sábado, 10 de setembro de 2011

Jubileu (celebração da coroação)

Salvar-me olhando o silêncio?
Impossível.

Guardo em mim a saudação intensa,
Risível.

Exagerada,
Granada atirada contra o muro,
Obra e graça de amante desvairado e imaturo.

Desfaça-se de todos os conceitos que tem sobre mim,
Eu grito e te constranjo,
(não há outro modo de construir meu arranjo),
Pra saber o que te desnorteia,
E torcer para que me devolvas,
Um petardo que mude o cenário que me rodeia.

Não apreciando meu humor inconsequente,
Delinquente.
Saberei que serás mais um abismo, rocha,
Onde tropeço, e frequentemente,
Caio em deslizes,
"Psicogeográficos" acidentes
Falsas esperanças,
Em que quanto mais quero voar, mais crio raízes,
Novo precalço, tu me cansas.

No entanto, se aceitares que  sou seu complemento reverso,
E que as árvores podem flutuar em meu universo,
Onde o pranto equivale ao orvalho a pingar,

Então, contigo converso,
"Todo Cambia!"
O que quer mudar?

Levo em meu peito,
Tua casa e teu respeito.

Se me exilar aí,
Onde as folhas acobreiam antes de cair,
Serei refugiado consciente,
Que escolheu pra onde fugir...

Não vou negar que quero tua pele,
Embebida em canduras,
Livre de armaduras,
Para tocar.

Mas posso me contentar,
Com o abraço de alma,
Tua agridoce calma,
Pra me confortar.

Sei que minha verve desperdiço,
Que nada terei quanto a isso,
Mas deixe nascer a expectativa,
Manter-se minha inquietação ativa,
Mente viva.

E quero estar, no fim,
Entre as espécies do teu interno jardim.

Eu, ali,
Dente-de-Leão,
Entre pétalas,
Botões e Amores-perfeitos,
Efêmeras e singelas eternidades,
Que preservas no coração,
Por trás do que teu espírito, tão bom, tem feito...

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