Tento pôr fogo na minha imaginação,
Mas o fracasso parece ser minha missão,
Nada me resta pra atingir,
Nem minha satisfação,
Nem sua reação.

Só sobra o rolar das pedras,
O passar do tempo,
Para terminar por me consumir.

sábado, 10 de setembro de 2011

Jubileu (celebração da coroação)

Salvar-me olhando o silêncio?
Impossível.

Guardo em mim a saudação intensa,
Risível.

Exagerada,
Granada atirada contra o muro,
Obra e graça de amante desvairado e imaturo.

Desfaça-se de todos os conceitos que tem sobre mim,
Eu grito e te constranjo,
(não há outro modo de construir meu arranjo),
Pra saber o que te desnorteia,
E torcer para que me devolvas,
Um petardo que mude o cenário que me rodeia.

Não apreciando meu humor inconsequente,
Delinquente.
Saberei que serás mais um abismo, rocha,
Onde tropeço, e frequentemente,
Caio em deslizes,
"Psicogeográficos" acidentes
Falsas esperanças,
Em que quanto mais quero voar, mais crio raízes,
Novo precalço, tu me cansas.

No entanto, se aceitares que  sou seu complemento reverso,
E que as árvores podem flutuar em meu universo,
Onde o pranto equivale ao orvalho a pingar,

Então, contigo converso,
"Todo Cambia!"
O que quer mudar?

Levo em meu peito,
Tua casa e teu respeito.

Se me exilar aí,
Onde as folhas acobreiam antes de cair,
Serei refugiado consciente,
Que escolheu pra onde fugir...

Não vou negar que quero tua pele,
Embebida em canduras,
Livre de armaduras,
Para tocar.

Mas posso me contentar,
Com o abraço de alma,
Tua agridoce calma,
Pra me confortar.

Sei que minha verve desperdiço,
Que nada terei quanto a isso,
Mas deixe nascer a expectativa,
Manter-se minha inquietação ativa,
Mente viva.

E quero estar, no fim,
Entre as espécies do teu interno jardim.

Eu, ali,
Dente-de-Leão,
Entre pétalas,
Botões e Amores-perfeitos,
Efêmeras e singelas eternidades,
Que preservas no coração,
Por trás do que teu espírito, tão bom, tem feito...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A primeira coroação

Adjetivos delicados,
Ela o dirigia.

Não era amor que ele sentia,
Nem queria,
Nem podia.

Nunca como antes
Ele se pôs a lamentar,
Ter nascido na na época e no lugar,
Mais inadequados que pode vislumbrar.

Queria tê-la olhado
Atravessar os caminhos
De pedras, calos, caminhos e coturnos compartilhados.

Uma das flores que ela cristalizou na eternidade,
Seu desejo, Objetivo,
 Vontade.

De hoje em diante,
Ele se fez cavaleiro andante,
Para desobrigá-la a carregar o peso coativo,
O Autocontrole sufocante.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Priscas Eras





Desde priscas eras
Tu reverberas quimeras,
E outras fantasias geras,
No interior do teu ser,

E cada uma delas,
Me fez saber quem tu eras
Antes de te conhecer.

Desde priscas eras,
Pronuncias palavras sinceras,
E obliteras,

Meu medo de tanto deslizes,
Que desconsideras.

Então, quando dizes,
Por alto, de tuas raízes,
Te invejo, me envergonho,
Pois profanei minhas podres matrizes.

Quando ouço,
Seu elogio me chamando de louco,
A honra me pesa,
Mas a rejeito pouco.

Desde Priscas eras
Me lembras as belas feras,
E que sonhei ser alguma.

O solitário lobo,
O furtivo tigre,
A noturna pantera,
O fauno de tua feérica terra.

E quero pensar
Em você levada pelo vento
Tal qual a leve pluma.

Tendo lembrança gravada em teus olhares cênicos,
Sobre o andino puma.

( "Matriz" de: Segundas Eras)








































































































































































































terça-feira, 6 de setembro de 2011

domingo, 4 de setembro de 2011

24/01/2011

Amanhã aniversaria a Flor,
Hindu- Amazônica,
Híbrida, Icônica,
Universal,
Como a paz de Gandhi,
E a ópera de Manaus.

Penso que não crê em trindades,
(mesmo distinguindo duas)
Porém, mesmo quando se extenua,
Com as faculdades,
Ao final são tuas,
Duas das mais verdades,
Que sabe dominar.

Salvo engano,
Conhece  Los Angeles,
(acho, tem família lá)

Pouco me conhece,
(tenho muito a dar?)

De palavras certas,
Verdades abertas,

Sabe o que é criar,
Destruir,
Conservar.

Não precisa de espada,
Muito menos de lança,
Já tem garantida,
A perseverança.

Sua jornada é múltipla,
E concomitante,
(Dizem: com isso se torna irritada e irritante)
Mas eu asseguro,
Nunca petulante.

E permanece,
Entre ir e volver,
Entre Almodóvar,
Cor,
Prazer.

Defende o amor igual,

Cálice-Cálice,
Graal-Graal.

Des- anarquiza um bando,
"Reti-Sente" o comando,
E seu peso final.

Lê as palavras de Caio Fernando,
Ao mundo, fica observando,
Vive, afinal.

O que impressiona
A mim,
Aqui,
Tão banal.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Dezenove fora, zero.

Nós,
Nos perdendo em labirintos,
Montando eternos cubos mágicos.

Você,
Se lembrando,
Lambendo as feridas,
Os olhos de sangue,
Rememorando a carnificina,
Executada dentro de tua mente,
Por quem mente,
Faz cair,
E nascer na alma uma escara,
Cicatriz, marca da hipócrita amazona,
Tirania caiçara.

Eu,
Me culpando,
Vejo tua imagem temendo,
Tuas pernas tremendo, bambeando,
Sem poder ser teu escudo,
Tua fortaleza,
Só tendo a morte como única certeza,
Sem conseguir te confortar,
Apático, emudecido.
Sigo mudo, sendo vencido,
Pelas pedras atiradas do mar.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Desafio VII: Sobras do pensamento

O que sobra do que penso?
Sombras do meu "Eu"  suspenso...

Transpiro,
Tenso,
Suspiro,
Denso,
Respiro,
Intenso,
Me inspiro, ao todo, torto,
Propenso.

"Suspense!"
É o imperativo que convence,
E o hiperativo que recobre e desdobra,
E transforma a sobra,
Em obra.

Que jogada no chão,
Se arrastando como cobra,
Espera manuseio e manobra,
A fazendo voar, igual ao falcão.

Ombro contra ombro,                    
O assombro se recupera,
Recobra.

E  embaixo de um escombro,
Meu mar de mágoas,
Faz água,
Se afoga,
Naufraga,
Afunda,
Soçobra.

E minha alma se inunda,
Abunda,
De vários valores saídos das sobras.
.

sábado, 27 de agosto de 2011

Desafio VI: Noite.

Onde todos os gatos são pardos,
E as gotas d'água podem pesar como fardos,
Apreendo a aprendizagem,
Prendo o aprendizado.

Livro, liberto,
A libertinagem.

E outros conceitos que me deixam tonto,
Nascer vírgula,
Morrer dois-pontos.

Correr,
Escorrer,
Derramar em Cântaros o prazer.

Cânticos,
Pelos cantos,
Cantar.

Chegar ao limite do berro,
Encontrar, entrecortar e ter em conta,
A fera bela, firme como o ferro.

Só, Ali,
De ficar,
Solidifico o lido,
Lido, trabalho com o assimilar, absorver.

E direto,
De retidão,
Derreter.

O que sou e o que vou temer,
Escapando entre os dedos,
O fim da histeria que não surpreende,
Não (des)conserta
Paúra velha, de  asfixia, vermelha.

O fim do medo,
Que subjuga, rende,
E não alerta,
Nem bem aconselha.

Dama predestinada a ser poema,
Não trema,
Temos a note,
Se agarre em mim,
E faço a guerra perecer, pequena.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Desafio V: Máscara

A mente manifesta,
A máscara infesta,
A mente brilha, evidencia, sábia, livre, culta.
A máscara humilha, vicia, pedante e aprisionada, oculta.

Reconheça: não há ilusão,
Que esconda com a mão,
A boca que rumina,
Masca teu verbo ácido,
Querendo acordo tácito,
Legitimando a opressão.

Você me quer
Tendo como centro do mundo
Teu próprio ego,
Morbidez,
Olhar cego,
Rigidez

Mortificante ferimento,
Da pele contra o prego
E pregação

Mofino experimento,
Ao qual reajo
Com a incisiva negação.

É minha vez,
Lamento,
De gritar por reação:

Em alto e bom som, digo:
Sou a lucidez do perigo,

Teu amor, meu inimigo,

E você, sendo tudo o que o Belo não fez,
Só pode estar,
No perigo por trás da lucidez.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

60 dias...

Olho no espelho,
Me xingo,
Finjo ser Manhã de domingo
E em minha mente surgem,
Caindo como pingos,

Sons,
Melodias,
Canções.

Você, que faz em si caberem multidões,
Com sua grandeza,
Contradições,
Tradições, ações e contrações sinceras,

Deve ser capaz de entender,
O tipo de ser,
Que sou,
Que fui,
Que era.

O mesmo que só olha,
Admira,
Sorri
E desespera.

Deixe-me pensar que possuo as razões
Que ainda, ou um dia pude,
Te dar duas opções:

Pedindo pra trazeres pedras quentes,
Fazeres transgredir

Meu coração,
E sem expectativas,
Conseguir satisfação.

Ou me faça,
(Meu amado pássaro livre, alado)
Pensar que sigo teu encalço,
Quando sou eu que nessa caça
Reajo como um animal acossado.

Sem alma,
Sem ânimo,
Nem parece que já tive

Um silêncio obstinado,
Aparente calma,
Estado bem simulado,
Trancado,
No palácio dourado do pecado,
Sem Deus,

Eu
Acompanhado de pesares privados,
Barbarismos meus.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Desafio IV: Objeto mágico

Da última vez em que vesti a pulseira
Que encontrei quando era menino,
Procurei nova mitologia
Outro pertencimento,
Outro destino.

Um bracelete de dedos,
Expulsando a violência dos meus toscos arremedos
E tudo aquilo que das delícias me repele,
Eliminando as culpas
Através do suor da pele.

Depois do amuleto,
Para a lua voei,
E lá, cheguei,
Onde  seus braços pareciam ramos,
Nos quais, caí, depois de um desmaio,
Encurvando minha cabeça e minha mente,
Para colher as flores de Maio.

Eu, que não sou nada além de fugidio refugo,
Não resisto, queimando no ar, poluindo,
Sendo parte e partícula daquilo que me angustia,
Ouvindo o riso que se transforma em lágrima a cada dia,
Mesmo tendo algumas coisas em que encontro alegria.

Anomalia nascida da contenção do vômito,
Do fracasso tragicômico,
Me escondo embaixo da sua sombra,
Árvore lunar, onde seus frutos são dons,
E deles, as sementes espalho,
Recolho em um edredom.

Purificado,
Sopro nuvens,castelos e edifícios,
E transformo em rituais
Os meus vícios.

Só me ensine a sobreviver,
Estou cansado de gargalhar com as mesmas pessoas
E sozinho sofrer,

Buscar, mais uma vez,
Uma fábula,
Um pertencer.

Já que na minha origem,
Não acho prazer, orgulho,
Tenho todos os quereres
E nenhum poder.

Enquanto isso,
Só posso ascender
Dominando meus medos
Com meu talismã e brinquedo,
Me comunicarei contigo,
Pelo bracelete de dedos.

( Inspirado Por: The Pretty Things "Bracelets Of Fingers")

sábado, 6 de agosto de 2011

Desafio III- Coragem

Tudo o que você conseguir ler,
Em mim e nesta paisagem,
Terá, querendo ou sem querer,
Alguma coisa a ver com coragem.

Algo que pode não ser fácil de notar
E depender muito da abordagem
Mas a valentia pode muito bem estar
Em admitir uma fraqueza,
Ou uma bobagem.

Minha coragem já teve tanto sua face mudada...
Sendo evidente,
Transparente,
Ousada,
Arriscada,
Atirada,
Bombardeada.

Ou agindo dissimuladamente,
Ocultando a mente,
Acanhada,
Camuflada,
Suspirada,
Pega emprestada,
Quase nascendo abortada.

Se bem me lembro,
Tudo começou a noite,
Em um domingo qualquer
De um já distante novembro...

Em vias de atingir total escuridão,
Uma única luz:
Da televisão...

Começava, então,
Sem retorno, uma viagem,
Onde componho o outro,
E a mim mesmo, consumo.
Onde essa ambígua audácia, na busca de outra imagem,
Atinge o supra-sumo.

Começo mudando a cor da letra,
Tom púrpura, vermelho cardinal,
Indicando unívoca significação,
De honrosa dedicação:
Para minha rainha,
Um memorial.

Ânimo na luta contra o tempo,
Meu eterno adversário,
Barrando um encontro, um momento,
Fazendo me culpar o (con)fuso horário.

Entusiasmo,
Beirando o biônico,
Capaz de dar nomes,
Curar casos crônicos,
Carregar planetas,
Cabeças,
Troncos,
Membros,
Para poder comemorar,
Bem mais os seus dezembros.

Refletir trocadilhos e tolices
Em todos os espelhos,
Esperar com tudo o que pude e disse,
Outro dos teus sagrados conselhos.

Defesa contra a morte ambulante,
Ou por nada, por tudo, pra sempre e nunca,
Apelar pra certo fetichismo,
"PseudErotiConcretismo" ,

Ou outro conceito candente,
Igual ao fogo e a estrela cadente,
Força, bravura, coragem,
Ingredientes que constroem a gente,
Já que deles, nós necessitamos,
Sempre,
Novamente.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Desafio II: Memória

Amnésia, por ele sempre temida,
A tal ponto de lhe fazer lembrar-se,
De qualquer época, mesmo não vivida.

O medo do esquecimento
Marcando sua existência,
Por isso, para todos,
Ele endereçava uma reverência,

E dedicava, com glória,
Quando alguém nele despertava
(E dignava)
Uma memória.

Já que só ela superava
A física permanência transcorrida,
Então, propagava,
Uma frase repetida:
"Recordação é vida".

Ao passado, ele chora,
O presente, enamora,
O futuro, ignora.

Já que para a sua crença,
Elaborou uma sentença:
-O por vir é só um permanente agora.

Nunca fez grandes coisas na verdade,
O que mais há em sua mente é a saudade.

Carrega um problema mal resolvido:
Não saber se foi querido,
Por quem o fez alcançar
O mais elevado e visceral estado de espírito sentido.

Reconhecer o afeto recebido,
É um irrealizável pedido?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Desafio I: Liberdade

"Liberdade tem sabor de realidade"
(Ouvi isso numa canção)
Essa é só uma meia verdade
Já que me liberto
Apenas na imaginação.

Qual o erro de fazer realidades,
Produtos da criação?

Como rindo,
Ver a própria cabeça
Em alta velocidade,
Rolando na terra,
Pelo chão.

É preciso ser livre
Para encontrar uma nova ilusão.

Nove letras,
São delas que eu preciso,
Pra compor o contraponto,
E por vezes, confronto
Liberdade com juízo.

Dela todo mundo gosta,
Quando o "eu" é a grande proposta,
Mas poucos, iguais a mim,
Podem jogar,
Compartilhar esse direito,
Dividir todo o respeito,
Dialogar,
A pergunta e a resposta.

Liberdade e Irmandade,
São sinônimos, certo?

Contraditório assim,
Te peço: não esqueças de mim,
Eu gostaria de ficar por perto...

Te proteger contra a máquina,
"A revolta é uma dádiva", falando devagar,
Divagando,
Lembre-se de cantar.

O que eu tenho,
O que é meu,
Tudo isso poderia me aprisionar,
Mas se sou livre
(Pelo menos um pouco)
Devo ser louco,
(Ou muito esperto)
O bastante para o melhor de mim,
(Mesmo que forem somente palavras, no fim)
Ser algo que lhe oferto...

domingo, 31 de julho de 2011

Elegia 57

O príncipe poderoso,
Famoso pela glória,
Pode incluir mais um feito em seu livro de memórias,
Virar mais uma página de sua história.

Para quixotescamente Inscrevê-la
Em momento de cavaleira valentia,
Mostro a conquista da estrela,
Como circunstancial poesia.

Ela, dádiva celestial,
Concebendo infinito fractal,
Transformando ódio seminal
Em paz mental.

Ele que se achava pouco,
Parecia louco,
Delirando em sonho barroco,
Ganhou bravura, depois de grito rouco.

Depois do berro,
A resposta da fera bela,
firme como o ferro.

Que deu a ele a honra de correr muitas milhas,
Lutar e vencer,
Sem armaduras
Nem armadilhas.

Ele cavalgando,
Onde ela foi pedra preciosa,
Ladrilho brilhante.

Ela, atravessando arcos,
Descobrindo marcos,
Narrativos,
Éticos,
Estéticos,
Dramáticos.

Eles,
Unidos,
Espíritos conjugados,
Em todas as pessoas e tempos,
O eterno firmamento guardado,

E todas as palavras e ventos,
Direcionando o gesto amado.

E assim se chega
Em tudo que faz,
A saudação ser celebração homérica,
Eu amigável, me despeço:
"Adeus, glorioso,
Adeus, feérica".

Irresistivelmente: Nº 2- Silencio e vou

A areia,onde nunca pisei.
Foi lá que dormi e despertei, refeito.
Jurando que ouvia o ar rarefeito,
Passando pelo teu peito.

Meu corpo então, estremeceu,
Por nunca completar uma travessia,
Temendo te encontrar, um dia,
Em algo decididamente mais seu.

As distâncias,
Que me perseguem
E comigo seguem,

Se fazendo cada vez mais abissais,
A obsessão fez seu próprio divã,
Coberto de folhas outonais.

Ao fim,
Eu, sobre o pó,
Construo modelos, rascunhos.

Eu, que só sei ser só,
Choco contra a parede meus punhos.

E deixo  a dor vagar,
Errar,
A dama de copas me domar,
Já que é por ela que quis em público berrar,
E os muros esmurrar.

Minhas marcas
Não temo exibir
Divididas assinaturas
Do meu nada conseguir.

E parto,
Vendo nascer na estrada,
Uma ninfa da tela prateada.

Sem bússola, sem mapa, sem conceito ou ligação,
Eis minha única conquista:
O sangue derramado nas pistas,
Sobre a minha visão.

Prendo o fôlego,
Transpiro,
O liberto,
Me inspiro,
Transformo o bocejo em suspiro.

Não sei acabar com minha verborragia,
Finalizar tributos,
Odes,
Elegias.

As reciclo,
As repito,
E estendo ao infinito,
Onde exponho,
A verdade incontrolável do sonho.

Agora,
De outro sofrer me curo,
Penduro em um cabide o futuro
Que separei pra ter aqui.

Consciente de que meus termos,
Anjos de asa única, para quem dou as mãos,
Sempre guardarão,
Meu tempo e um templo,
Para ti,
Com toda a apreciação.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Irresistivelmente: Nº 1 - Digo e fico.

"Não vou começar,
 Não vou começar"

Ainda assim, pego a caneta,
Mais um dilema para administrar:
Outro cumprimento
Que me comprometa.

Temendo o silêncio,
Calo,
Minhas moedas,
Meus valores,
E matérias-primas
Indo do bolso ao ralo.

Meus pavores,
Incendiários e sinceros
O fogo a queimar meus dedos,
Vindo de isqueiros amarelos.

Minhas reciprocidades,
Sempre frustradas,
A pele quente,
As palavras frias,
Desejadas e suportadas.

A voz que me preenche,
E da qual me recordo com encanto,
No entanto, não equivale
Ao verter do visto pranto.

Uma melodia agridoce,
Certo caráter tétrico,
Coisas emanadas da sonoridade
Das quatro cordas do baixo elétrico.

A desobediência aos mandamentos,
Os insistentes arrependimentos.

Quero escapar das relações impostas,
Receber um bom susto,
Abraço dado pelas costas.

Desejo  me livrar do cinismo,
Me forçar a fuga pulando o abismo.

Tudo o que o afeto representa:
Fazer um nome ser mais relevante do que quarenta.

Todos os meus choros contidos,
Todos os passos mal fingidos.

Nas minhas mãos,
As linhas da meritória lembrança,
Em deglutição,
Minha própria ignorância.

E é a partir disso que crio:
Descer garganta abaixo,
O sabor do vazio.

Encontrar as maravilhas do país,
Mesmo sendo o apressado coelho,
Esperar com desértica sede,
Um caminho, um conselho.
Vindo da imagem que ofereço
Através do meu espelho.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Aos cacos

Espelhos:

Refletidos,
Esquecidos,
Quebrados,
Refutados.

Obcecados,
Implorados,
Abnegados,
Resignados.

Confrontando olhares desconexos.
São côncavos, convexos.

Responsabilizados pelos rostos e complexos,
A se auto-revelar,
"Tem certeza do que está me mostrando?"
Ficamos sempre a perguntar.

Questionando sua lealdade,
Fidelidade em desmascarar,
E evidenciar
O outro lado da realidade que podemos encontrar.

Espalho espelhos Bascos,
Por onde passar
Para que se combatam ascos
E as esferas possam girar,
Em salas de espera,
Para o sensacional poderem buscar.

Palcos, Portais e Fortalezas.

Só o sublime me redime,
Do meu exíguo existir.

Já aquilo que me oprime,
Me invade sem eu permitir.

E por isso, detesto,
O pequeno gesto.

É trabalho indigesto
Fazê-lo ser mais que o medíocre,
Em ato modesto.

Por isso, sou ferido algoz,
Da lira do cotidiano,
Pois a mim ele tudo faz de desumano,
Delírio atroz.

E a "sutileza" me é crime oculto sob roto pano,

Meu pano é outro, o do palco,
De alternativo plano,
( Dramático?  Teatral?)

Épico,
Didático,
Performático,
Transcendental,
Exótico, mas anti-colonial.

Então me presto,
A declarar manifestos
De estética gutural
Declamando reclames
Pelo excelso e seus arroubos,
Não tergiverso,
A esse direito não me roubo,

De querer enxurradas,
Bátegas,
Derrames.

Em que vejo todos os fluídos e humores
Irados como enxames,
Com seus esplendores embevecidos explodindo.

Ebulição,
Ou combustão de motores partindo?

Todos os campos,
Ao transe levando.

Os corpos,
Os cantos,
E os espantos se elevando,
Aos estentóreos estertores,
Se unindo

A escarlate

Eu me lembro que estou cercado,
E cerceado,
Com infelizes coincidências por todos os lados.

Coletando dados,
Amargos, secos,
Como os vinhos oferecidos pelo menestrel.

Os algozes,
Gentis com o meu lamentável estado,
E omissos,

Ao me ver engolindo o fel,
Colecionando falsos sorrisos.

Estou cansado,
De me posicionar sempre no local errado,
De não ter como presente um fato amado do teu passado.
Entre minhas mãos cerrado,
Lacrado,
Seguro e inviolado.

Enfadado de palavras com as quais me sinto incomodado,
Esvaziado,
Expurgado.

Distanciado do teu falar,
Cromado,
Brilhante,
Micro tonalizado,
Nunca pra mim pronunciado.

Os lapidados sons do teu precioso pensamento,
Nunca por mim tocado.

Da minha lista de ardores  Não declarados,
Indeclaráveis,
Por culpa de conexões indesejáveis.

Quando não mais banquetear-se com teu Vatel,
Sem poder mais (por causa de teus brônquios)
Acompanhar-lhe o tropel e o compasso,
E se lhe enganar o passo dado em falso?

Quando não mais recorreres ao saber de Platão,
Sem nem razão,
Pra carregar em teu ser os pergaminhos da lição
Que ele te deu.

Serei ombro,
Cabelo, suor e pele,
Onde conseguirá se confortar,
E ocultar,
A vermelhidão dos olhos teus.

Ou esperarei ser,
Antes que o cotidiano,
(E seu poder tão desumano)
Me afaste do prazer de te ver,

A mais carmim imperatriz,
Se lembre de mim quando tiver uma cicatriz.

Eu, veterano, apesar da pouca idade,
Lhe digo em verdade:

Fui,
Sou,
Serei feliz.

Enquanto recordar de um nosso
Vis-a-vis.

Eu em Sirius, Cão Menor

Sabendo
Tudo o que eu quis aprender,
Sendo,
Todo o poder que eu desejei ter.

Ansiando remediar minha dor,
Busco teu brilho,
Teu nome,
Tua luz,
Teu calor.

Contigo,
Solitário não mais estou.

Procuro,
Um módulo lunar,
Espacial,
Que me faça superar o carnal.

Meu medo é que o noturno céu fuja de mim,
E que meu tempo (espaço) chegue ao fim.

Sem mais,
Aqui me despeço
(E disperso)
Até que se possa entender cada verso,
E emfim, do universo,

Cada estrela...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Juntos?

Eu,
Crescendo para além de mim,
Extraindo o meu melhor para, no fim,
Poder te oferecer.

Para me arrepender,
Não tenho nada
A menos que seja saber
Que fazemos o que  nos desagrada.

Vejo esses novos laços que nós engendramos,
Chegue perto,
Perceba:
Somos humanos.

Tento me conter,
Em minha poltrona manter,
Uma certa doença,
Mas você me abraça,
Me cura,
Sem ter essa consciência.

Nos conhecemos,
Podemos estar juntos assim.

Livre,
Livro - me do medo de perder,
E ver entre os dedos derreter
O desenho teu
Que os meus pensamentos fizeram existir,
Até aqui você vir:

Nota as palavras a conceber meu rosto?
A sentir desgosto com o seu partir?

São coisas tão difíceis de ver,
Mas nada entre erros e culpas
As fará sumir...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Dubiedades

Eis o meu projeto,
Para  ressuscitar
Em cada hipotética punição:
Pegadas evidentes,
A pele, 
A brasa,
O carvão
Crítica estigmatização,
Flagelo de purificação,
Minhas novas últimas palavras
(Parafraseando Leary): "Por que não ?"

Lindo sonho delirante
Auto-flagelação,
Ferimentos sem pressa,
Matar esperanças,
Despedaçar promessas,
Juras..

Pensamento nocivo,
Pigarro agressivo,
E  conhecendo suas curas,
Prefiro permanecer adoecido.

Cerceamento de sinceridades,
Eu, me impondo penalidades.

Meus momentos,
Ferimentos,
Resignados castigos

sexta-feira, 22 de julho de 2011

"Alea Jacta Est !"

Lembranças,
Tuas, diretas cruas,
Honestas,
Dos fios de cabelo até  cada osso.

Na falta de algo assim,
Submerjo em ti,
Deixando exposto apenas o pescoço.

Você me quer sendo claro,
( Isso pode me custar caro)
Mas não consigo mais acumular
Todos os sentidos que mascaro
Todas as musas, eu declaro,
No intuito de te simular.

Pode ser esse um ato impensado,
Pelo qual, quase certo,
Me arrependerei.

Mas saiba,
Também tenho corte aberto,
Carregando abraços que não te dei,

E sem os receber,
Só podendo temer reação indesejada,
Me pergunto se mereço saber de sua vida,
E de uma viva lágrima vertida,
De seus olhos,
( De irrelevante cor)
Derramada.

Percebe como é oca,
Minha medíocre realidade:
Consigo amor que todos necessitam,
Mesmo assim prefiro a tua crueldade.

Se estou errado?
Se passo por um momento de demência?
Ignorarei o que for diagonsticado,
Até ter o afeto teu compartilhado,
E a coragem das tuas desistências...

Se dessa forma,
Tentando criar inexistentes pausas,
E desejando lutar em idênticas causas,
A ùnica palavra que você terá a me dizer for "fim",
Me restará aceitar tua norma:
"Pior melhor assim".

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Para quem o acaso me trouxe...

Eu sei que espero,
E sendo bem sincero,
Sempre esperei.

Por palavras de esmero,
Afeto sincero,
Pelo que sou,
Quis ser,
E o que sei.

Ter o direito de escolher quem chamo
Pra dentro do meu mundo,
Notivagar pelos pensamentos
Adoráveis, vagabundos,
Torná-los sujeitos e objetos
De algo que possa ser profundo.

E se num ato falho,
Gargalho,
Querendo falar sério,
Me fecho,
Deixando a porta aberta,
Finjo,
Com toda minha franqueza,
É pelo fato de lembrar que:

"Por trás de cada simplicidade tem um mistério.
E atrás do mistério, a descoberta.
E atrás da descoberta, a surpresa".

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Reciprocidades

- Isso não tem futuro
- Infelizmente, tem.

O destino vai,
Escapa e sai,
O passado vem.

Meu coração tão duro,
Por já não ter ninguém,
Procura sem ver,
Mesmo sem saber
Encontrar a quem,

Escolho
E peço,
Arbitro, confesso.

Eis o que posso lhe falar
Durante o teu silenciar:
O ar, você respirando
A me carbonizar
E eu, em ti  sufoco,
Para me libertar.
  

- Isso não tem futuro
- Infelizmente, tem

Se caso quiser 
E se for mulher
De saber teu bem.

Me calo inseguro,
Sendo o mal menor,
Quando você, no escuro,
Não alcança o melhor.

O que eu espero encontrar
E que não pode demorar,
Será a tua boca
A me pronunciar?

Então terei certeza
De qual é o meu lugar.

Fico,
A declamar.


sábado, 16 de julho de 2011

A seguir...

Da janela da frente,
Observo as coisas e seus sentidos secretos,
Idéias, pensamentos, reticências
Essências, reminiscências, afetos,
Teorias sem autor
Que chame alguns de "abjetos",

Nem propagador de absoluta verdade,
Vejo pés descalços, liberdade,

Naqueles em quem sei que devo confiar,
Então flutuo,
Permaneço a gravitar.
Como explorador voando,
Com um trajeto:
Fabular.

Construindo geografia e grafia particular,
Crio minha ciência e meu modo de estar,

Com minha própria lógica,
"Antropozoomorfológica",

Se fazendo registrar.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Pioneira

Fato: alguém vem de uma ilha,
Ela,
Do Lírio e da Lótus,
Tratada por eles como filha.

Sua origem foge da minha compreensão,
Vinte dias,
Mínimas palavras,
Nenhuma ação.

Caminhamos juntos uma vez,
Ela, cordial me leva até conhecidos corredores,
Meus passos me conduzem até antigas dores.

Uma tela em branco,
Uma tábula rasa,
Um primeiro encontro,
Um silêncio franco,

O tempo, nesse instante tão parado,
Ao retornar, até se atrasa.

A quieta inquietude dela,
Que me espanta,
Capaz de dizer tudo
Com quase nada.

Inocência escondida,
Volúpia escancarada
Ou é o inverso que a define
E me encanta,
Nessa jornada ?

Outro fato:
Sempre há uma fila,
Onde a inveja sibila,

E se propaga o ferino rancor,
Agressividade,

Onde a verdade
É  crime para quem se ama mal,
E se abomina  a disciplina,

Da minha marcante deusa,
Vinda (conta-se),
Do marco oriental.

Suspiros meus foram esquecidos nos cantos do cinema,
A perdi,
Razão para ter pedido
Para as ninfas reavivarem em mim,
Esse empoeirado tema.

Que se hoje arde,
É por ter sido covarde,
Deixando acabar assim.

Espero recebê-la,
Descendo de um navio mandarim,
Imagino tê-la,
Solitariamente bela,
Pra confessar somente a ela:
"Nunca vai se apagar dos meus olhos a tua estrela,
Já que nunca haverá fim".

terça-feira, 12 de julho de 2011

Libertino, como posso

Já não sei camuflar,
Manter isso escondido,
Fingir-me ensurdecer
Com tamanho, intenso estampido.

Sempre que tudo parece aborrecido
Me salta aos olhos
O anjo profano da libido.

Não sou da "Família do amor"
Mas carrego imenso calor,
De que não consigo me desprender,

Ou fervo
Ou vou perecer...

Não diferencio sabor de suplício,
Mas reconheço quando existe vício.

Me pergunto se já quis orgia,
Se imaginei bacanal como terapia.

O que me mata e me maltrata
Me vigia,
Escondendo a verdadeira fantasia.

Tudo parece tão insípido,
Tedioso, pura lamúria,
Me fazendo querer tudo explícito,
No lascivo mundo da luxúria.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Bandeira 2" (Ou "sobre o pudor")

Falei recentemente,
Do que me veio até a mente.

De surgir desejo,
De íntimo lampejo,
De aproveitar ensejo.

Mas prazer é ardor,
De dor e esplendor.

(Pelo menos um pouco,
Excluindo-se o amor,
Se o incluir,
É louco e imenso o poder,
Tanto redentor
Quanto destruidor)

E pejo, agora vejo,
Em suas quatro letras
É sinônimo de pudor.

Que pode ser,
Dependendo do que nos dá a escolha:
Escolho, dificuldade, impedimento,
Ou mais um elemento
Do qual se colha,
Fruto suculento.

Que nós comemos,
Nesse instante,
Nesse momento,
Neste comenos.

Buscamos nos enlevar,
Embevecer,
Extasiar.

Chegar ao limite dionisíaco e voltar.

O cúmulo,
O ápice orgástico
É o que queremos.

O clímax,
O auge,
O extremo,
Nada mais,
Nada menos.

sábado, 9 de julho de 2011

Feriado Ferido

Fui segado,
Pela escuridão ceifado,
Sigo, peito ferido,
Ouvido esquecido
Adormecido, ignorado,
Olvidado.

A amnésia que houve,
E que agora escuto
Decepando meu Eu,
Pelo breu absoluto,

Me absorve e suga,
Culpa quando julga,
Condena quando sentencia.

Absolve, sim, a covardia,
A demagogia, a hipocrisia,
A incoerência premia
No casuísmo vicia
E o cinismo procria.

O sino badala,
O destino me cala, me cinge
Não decifro e me devora
Como a Esfinge.

A sina,
Me encurrala e exala
O odor do mar que singro,
Na dor do mar que finjo,
Atravessar sem enjoo,
E acreditar que voo,
Usando sonar,
Igual a um morcego,

Mas o que soa
Em mim desafina,
Atordoa, desatina,
E a nada chego.

Sem além,
Vampirizo meu sossego,
Me entrego,
Estou pego,
No desencontro, nado,
Me afogo, renego,
No que me apoio,
Em quem me apego?

Só vejo uma escola vazia.
Um muro,  que adentra o meu quintal,
Avança, dia após dia.

Olho planta que não germina,
O ciclo que não se inicia,
Eis o que me faz sentir tão mal,
O que me angustia.

Nada de luz,
Tudo de cru, de cruz,
Nada de som,
Nada de bom.
Nenhuma memória servindo como guia.

Desprovido de glória,
Nessa letargia,
E muito menos de sua presença,

Ou qualquer recompensa,
Algo que possa me substanciar,
Como sua existência,
Maciça e macia
A me obcecar.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Quinta Parede

Você,
De novo, mistério

Eu,
De teus vestígios
Voyeur
Só conseguindo dizer,
Algum impropério.

Você,
Dando um passo atrás,
Apagando sua marca.

Eu,
Por você
Fugindo e chegando
Encontrando a mim,

Poeta pedante
Porém incauto,
Sem tocar o que olha do alto,
Como monarca
Em sua torre de marfim,

Passando enfadonhas tardes alargadas,
Te estudando,
Caçando  suas pegadas
Que você cobre com areia.

Será que você receia,
O Meu acesso abrupto
De sua mente
Em várias camadas?

Caí em tua armadilha,
(Outra sua maravilha)
Eu,
O fracassado da matilha,
Ouço seus uivos, andarilha.

Loba da noite que escolto,
(Mesmo sabendo que não sou eu quem você chama).

Querendo partir,
Volto,
Falsamente tranquilo,
Me revolto,

Por não poder Pôr
O pé na lama,
Adotada por ti,
Uma sucursal de sua cama.

Confesso,
Tuas (des)crenças professo,
Mesmo para discordar.

E nesse processo,
Abraço meu retrocesso,
Já que só em ti posso ver o avançar.

Assumindo como  justa a ocultação,
Tornando honesto aquilo que me engana,

Desejo tua alma ajudar a limpar,
Até talvez encontrar,
No lodo de sua digressão insana,
Uma etérea,  rara e original peça
Da mais nobre e mais tua
Porcelana.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Não Adianta...

Não consigo mais,
Tenho medo de perder o medo.
Com frio na barriga,
Te recebo.

O que faço?

Não posso mais te ignorar
Buscando teu aconchego
Até seu silêncio é o melhor
Do que hoje posso encontrar, escutar.
Como eu sonhava em te dar,
Na tempestade,
 Meu melhor abrigo,

Perguntas de amigo:
Entende agora o que eu digo?
Simplicidade que pode desgastar?

O "Eu te Amo" repetido,
Até nada significar.

Não há aditivo qualquer,
Que me faça escapar
Daquilo que devo passar,

O que me resta viver
Está na lágrima,
Lástima,
Mágoa
Pra me afogar.

Você em seu canto,
Esperando suas contas
Poder encerrar.

Sei que não devo ( e nem quero) invadi-la
Acredito no tempo,
E na tua permissão, o momento
De conseguir
Te entender
Encontrar,
Deparar,
Minhas sensações depurar.

Teu peito disparar,
Desvendando teu novo poder.
E finalmente,
Celebrar

O teu raro estado de viver,
Conseguindo em meus ombros se apoiar.
Eu, ansiando te seguir,
"Preciso sair deste lado,
Preciso mudar de lugar".


E, você,
Me deixa te acompanhar?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sobre o frio II (12/07/2008)- Negativo

A orquestra parou,
É noite e faz frio,
Prometeram orgasmo,
Venderam vazio.

Vangloriam  o tolo,
"É LIVRE!"
(Na multidão esse grito pipoca),
Só esqueceram de dizer,
Que só o  "encarcerado" comemora
O tolo, não sabe o motivo,
Mas deseja ir embora.

A "liberdade" que lhe dão o sufoca,
E ao mesmo tempo, tão ilusória,
Não o toca.

Sol?
Pra quê, se ele não ilumina?

Caminhar
Adianta quase em nada,
Se só for possível
Ir até a encruzilhada.

Quebrar as pedras,
Rotina normal
De quem tem os calos nas mãos
Como maior sinal,
Destino final e fatal.

Qual o tamanho da estrada
Depois que se tem as pernas quebradas?

"Na queda, não se passa do chão",
Obrigado, mas já tenho
Meu ódio de consolação.

Olhar para o alto,
Subir o monte,
E ter a mesma parede
De horizonte.

Os "Gênios" nisso nunca pensaram,
Nem pensarão.

Mas agora,
Isso não merece minha atenção
Ou minha dor
A luz é forte,
Basta encontrar e ligar
O interruptor.

Sobre o frio I (30/04/2008)-Positivo

Arrepios...

Me lembro dos meus antigos totens.

Envelheço,
Mais devagar que o aconselhável,
Mais rápido que o suportável.

Recordo meus desgastados
( E desastrados)
 Planos de eternização.

Guardo minhas pegadas no bolso,
Esperando pisar em melhor chão,
Que seja macio.

Ainda acredito nisso? Sim. Tenho quem me faça crer que me perdi no tempo, em um lugar deserto de horizonte áspero.

No entanto,
Me perdi...
O que significa que não nasci aqui.
Ainda posso o caminho mudar.
E encontrar um lugar onde
Minhas chances possa apostar,

No que se quer dizer e no que se é
O espaço caindo e se pondo de pé.

Eis o que fez meu viver:
Me provou que é importante saber
Quanto tempo os pulmões aguentam sem ar,
Pra perceber.
Que a fumaça negra nunca é tão densa
A ponto de ocultar

A nobreza do momento em que se pensa,
Sentado num canto, com privacidade,
Ou povoando de encanto
O coletivo canto
Que compensa
O gelado estado
Da cidade.

domingo, 3 de julho de 2011

Mais do Mar

No porto das fragrâncias
Acabei ancorando.

A princesa dos corsários me recebe,
Um olho piscando.

Mar circundando:

Era um retorno,
Feito em torno
De suspiros imemoriais.

Ela sorri
E me mostra o cais.

O que dizer,
Ensaiado por oito anos,
Não sei mais.

Ela apenas desenha na areia,
Pra que eu não permaneça aflito,
Dependendo do olhar,
O oito pode ser infinito.

Horizonte,
Firmamento,
Onde tudo não passa de um momento
Ideograma no alfabeto do tempo.

Que se aprende,
E apreende,
Parcimoniosamente,
Nunca totalmente,

Em cada regresso,
Cada delírio confesso,
Cada atalho que se toma,
Cada flor,
Cada cor,
Cada aroma

Oloroso sintoma
Do fim da dor,
Do odioso coma.

Que eu encerro,
Finalizo,
Quando seus cabelos acaricio,
Aliso.

sábado, 2 de julho de 2011

Caymmi?

Nós,
Milhas náuticas,
Oceanos de distância
Conscientizando adorações,
Dores, aproximações
Desnudando discrepâncias.

Nós,
Marinheiros mareados de concreto,
O baque surdo,
Golpe baixo,
Abjeto
De nada concretizar,
Eterno ser incompleto.

Nós,
Laços,
Enfeites secretos
E outros efeitos, discretos
Repletos de abraços não dados.

O choro,
O pranto rolado,
O (de)leite, sobre o peito derramado,
Decorado, sabido de cor,
No coração guardado.

Em mim, mais que o ciúme represado,
Vence o respeito,
Nada afoito, afeito e desapegado
Amor é direito de ser buscado.

É torto,
Se finge de morto,
Se for intrometido,
Só introjetado,
Missão invasiva,
Torturando o que nem foi tentado...

Preciso de mais paciência,
Quem sabe até da decência,
De saber libertar,
Se aprende,
(E é algo do qual, eu sei, não se arrepende):
Sendo erro aprisionar,
A quem realmente
É do seu gostar.

Deixa estar,
Se há de fato,
Um feliz olhar
Em quem decide ir
Quem quer bem percebe
E ao natural, concebe
Um acenar e sorrir.

Eu deixo ir.
Deixando com quem parte,
As pegadas e a arte
De quem quer voltar,
Se voltar preferir.

O carinho é circular
Como caminho feito
No navio a zarpar,
No horizonte a seguir.

Mas não é sobre-humano
Como o oceano,
Pode ocultar,
Sem fazer sumir.

Achará seu lugar,
O acalanto, o conforto,

Assim como todo velejador,
Tem o seu porto.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Intromissão

Eu realmente queria entender
O que te impede de perceber
E de enxergar
A si mesma como eu sei te ver.

É  um erro me intrometer,
Nada consigo intermediar,
Mas uma falha tinha que cometer
Para que me permita reformular.

Eu realmente queria entender
Quais das saudades te fazem criar,
E a razão de alguma delas receber
Me fazer chorar
Sem lágrimas verter.

Eu realmente queria entender
O fato de ter que me  aproximar
Quando me compadeço do seu sofrer
Sem celebrar
Sua suave visão a brilhar de prazer.

Eu realmente queria entender
Você se pondo em baixo patamar
Como os que não tem nada a perder
E não me dizes se podes ganhar,
Com o que quer aprender.

Será que sabes qual é o teu poder?
O que ainda mereces muito conquistar?

Eu realmente queria entender
Se sou eu que te mistifico
Ou é você que posta-se a desprezar,
Desconfiar do teu próprio saber.

Eu realmente queria entender,
O que me faz de longe assim, questionar
Falando de outro corpo, outro lugar
De algo teu, tão particular.

Eu realmente queria entender,
Como, pra ti, não consigo calar?
Podendo, querendo ou sem querer,
Meio planeta desconsiderar.

Eu realmente queria entender,
A minha insistência em te apoiar
Correndo o risco agridoce de ter
Só teu silêncio a me acompanhar.

Eu realmente queria entender
Minha necessidade em registrar
Que cada palavra em que me deixas crer
É como um golpe a me desfolegar.

Eu realmente queria entender
O que ainda me faz mergulhar
No mistério de te compreender
Mesmo com o tempo a nos esmagar.

Eu realmente queria entender
O que nós temos pra compartilhar
E se pudemos nos conhecer
Então, o que explica
O Destino,ao nos afastar?

Eu realmente queria entender
Os meus dedos ardendo de em ti pensar
Meus medos ascendentes de te nomear

Eu realmente queria entender
A causa de certos verbos me fazerem fraquejar

Eu realmente queria entender
Onde termina  o bem querer
E começa o amar.