sábado, 29 de setembro de 2012

A Má Temática

Incertas horas de setembro,
Meu problema:
Pouco sei, muito lembro,
Variações sem tema,
Tal qual um corpo sem membros.

Todo afeto que conheço,
É  irmão siamês de uma crise,
Cuja origem estabeleço,
Embora nunca localize.

Economia?
Talvez eco em compressão...

Geografia?
Escrita da queda sobre o chão...

Somos o que somos ?
Nós, dores ?
Cores, Valores?
Forcas, Fraquezas?
Voláteis Vapores?
Certezas, Gomos?
De Dourados pomos?

Talvez não...

Somos o que some,
Quando perdemos o nome?
Somando subtração?



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Derme - Me Deram ?

Se uma boca te toca,
Afeta,
Completa.

Se abraços abarcam todo o encontro,
Achamento,

Eu, nem migalhas disso vejo,
Tenho por Lampejo,

Lamento,
Em que os fragmentos,
Furtivos,
Nunca esfregam a chance de ser algo depois dos meros atos discursivos.


Te invejo em poder
Conceber, de um olhar, as desejadas partes.

De meu,
Lastimo unicamente oferecer,
Sendo o que me impele,
A certa pele de que falou Barthes.

Trago, unidas aos meus ais,
Minhas falanges verbo-manuais,
Dos dedos e dos medos,
Nada mais.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Oportunismo Meteoro-Lírico

Uma estação
Invertida,
Convertida em negação:

O que era pra ser,
Agora, impossível ver.

 InVERnÃO
Inverno quente,
Passa seco,
Direto,
Dentro
Rente.

E arrasta em constante repente,
O indisposto em visão.

Sem olhar
Nem molhar,
Inato
Em desnaturalização.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Armadura Abstrata

Cartas nunca escritas,
Jazem, já mais aflitas.

Meias luzes, no entanto, Infinitas.

Ritos de irritações interditas,
Entre continuações, nuas e incontidas,
Ditas,

Pelas retinas retidas.

Peço que reflitas,
Tu, que exercitas,
Excitas, citas,
Mas não hesitas.

Enquanto eu me recolho,
Quer pelo obstáculo,
Ou pela consciente ação que ponho diante do meu olho
(O melhor receptáculo),
Qualquer desses:
Escolho.




226 (Esc)Ombros

As sombras são,
O que sobra, resta, recai,soçobra,
Repousa,
Quando ousa
A Obra?

Assombrar
Por cobrir,
Acompanhar
Quem cobra?



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Carma Clínico

Tudo o que tenho
De todos que quero,
De cansar, espero.

No decantar,
Nalgum canto desespero.


Em papel, desenho,
Na pele, tatuagem,
Na luz, um peso, "Foto-grama",
Todo meu empenho,
E nada retenho
Para além de uma imagem,
Nunca tecer,
Ou ter sido inteiro,
Espelhos,
Telas,
Janelas,
Nenhum cheiro.

A única cor que decorei,
É a dos meus olhos quando vermelhos.

Exagero nesse cancioneiro?
Sempre há em quem perde a calma.

Em vez de ser virtual,
Quisera eu ver tua alma.



sábado, 8 de setembro de 2012

E Os Naipes?


Você me apresenta três valetes:
Nada mais do que aqui vem me compete.

Em manter minha sensação vibrante
Desde muito tempo, ou doravante,
Só posso concluir que falho,
Sou mais um descartado do baralho,
Mesmo sem morrer aos 27.

Se você tenta,
Eu atento contra mim.

No fim,
Entre a arte e a vida em  seus olhares,
Sigo cego,
Simples e seco,
Assim,
Enquanto em entusiasmantes inocências ,
Tivermos ausências,
Enterrando os pares.






quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Mais Que Um Algarismo

O que começo a esquecer:
Seu cheiro,
Exalando no ar,
Que eu quero tocar,
Pra acarinhar ou socar?
Não sei responder.

Digo que teu perfume,
Certeiro,
Faz com que me acostume,
Primeiro,
A ver que ele ecoa, igual ao meu vazio, de semblante fechado, e braços abertos.

Estarei com os sentidos despertos,
Acordados de um coma,
Graças a um memorável aroma
Indolor,
E ao silêncio que me toma,
Ensurdecedor.