domingo, 31 de julho de 2011

Elegia 57

O príncipe poderoso,
Famoso pela glória,
Pode incluir mais um feito em seu livro de memórias,
Virar mais uma página de sua história.

Para quixotescamente Inscrevê-la
Em momento de cavaleira valentia,
Mostro a conquista da estrela,
Como circunstancial poesia.

Ela, dádiva celestial,
Concebendo infinito fractal,
Transformando ódio seminal
Em paz mental.

Ele que se achava pouco,
Parecia louco,
Delirando em sonho barroco,
Ganhou bravura, depois de grito rouco.

Depois do berro,
A resposta da fera bela,
firme como o ferro.

Que deu a ele a honra de correr muitas milhas,
Lutar e vencer,
Sem armaduras
Nem armadilhas.

Ele cavalgando,
Onde ela foi pedra preciosa,
Ladrilho brilhante.

Ela, atravessando arcos,
Descobrindo marcos,
Narrativos,
Éticos,
Estéticos,
Dramáticos.

Eles,
Unidos,
Espíritos conjugados,
Em todas as pessoas e tempos,
O eterno firmamento guardado,

E todas as palavras e ventos,
Direcionando o gesto amado.

E assim se chega
Em tudo que faz,
A saudação ser celebração homérica,
Eu amigável, me despeço:
"Adeus, glorioso,
Adeus, feérica".

Irresistivelmente: Nº 2- Silencio e vou

A areia,onde nunca pisei.
Foi lá que dormi e despertei, refeito.
Jurando que ouvia o ar rarefeito,
Passando pelo teu peito.

Meu corpo então, estremeceu,
Por nunca completar uma travessia,
Temendo te encontrar, um dia,
Em algo decididamente mais seu.

As distâncias,
Que me perseguem
E comigo seguem,

Se fazendo cada vez mais abissais,
A obsessão fez seu próprio divã,
Coberto de folhas outonais.

Ao fim,
Eu, sobre o pó,
Construo modelos, rascunhos.

Eu, que só sei ser só,
Choco contra a parede meus punhos.

E deixo  a dor vagar,
Errar,
A dama de copas me domar,
Já que é por ela que quis em público berrar,
E os muros esmurrar.

Minhas marcas
Não temo exibir
Divididas assinaturas
Do meu nada conseguir.

E parto,
Vendo nascer na estrada,
Uma ninfa da tela prateada.

Sem bússola, sem mapa, sem conceito ou ligação,
Eis minha única conquista:
O sangue derramado nas pistas,
Sobre a minha visão.

Prendo o fôlego,
Transpiro,
O liberto,
Me inspiro,
Transformo o bocejo em suspiro.

Não sei acabar com minha verborragia,
Finalizar tributos,
Odes,
Elegias.

As reciclo,
As repito,
E estendo ao infinito,
Onde exponho,
A verdade incontrolável do sonho.

Agora,
De outro sofrer me curo,
Penduro em um cabide o futuro
Que separei pra ter aqui.

Consciente de que meus termos,
Anjos de asa única, para quem dou as mãos,
Sempre guardarão,
Meu tempo e um templo,
Para ti,
Com toda a apreciação.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Irresistivelmente: Nº 1 - Digo e fico.

"Não vou começar,
 Não vou começar"

Ainda assim, pego a caneta,
Mais um dilema para administrar:
Outro cumprimento
Que me comprometa.

Temendo o silêncio,
Calo,
Minhas moedas,
Meus valores,
E matérias-primas
Indo do bolso ao ralo.

Meus pavores,
Incendiários e sinceros
O fogo a queimar meus dedos,
Vindo de isqueiros amarelos.

Minhas reciprocidades,
Sempre frustradas,
A pele quente,
As palavras frias,
Desejadas e suportadas.

A voz que me preenche,
E da qual me recordo com encanto,
No entanto, não equivale
Ao verter do visto pranto.

Uma melodia agridoce,
Certo caráter tétrico,
Coisas emanadas da sonoridade
Das quatro cordas do baixo elétrico.

A desobediência aos mandamentos,
Os insistentes arrependimentos.

Quero escapar das relações impostas,
Receber um bom susto,
Abraço dado pelas costas.

Desejo  me livrar do cinismo,
Me forçar a fuga pulando o abismo.

Tudo o que o afeto representa:
Fazer um nome ser mais relevante do que quarenta.

Todos os meus choros contidos,
Todos os passos mal fingidos.

Nas minhas mãos,
As linhas da meritória lembrança,
Em deglutição,
Minha própria ignorância.

E é a partir disso que crio:
Descer garganta abaixo,
O sabor do vazio.

Encontrar as maravilhas do país,
Mesmo sendo o apressado coelho,
Esperar com desértica sede,
Um caminho, um conselho.
Vindo da imagem que ofereço
Através do meu espelho.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Aos cacos

Espelhos:

Refletidos,
Esquecidos,
Quebrados,
Refutados.

Obcecados,
Implorados,
Abnegados,
Resignados.

Confrontando olhares desconexos.
São côncavos, convexos.

Responsabilizados pelos rostos e complexos,
A se auto-revelar,
"Tem certeza do que está me mostrando?"
Ficamos sempre a perguntar.

Questionando sua lealdade,
Fidelidade em desmascarar,
E evidenciar
O outro lado da realidade que podemos encontrar.

Espalho espelhos Bascos,
Por onde passar
Para que se combatam ascos
E as esferas possam girar,
Em salas de espera,
Para o sensacional poderem buscar.

Palcos, Portais e Fortalezas.

Só o sublime me redime,
Do meu exíguo existir.

Já aquilo que me oprime,
Me invade sem eu permitir.

E por isso, detesto,
O pequeno gesto.

É trabalho indigesto
Fazê-lo ser mais que o medíocre,
Em ato modesto.

Por isso, sou ferido algoz,
Da lira do cotidiano,
Pois a mim ele tudo faz de desumano,
Delírio atroz.

E a "sutileza" me é crime oculto sob roto pano,

Meu pano é outro, o do palco,
De alternativo plano,
( Dramático?  Teatral?)

Épico,
Didático,
Performático,
Transcendental,
Exótico, mas anti-colonial.

Então me presto,
A declarar manifestos
De estética gutural
Declamando reclames
Pelo excelso e seus arroubos,
Não tergiverso,
A esse direito não me roubo,

De querer enxurradas,
Bátegas,
Derrames.

Em que vejo todos os fluídos e humores
Irados como enxames,
Com seus esplendores embevecidos explodindo.

Ebulição,
Ou combustão de motores partindo?

Todos os campos,
Ao transe levando.

Os corpos,
Os cantos,
E os espantos se elevando,
Aos estentóreos estertores,
Se unindo

A escarlate

Eu me lembro que estou cercado,
E cerceado,
Com infelizes coincidências por todos os lados.

Coletando dados,
Amargos, secos,
Como os vinhos oferecidos pelo menestrel.

Os algozes,
Gentis com o meu lamentável estado,
E omissos,

Ao me ver engolindo o fel,
Colecionando falsos sorrisos.

Estou cansado,
De me posicionar sempre no local errado,
De não ter como presente um fato amado do teu passado.
Entre minhas mãos cerrado,
Lacrado,
Seguro e inviolado.

Enfadado de palavras com as quais me sinto incomodado,
Esvaziado,
Expurgado.

Distanciado do teu falar,
Cromado,
Brilhante,
Micro tonalizado,
Nunca pra mim pronunciado.

Os lapidados sons do teu precioso pensamento,
Nunca por mim tocado.

Da minha lista de ardores  Não declarados,
Indeclaráveis,
Por culpa de conexões indesejáveis.

Quando não mais banquetear-se com teu Vatel,
Sem poder mais (por causa de teus brônquios)
Acompanhar-lhe o tropel e o compasso,
E se lhe enganar o passo dado em falso?

Quando não mais recorreres ao saber de Platão,
Sem nem razão,
Pra carregar em teu ser os pergaminhos da lição
Que ele te deu.

Serei ombro,
Cabelo, suor e pele,
Onde conseguirá se confortar,
E ocultar,
A vermelhidão dos olhos teus.

Ou esperarei ser,
Antes que o cotidiano,
(E seu poder tão desumano)
Me afaste do prazer de te ver,

A mais carmim imperatriz,
Se lembre de mim quando tiver uma cicatriz.

Eu, veterano, apesar da pouca idade,
Lhe digo em verdade:

Fui,
Sou,
Serei feliz.

Enquanto recordar de um nosso
Vis-a-vis.

Eu em Sirius, Cão Menor

Sabendo
Tudo o que eu quis aprender,
Sendo,
Todo o poder que eu desejei ter.

Ansiando remediar minha dor,
Busco teu brilho,
Teu nome,
Tua luz,
Teu calor.

Contigo,
Solitário não mais estou.

Procuro,
Um módulo lunar,
Espacial,
Que me faça superar o carnal.

Meu medo é que o noturno céu fuja de mim,
E que meu tempo (espaço) chegue ao fim.

Sem mais,
Aqui me despeço
(E disperso)
Até que se possa entender cada verso,
E emfim, do universo,

Cada estrela...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Juntos?

Eu,
Crescendo para além de mim,
Extraindo o meu melhor para, no fim,
Poder te oferecer.

Para me arrepender,
Não tenho nada
A menos que seja saber
Que fazemos o que  nos desagrada.

Vejo esses novos laços que nós engendramos,
Chegue perto,
Perceba:
Somos humanos.

Tento me conter,
Em minha poltrona manter,
Uma certa doença,
Mas você me abraça,
Me cura,
Sem ter essa consciência.

Nos conhecemos,
Podemos estar juntos assim.

Livre,
Livro - me do medo de perder,
E ver entre os dedos derreter
O desenho teu
Que os meus pensamentos fizeram existir,
Até aqui você vir:

Nota as palavras a conceber meu rosto?
A sentir desgosto com o seu partir?

São coisas tão difíceis de ver,
Mas nada entre erros e culpas
As fará sumir...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Dubiedades

Eis o meu projeto,
Para  ressuscitar
Em cada hipotética punição:
Pegadas evidentes,
A pele, 
A brasa,
O carvão
Crítica estigmatização,
Flagelo de purificação,
Minhas novas últimas palavras
(Parafraseando Leary): "Por que não ?"

Lindo sonho delirante
Auto-flagelação,
Ferimentos sem pressa,
Matar esperanças,
Despedaçar promessas,
Juras..

Pensamento nocivo,
Pigarro agressivo,
E  conhecendo suas curas,
Prefiro permanecer adoecido.

Cerceamento de sinceridades,
Eu, me impondo penalidades.

Meus momentos,
Ferimentos,
Resignados castigos

sexta-feira, 22 de julho de 2011

"Alea Jacta Est !"

Lembranças,
Tuas, diretas cruas,
Honestas,
Dos fios de cabelo até  cada osso.

Na falta de algo assim,
Submerjo em ti,
Deixando exposto apenas o pescoço.

Você me quer sendo claro,
( Isso pode me custar caro)
Mas não consigo mais acumular
Todos os sentidos que mascaro
Todas as musas, eu declaro,
No intuito de te simular.

Pode ser esse um ato impensado,
Pelo qual, quase certo,
Me arrependerei.

Mas saiba,
Também tenho corte aberto,
Carregando abraços que não te dei,

E sem os receber,
Só podendo temer reação indesejada,
Me pergunto se mereço saber de sua vida,
E de uma viva lágrima vertida,
De seus olhos,
( De irrelevante cor)
Derramada.

Percebe como é oca,
Minha medíocre realidade:
Consigo amor que todos necessitam,
Mesmo assim prefiro a tua crueldade.

Se estou errado?
Se passo por um momento de demência?
Ignorarei o que for diagonsticado,
Até ter o afeto teu compartilhado,
E a coragem das tuas desistências...

Se dessa forma,
Tentando criar inexistentes pausas,
E desejando lutar em idênticas causas,
A ùnica palavra que você terá a me dizer for "fim",
Me restará aceitar tua norma:
"Pior melhor assim".

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Para quem o acaso me trouxe...

Eu sei que espero,
E sendo bem sincero,
Sempre esperei.

Por palavras de esmero,
Afeto sincero,
Pelo que sou,
Quis ser,
E o que sei.

Ter o direito de escolher quem chamo
Pra dentro do meu mundo,
Notivagar pelos pensamentos
Adoráveis, vagabundos,
Torná-los sujeitos e objetos
De algo que possa ser profundo.

E se num ato falho,
Gargalho,
Querendo falar sério,
Me fecho,
Deixando a porta aberta,
Finjo,
Com toda minha franqueza,
É pelo fato de lembrar que:

"Por trás de cada simplicidade tem um mistério.
E atrás do mistério, a descoberta.
E atrás da descoberta, a surpresa".

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Reciprocidades

- Isso não tem futuro
- Infelizmente, tem.

O destino vai,
Escapa e sai,
O passado vem.

Meu coração tão duro,
Por já não ter ninguém,
Procura sem ver,
Mesmo sem saber
Encontrar a quem,

Escolho
E peço,
Arbitro, confesso.

Eis o que posso lhe falar
Durante o teu silenciar:
O ar, você respirando
A me carbonizar
E eu, em ti  sufoco,
Para me libertar.
  

- Isso não tem futuro
- Infelizmente, tem

Se caso quiser 
E se for mulher
De saber teu bem.

Me calo inseguro,
Sendo o mal menor,
Quando você, no escuro,
Não alcança o melhor.

O que eu espero encontrar
E que não pode demorar,
Será a tua boca
A me pronunciar?

Então terei certeza
De qual é o meu lugar.

Fico,
A declamar.


sábado, 16 de julho de 2011

A seguir...

Da janela da frente,
Observo as coisas e seus sentidos secretos,
Idéias, pensamentos, reticências
Essências, reminiscências, afetos,
Teorias sem autor
Que chame alguns de "abjetos",

Nem propagador de absoluta verdade,
Vejo pés descalços, liberdade,

Naqueles em quem sei que devo confiar,
Então flutuo,
Permaneço a gravitar.
Como explorador voando,
Com um trajeto:
Fabular.

Construindo geografia e grafia particular,
Crio minha ciência e meu modo de estar,

Com minha própria lógica,
"Antropozoomorfológica",

Se fazendo registrar.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Pioneira

Fato: alguém vem de uma ilha,
Ela,
Do Lírio e da Lótus,
Tratada por eles como filha.

Sua origem foge da minha compreensão,
Vinte dias,
Mínimas palavras,
Nenhuma ação.

Caminhamos juntos uma vez,
Ela, cordial me leva até conhecidos corredores,
Meus passos me conduzem até antigas dores.

Uma tela em branco,
Uma tábula rasa,
Um primeiro encontro,
Um silêncio franco,

O tempo, nesse instante tão parado,
Ao retornar, até se atrasa.

A quieta inquietude dela,
Que me espanta,
Capaz de dizer tudo
Com quase nada.

Inocência escondida,
Volúpia escancarada
Ou é o inverso que a define
E me encanta,
Nessa jornada ?

Outro fato:
Sempre há uma fila,
Onde a inveja sibila,

E se propaga o ferino rancor,
Agressividade,

Onde a verdade
É  crime para quem se ama mal,
E se abomina  a disciplina,

Da minha marcante deusa,
Vinda (conta-se),
Do marco oriental.

Suspiros meus foram esquecidos nos cantos do cinema,
A perdi,
Razão para ter pedido
Para as ninfas reavivarem em mim,
Esse empoeirado tema.

Que se hoje arde,
É por ter sido covarde,
Deixando acabar assim.

Espero recebê-la,
Descendo de um navio mandarim,
Imagino tê-la,
Solitariamente bela,
Pra confessar somente a ela:
"Nunca vai se apagar dos meus olhos a tua estrela,
Já que nunca haverá fim".

terça-feira, 12 de julho de 2011

Libertino, como posso

Já não sei camuflar,
Manter isso escondido,
Fingir-me ensurdecer
Com tamanho, intenso estampido.

Sempre que tudo parece aborrecido
Me salta aos olhos
O anjo profano da libido.

Não sou da "Família do amor"
Mas carrego imenso calor,
De que não consigo me desprender,

Ou fervo
Ou vou perecer...

Não diferencio sabor de suplício,
Mas reconheço quando existe vício.

Me pergunto se já quis orgia,
Se imaginei bacanal como terapia.

O que me mata e me maltrata
Me vigia,
Escondendo a verdadeira fantasia.

Tudo parece tão insípido,
Tedioso, pura lamúria,
Me fazendo querer tudo explícito,
No lascivo mundo da luxúria.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Bandeira 2" (Ou "sobre o pudor")

Falei recentemente,
Do que me veio até a mente.

De surgir desejo,
De íntimo lampejo,
De aproveitar ensejo.

Mas prazer é ardor,
De dor e esplendor.

(Pelo menos um pouco,
Excluindo-se o amor,
Se o incluir,
É louco e imenso o poder,
Tanto redentor
Quanto destruidor)

E pejo, agora vejo,
Em suas quatro letras
É sinônimo de pudor.

Que pode ser,
Dependendo do que nos dá a escolha:
Escolho, dificuldade, impedimento,
Ou mais um elemento
Do qual se colha,
Fruto suculento.

Que nós comemos,
Nesse instante,
Nesse momento,
Neste comenos.

Buscamos nos enlevar,
Embevecer,
Extasiar.

Chegar ao limite dionisíaco e voltar.

O cúmulo,
O ápice orgástico
É o que queremos.

O clímax,
O auge,
O extremo,
Nada mais,
Nada menos.

sábado, 9 de julho de 2011

Feriado Ferido

Fui segado,
Pela escuridão ceifado,
Sigo, peito ferido,
Ouvido esquecido
Adormecido, ignorado,
Olvidado.

A amnésia que houve,
E que agora escuto
Decepando meu Eu,
Pelo breu absoluto,

Me absorve e suga,
Culpa quando julga,
Condena quando sentencia.

Absolve, sim, a covardia,
A demagogia, a hipocrisia,
A incoerência premia
No casuísmo vicia
E o cinismo procria.

O sino badala,
O destino me cala, me cinge
Não decifro e me devora
Como a Esfinge.

A sina,
Me encurrala e exala
O odor do mar que singro,
Na dor do mar que finjo,
Atravessar sem enjoo,
E acreditar que voo,
Usando sonar,
Igual a um morcego,

Mas o que soa
Em mim desafina,
Atordoa, desatina,
E a nada chego.

Sem além,
Vampirizo meu sossego,
Me entrego,
Estou pego,
No desencontro, nado,
Me afogo, renego,
No que me apoio,
Em quem me apego?

Só vejo uma escola vazia.
Um muro,  que adentra o meu quintal,
Avança, dia após dia.

Olho planta que não germina,
O ciclo que não se inicia,
Eis o que me faz sentir tão mal,
O que me angustia.

Nada de luz,
Tudo de cru, de cruz,
Nada de som,
Nada de bom.
Nenhuma memória servindo como guia.

Desprovido de glória,
Nessa letargia,
E muito menos de sua presença,

Ou qualquer recompensa,
Algo que possa me substanciar,
Como sua existência,
Maciça e macia
A me obcecar.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Quinta Parede

Você,
De novo, mistério

Eu,
De teus vestígios
Voyeur
Só conseguindo dizer,
Algum impropério.

Você,
Dando um passo atrás,
Apagando sua marca.

Eu,
Por você
Fugindo e chegando
Encontrando a mim,

Poeta pedante
Porém incauto,
Sem tocar o que olha do alto,
Como monarca
Em sua torre de marfim,

Passando enfadonhas tardes alargadas,
Te estudando,
Caçando  suas pegadas
Que você cobre com areia.

Será que você receia,
O Meu acesso abrupto
De sua mente
Em várias camadas?

Caí em tua armadilha,
(Outra sua maravilha)
Eu,
O fracassado da matilha,
Ouço seus uivos, andarilha.

Loba da noite que escolto,
(Mesmo sabendo que não sou eu quem você chama).

Querendo partir,
Volto,
Falsamente tranquilo,
Me revolto,

Por não poder Pôr
O pé na lama,
Adotada por ti,
Uma sucursal de sua cama.

Confesso,
Tuas (des)crenças professo,
Mesmo para discordar.

E nesse processo,
Abraço meu retrocesso,
Já que só em ti posso ver o avançar.

Assumindo como  justa a ocultação,
Tornando honesto aquilo que me engana,

Desejo tua alma ajudar a limpar,
Até talvez encontrar,
No lodo de sua digressão insana,
Uma etérea,  rara e original peça
Da mais nobre e mais tua
Porcelana.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Não Adianta...

Não consigo mais,
Tenho medo de perder o medo.
Com frio na barriga,
Te recebo.

O que faço?

Não posso mais te ignorar
Buscando teu aconchego
Até seu silêncio é o melhor
Do que hoje posso encontrar, escutar.
Como eu sonhava em te dar,
Na tempestade,
 Meu melhor abrigo,

Perguntas de amigo:
Entende agora o que eu digo?
Simplicidade que pode desgastar?

O "Eu te Amo" repetido,
Até nada significar.

Não há aditivo qualquer,
Que me faça escapar
Daquilo que devo passar,

O que me resta viver
Está na lágrima,
Lástima,
Mágoa
Pra me afogar.

Você em seu canto,
Esperando suas contas
Poder encerrar.

Sei que não devo ( e nem quero) invadi-la
Acredito no tempo,
E na tua permissão, o momento
De conseguir
Te entender
Encontrar,
Deparar,
Minhas sensações depurar.

Teu peito disparar,
Desvendando teu novo poder.
E finalmente,
Celebrar

O teu raro estado de viver,
Conseguindo em meus ombros se apoiar.
Eu, ansiando te seguir,
"Preciso sair deste lado,
Preciso mudar de lugar".


E, você,
Me deixa te acompanhar?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sobre o frio II (12/07/2008)- Negativo

A orquestra parou,
É noite e faz frio,
Prometeram orgasmo,
Venderam vazio.

Vangloriam  o tolo,
"É LIVRE!"
(Na multidão esse grito pipoca),
Só esqueceram de dizer,
Que só o  "encarcerado" comemora
O tolo, não sabe o motivo,
Mas deseja ir embora.

A "liberdade" que lhe dão o sufoca,
E ao mesmo tempo, tão ilusória,
Não o toca.

Sol?
Pra quê, se ele não ilumina?

Caminhar
Adianta quase em nada,
Se só for possível
Ir até a encruzilhada.

Quebrar as pedras,
Rotina normal
De quem tem os calos nas mãos
Como maior sinal,
Destino final e fatal.

Qual o tamanho da estrada
Depois que se tem as pernas quebradas?

"Na queda, não se passa do chão",
Obrigado, mas já tenho
Meu ódio de consolação.

Olhar para o alto,
Subir o monte,
E ter a mesma parede
De horizonte.

Os "Gênios" nisso nunca pensaram,
Nem pensarão.

Mas agora,
Isso não merece minha atenção
Ou minha dor
A luz é forte,
Basta encontrar e ligar
O interruptor.

Sobre o frio I (30/04/2008)-Positivo

Arrepios...

Me lembro dos meus antigos totens.

Envelheço,
Mais devagar que o aconselhável,
Mais rápido que o suportável.

Recordo meus desgastados
( E desastrados)
 Planos de eternização.

Guardo minhas pegadas no bolso,
Esperando pisar em melhor chão,
Que seja macio.

Ainda acredito nisso? Sim. Tenho quem me faça crer que me perdi no tempo, em um lugar deserto de horizonte áspero.

No entanto,
Me perdi...
O que significa que não nasci aqui.
Ainda posso o caminho mudar.
E encontrar um lugar onde
Minhas chances possa apostar,

No que se quer dizer e no que se é
O espaço caindo e se pondo de pé.

Eis o que fez meu viver:
Me provou que é importante saber
Quanto tempo os pulmões aguentam sem ar,
Pra perceber.
Que a fumaça negra nunca é tão densa
A ponto de ocultar

A nobreza do momento em que se pensa,
Sentado num canto, com privacidade,
Ou povoando de encanto
O coletivo canto
Que compensa
O gelado estado
Da cidade.

domingo, 3 de julho de 2011

Mais do Mar

No porto das fragrâncias
Acabei ancorando.

A princesa dos corsários me recebe,
Um olho piscando.

Mar circundando:

Era um retorno,
Feito em torno
De suspiros imemoriais.

Ela sorri
E me mostra o cais.

O que dizer,
Ensaiado por oito anos,
Não sei mais.

Ela apenas desenha na areia,
Pra que eu não permaneça aflito,
Dependendo do olhar,
O oito pode ser infinito.

Horizonte,
Firmamento,
Onde tudo não passa de um momento
Ideograma no alfabeto do tempo.

Que se aprende,
E apreende,
Parcimoniosamente,
Nunca totalmente,

Em cada regresso,
Cada delírio confesso,
Cada atalho que se toma,
Cada flor,
Cada cor,
Cada aroma

Oloroso sintoma
Do fim da dor,
Do odioso coma.

Que eu encerro,
Finalizo,
Quando seus cabelos acaricio,
Aliso.

sábado, 2 de julho de 2011

Caymmi?

Nós,
Milhas náuticas,
Oceanos de distância
Conscientizando adorações,
Dores, aproximações
Desnudando discrepâncias.

Nós,
Marinheiros mareados de concreto,
O baque surdo,
Golpe baixo,
Abjeto
De nada concretizar,
Eterno ser incompleto.

Nós,
Laços,
Enfeites secretos
E outros efeitos, discretos
Repletos de abraços não dados.

O choro,
O pranto rolado,
O (de)leite, sobre o peito derramado,
Decorado, sabido de cor,
No coração guardado.

Em mim, mais que o ciúme represado,
Vence o respeito,
Nada afoito, afeito e desapegado
Amor é direito de ser buscado.

É torto,
Se finge de morto,
Se for intrometido,
Só introjetado,
Missão invasiva,
Torturando o que nem foi tentado...

Preciso de mais paciência,
Quem sabe até da decência,
De saber libertar,
Se aprende,
(E é algo do qual, eu sei, não se arrepende):
Sendo erro aprisionar,
A quem realmente
É do seu gostar.

Deixa estar,
Se há de fato,
Um feliz olhar
Em quem decide ir
Quem quer bem percebe
E ao natural, concebe
Um acenar e sorrir.

Eu deixo ir.
Deixando com quem parte,
As pegadas e a arte
De quem quer voltar,
Se voltar preferir.

O carinho é circular
Como caminho feito
No navio a zarpar,
No horizonte a seguir.

Mas não é sobre-humano
Como o oceano,
Pode ocultar,
Sem fazer sumir.

Achará seu lugar,
O acalanto, o conforto,

Assim como todo velejador,
Tem o seu porto.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Intromissão

Eu realmente queria entender
O que te impede de perceber
E de enxergar
A si mesma como eu sei te ver.

É  um erro me intrometer,
Nada consigo intermediar,
Mas uma falha tinha que cometer
Para que me permita reformular.

Eu realmente queria entender
Quais das saudades te fazem criar,
E a razão de alguma delas receber
Me fazer chorar
Sem lágrimas verter.

Eu realmente queria entender
O fato de ter que me  aproximar
Quando me compadeço do seu sofrer
Sem celebrar
Sua suave visão a brilhar de prazer.

Eu realmente queria entender
Você se pondo em baixo patamar
Como os que não tem nada a perder
E não me dizes se podes ganhar,
Com o que quer aprender.

Será que sabes qual é o teu poder?
O que ainda mereces muito conquistar?

Eu realmente queria entender
Se sou eu que te mistifico
Ou é você que posta-se a desprezar,
Desconfiar do teu próprio saber.

Eu realmente queria entender,
O que me faz de longe assim, questionar
Falando de outro corpo, outro lugar
De algo teu, tão particular.

Eu realmente queria entender,
Como, pra ti, não consigo calar?
Podendo, querendo ou sem querer,
Meio planeta desconsiderar.

Eu realmente queria entender,
A minha insistência em te apoiar
Correndo o risco agridoce de ter
Só teu silêncio a me acompanhar.

Eu realmente queria entender
Minha necessidade em registrar
Que cada palavra em que me deixas crer
É como um golpe a me desfolegar.

Eu realmente queria entender
O que ainda me faz mergulhar
No mistério de te compreender
Mesmo com o tempo a nos esmagar.

Eu realmente queria entender
O que nós temos pra compartilhar
E se pudemos nos conhecer
Então, o que explica
O Destino,ao nos afastar?

Eu realmente queria entender
Os meus dedos ardendo de em ti pensar
Meus medos ascendentes de te nomear

Eu realmente queria entender
A causa de certos verbos me fazerem fraquejar

Eu realmente queria entender
Onde termina  o bem querer
E começa o amar.