sábado, 28 de abril de 2012

Antes de mim...

Ela,
Como sempre, invisível o bastante pra ser meu objeto de estudo.
Inconstante o bastante pra tornar-se sujeito disso, contudo.

Ela gosta do riso de tudo,
E convive, sobretudo,
Com o ser seu próprio mistério.

Eu,
Verborragia em mente ,
Descendo emudecida.
Permanente muda,
Me mantendo sério.

Se ela quer voar,
Pode se transformar,
Fazer-se mar,

Enquanto eu afundo,
Ela se funda.
Em cósmico,
Astronômico,
Quântico mundo.

As estrelas lhe correm na veia,
Sendo como capa, corpo,areia.

Nada iguala a proteção,
Dada pelos pássaros soltos em cada sua oscilação,
Novos, longe do ninho,
Sabendo ou não.

E eu busco métrica fácil em meu caminho.
Como a orbitar sozinho,
Satélite sem qualquer constelação.

O que me permeia?
Sou corpo arranhado no concreto,
Impermeável, sem afeto.
Satélite sem planeta,
O que de fato volteia?





quarta-feira, 25 de abril de 2012

Em pauta, Mas não em falta

Saudades de suas divagações apalavradas,
Devaneios que de todos os meios,
Trazem algum tudo ao meu nada.

Em acidentada estrada,
Encontro pra me construir
Do outro ou de tempo, um ainda por vir,
Um retalho.

Vejo afeto maior em ato falho,
Beleza que foi manter letra trocada,
Dizer "Muito abrigada", em vez de "obrigada",
Devo chamar essa situação de equivocada?

Eu, com minha percepção atrasada,
Vejo como seu aspirar espera,
E sem querer, brilha.

Por isso,aqui te almejo afagada,
Joia rara, valorizada,
Tendo em cada palavra nesses versos impressa,
Como memorabília.

Confessa,expressa,
Sem pressa.




terça-feira, 24 de abril de 2012

"Realidade"? engula 177 vezes!

Muito cuidado ao pedir,
Para alguém "se virar",

Podem obedecer,
Apenas as costas ter por dar.

E antes que consiga perceber,
Quem se virou,
Não tenha razões pra voltar.


terça-feira, 17 de abril de 2012

Sei Escuro Consolo

Me recusei a ouvir a canção,
Mas sei que  você quer o retorno da infantil assombração,
(Não daquela que vem em profusão,
Depois de uma oração)

Não sei se lhe serve de alívio, consolo,
Te sinta fazer o melhor,
(Eu pra isso, erro feito tolo,
Mas sem a intenção do dolo,
Entenda esse pormenor):

Destemor pode ser até a coragem,
De reconhecer alguma vantagem,
Em as vezes esperar pelo pior.

Eu, que sempre tive o lençol
Por objeto de  asfixia,
Digo, que como é cada despertar que faz o sol,
"Não há nada como um dia após o outro dia".

Já que veneno e remédio,
Apenas fazem sentido postos diante de ao menos dois,
Sei que se existe o chorar agora,
Haverá também o ato de rir depois.




segunda-feira, 16 de abril de 2012

Madrugada Flexionada

Odeio admitir quando não somos espelhos,
Eu nunca pude confiar nos meus joelhos,

Sequer corri
Para vê-los ralados,
O que fiz? nasci,
Ou esperei aqui,
Nem ao menos caí
Apenas não chorei,
E pelo que não provei pra lei,
Me feri.

Sem o direito até
De ser causa ou consequência dos meus próprios machucados,
Somente tenho fios em minha calma sem nexo implantados,
Alma sem fé, de apoios adulterados.

Repriso intervenções feitas sem aviso na inércia dos meus deslizes,
Também sem razão para negar,
Acumulo cicatrizes.




sábado, 14 de abril de 2012

Entrópicos de Câncer

Saberes
Sabres
Sabores
Não sóbrios,

Ópios anti-óbvios,
Contra a operação dos opróbrios.

"Matriz" de :Entróipcos de Câncer II


.

Eros 172

Instinto
No vazio do que é tornado indistinto,
Quase extinto.

Torpor transformado em vapor,
Volátil,
Já que nunca tátil.

Mas não menos faminto.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Um Paraíso Conciso.

Dia de se fundar,
A cidade mítica, pela qual nutro desejo,
Com toda a mística capaz de ignorar o azar,
E trazer a escuridão apenas para o beijo.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tempo Fora da Linha

Achei que já tinha gasto,
Todo o tempo que me permiti perder,
Estava errado,
Ao ver teu viver retratado,
Ainda dele não o bastante íntimo, mas por demais intimidado,
Meu espírito insiste em tremer.

O que continua a me absorver?
Continuar preferindo te amar,não te temer...

Sem coragem de pra você olhar
Pra não ter que a verdade encarar,
Me abster de saber,

(Sei que isto escapa ao teu conselho):
Que é mais fácil no seu rosto do que no espelho,
O meu apreço se encontrar,
Meu afeto se reconhecer.


terça-feira, 10 de abril de 2012

domingo, 8 de abril de 2012

Precisões Polissêmicas

Para marcar dissensão,
Perda de senso a se anunciar,
Não existir resistindo contra cisão,
Precisar de tantas coisas,
(Tantas quanto a decisão)
Que é impossível precisar
(Atingir a concisão).


sábado, 7 de abril de 2012

167 Rochas (ou "Versos Políticos")

Será que estou pronto para
A partir deste instante,
Lutar em revolução sem cara,
Sem tato, portanto
Nada impactante?

Devo crer no levante,
De ameaça indomada,
Mas distante,
Construída sobre pele com garras marcadas
No entanto,
Sem qualquer sinal que denote semblante?

Envolto em tal espanto
Poderei militar
Me listar
Junto aos que gritam "Avante!" ?

Estarei entre aqueles que tem coragem firme como os recifes
Solidez de quem nunca arrefece?

Ou entre sabotadores,
Geradores de danosos caminhos,
Cultuadores de incultura,
Daninhos,
Onde ao redor nada cresce?


Aguentarei compartilhar amiúde
O desejo de fecundar algo pretensamente vivo,
Ao lado do rude,
Aludindo ao esquivo?

Quando há uma bandeira a se fiar,
Atravessando com um novelo um labirinto de pegadas,
É possível ter  por garantia,
Apenas o hábito de desconfiar, em meio aos múltiplos nadas?

Terei apenas mundos infecundos,
Atos ingratos,
Sáfaros pra safar?






quinta-feira, 5 de abril de 2012

Há Lógica ?

A (meteoro)lógica diz que devo esperar pelo inverno,
A(teo)lógica diz que o calor caracteriza o pecado nas chamas do inferno.

A(dia)lógica diz que a minha decodificação
Depende da sua atenção,
Da qual sou alto subalterno.

A(termino)lógica daquilo que se recusa a terminar
Chama esse esforço de terno e interno,
Querendo se eternizar.

A(psico)lógica busca analisar
As pulsões de vida, comprimidas
Entre o ser e o estar,
De saber quem se é
Quando quem não for meu rosto no espelho
Puder identificar
("Caso contrário, tem-se a neurose, a melancolia, esquizofrenia em constatação:
Tome os receituários, os conselhos e meu cartão").

A(sócio)lógica diz que oscilo entre os ontens e os amanhãs,
Famílias, clubes, sindicatos, clãs,
Ilhas de todos os arcaísmos modernos,
Maternos, paternos, fraternos...

A(bio)lógica diz que sobrevivo com aquilo
Que constrói minha espécie,meu filo,
De quem sou, compulsoriamente interno,
(Assim, inexiste para mim agradável recurso:
Impossivel hibernar, isso cabendo ao urso)

Animal, só sou a norma,
O sangue quente que pelo corpo contorna
Em pele morna me prova
Certos fatos que se reproduzem
(Como dizem que também posso)
Sem desova.

A(cosmo)lógica que mal compreendo,
Me faz render apreensão e aprendizado,
Ao que quer que atravesso, suportado e cruzado.
Pelas palavras que seguem em sorrateiro passo marcado,

Pra serem pegas em vácuos,
Vãos de voz,
Silêncios e nós
Do que de melhor faço,

E povoa,
A extensão,
Imensidão
Da popa até a proa,
Sendo o que ressoa
O infinto,
Onde habito
E reflito
Entre tranquilo e aflito,

Entre brincante e sério,
A Assinatura de cada grito,
A (as)simetria de cada traço,
Contido na cor do compasso,
Na dor do atritado detrito
E trasparência de todo mistério.


Assim,sobre o abismo do espaço, recito.

Tal qual gás líquido,
Flexível monolito.






domingo, 1 de abril de 2012

Verdades Adiadas

Inevitavelmente,
Novamente
Isso acontecia.

Repetidamente,
Quando fosse mais necessário e premente,
Minha voz me fugiria
E a imagem se apagaria.

Continuamente,
A mesma situação
Sobre ausência de opção:
As palavras me engolem
Pra que eu não tenha que tragar, negar ou afundar,
Meu coração.

Como fingir, dissimular,
Que escapei de a inveja me atacar?
E me impedir de lamentar?
De ter me furtado a falar,
Obrigado meramente a concordar

(Por termos ermos de quem só é o desconhecer
Como é ser mais leve que voar):

O que, mesmo sem dizer,
Já a muito tempo sabia,
Olhando com todo o gosto,
O teu rosto,
Feito de poesia.