sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Vazio (ou: escrita automática)

Meus dedos tremem,
Tenho pouco pra dizer,
De fato, quase nada.

O que devo temer:
Acumular e não ser,
No desprazer de uma noite perdida,
Desperdiçada.

Sentir o peito doer,
E não ter nada por fazer,
Além de notar as palavras ressentidas,
De qualquer consciência despossuídas.

Toda a antiga verve, abandonada.
Alma ressequida,
Calcinada.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

118 Saudades

"Tenha um bom voo!"
Exclamação benfazeja que ecôo,
Canto de longínquos campos, que entôo,

Com toda a minha  temporal defasagem,
(Mais de oito horas pesando a mais em sua bagagem)
Para minhas precoces saudades matar,
(E para que elas não façam isso comigo, no que me arrisco),
Até mais de um ano no calendário devo voltar, retroagir,

(Aos risos, me belisco,
Para ter a segurança,
Do fato e do efeito,
De você existir...)

Ver tua presença no brilho do chão de Los Angeles, 
E na ilustre liberdade de São Francisco.

O que me alcança,
É que és, como nunca fui,
Dona de alma-criança,
Que evolui, mas jamais evapora,

Uma das coisas que sempre invejei em alguém,
Contigo vem,
Sua figura incorpora:
A coragem de assumir,
Sem pensar se tua firmeza se invalida,
Que mesmo a vida sendo dura,
Durante as despedidas,
Admite: chora.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Código secreto: Artigo 117

"E depois?"
É a pergunta que sempre reitero,
Sendo por ela, sempre, que me desespero

Sei que não deveria pensar tanto no futuro,
Mas meu presente é fosco,
Meu passado, duro.

Não há opioide melhor
Do que o que alucina dividindo por dois.
Mas solitário, indo ao solo,
Afogado em suor,

Só posso me repetir:
"E depois?"

Inalo o perfume das flores pra diminuir a dor da saudade,
Converso, confio em verso,
Escrita e oralidade,

Se me pergunto "E depois?"
É por haver bom motivo:
Conheço o sabor do arroz,
E garanto que ele não basta pra fazer alguém ser vivo.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Insônia sem Culpa

Nunca sozinho
Estive tão livre,
Sem ter como sempre tive,
Alguém de quem me esquive.

Onde o livro é livramento,
Todo encontro, merecimento.
Escolha pra folhear,
Encolhimento pra desfolhar.

Apago a luz,
Largo a cruz,
Uma lis,
Deliciar.

No escuro,
Me faço maduro,
No breu,
Há um "eu" a se afirmar,
Se firmar,
Contigo,
Confirmar.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Entre ser Zero e dizer Cento e quinze.

Cansei de ser,
A cobra que engole a própria cauda pra sobreviver
Devo me desculpar
Por viver incapaz de  sozinho me bastar?

Ou de suportar
A construção de abismos,
Derrubando castelos?

Lamento,
Prefiro ter a escolha como parte dos meus elos...

Espero ser bom pra quem vejo
Viver egolatria cataléptica,
Mas eu ainda creio na dialética.

Um abraço,
Vou apressar o passo,
E o diálogo,
Mandou um beijo.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Luz Hábil

Eis a prova cabal,
Pra desmentir o lugar comum,
De verbos vãos.
Que dizem que falta de memória traz felicidade como recompensa,

Ela prefere saber quem é,
Agradecer por não ser normal,
Viver em um dia,
O entusiasmo de trinta e um,
E ter nas mãos,
Toda a genealogia do que pensa.

Lembrar-se de uma ofensa pode ser ruim,
Mas esquecê-la a contragosto lhe causa mais dor.

Possui a consciência
De que as reminiscências possuem bem mais que um único fim.
Guarda com honra e respeito, um favor a cumprir,
Um afeto a repartir,
Pela vida,
Amor, enfim

Disse-me uma coisa que até hoje intriga:
"Tens ansiedade atual,
Melancolia antiga"
Sinceridade:
Habilidade desenvolvida...
Como eu queria tê-la conhecido,
Em um tempo já perdido,
Para poder chamá-la
De verdadeira amiga.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Elo de quereres...

Unindo poderes,
Conectando prazeres,
Por isso comecei,
Sei,
Te assustei com meus dizeres,
Mas, se vir,
Me veres,
Terás todo o direito de gritar que errei,
Mas grite,
Conquiste com tua voz a amplidão,
Mereço uma resposta de que me gosta?
Claro que não...

Mas se não me queres,
Outras querem ver em mim,
O cantador, trovador de amor sem fim,
Personificando o que lhes falta,
Transcendo, atinjo verdade alta,

Reconheço que apelo,
Meu verbo te deixa aflita,
Mas se não for pra propagar um elo,
Nenhuma palavra merece ser dita...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Flor, ação progressiva

Pensadora,
Conhecedora
De abrangente expressão, natural...
Espera do mundo uma nova moral,
Ética cidade, etnicidade,
"Sendo diferente,
 Toda a gente merece respeito igual"

Em quase tudo capaz,
Intuitiva,
Perspicaz.

Seu eu interior
Desfaz todos os nós,
Precisa meditar,
Ficar a sós,
Apreciadora do silêncio,
Por isso sabe muito pra que serve sua dicção,

Convive apesar disso, em verdade,
Com variações flutuantes de personalidade.

Se existe um problema,
Ponto fraco que desanima é saber que apesar dos seus predicados,
Em episódios nublados,
Se subestima.

Se contamina ao crer ser geral,
A bondade, a lealdade, a honestidade
Total.
 Tamanha fé lhe faz mal,
"Um conselho: nem todo humano é legal".

Cuidado:
Teu espírito pode ser usado,
Objetificado,
Pode ser feito,
De âmago suspeito,
Empregado.

Mas sei que sobrevives a tal
Força parasitária, nascida da apatia,
Contra tudo isso tens o antídoto final:
Tua valentia.

Pode encontrar um lugar,
Para se felicitar,
E poder finalmente,
Manter permanente,
Seu criativo germinar,

Em cada um dos afagos que sente,
Se vê, de repente,
Entre os lagos,
Rios
E o mar.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Me unir a ti...

Conjunção,
Felicidade do acaso
Simplesmente encontrou
Minha libertinagem falsária
Que chamou tua atenção,

E disse para mim
(ao mesmo tempo que pro mundo):
"Ou fervo ou vou perecer... Profundo."
Alegre diplomacia,
Algo que, dizem os números,
A quem é digno de seus afetos inúmeros,
Se premia.

Suponho, doravante
(mesmo me arriscando na superficialidade)
Tê-la como alguém com o outro tolerante,
E amante da verdade.

O que é tido por muitos como digno de cuidado,
Para ela  pode ser apenas um fato dado,
Respeitado em sua ausência inelutável de saída,

O ciúme (talvez)
A censura (preterida?)
A exagerada preocupação (possível aparecer, de quando em vez...)
A preguiça (Ela diz: "um modo de vida")

Saiba que me é estimada,
Apreciada,
Querida, mesmo distanciada.

Compassiva ao alheio sofrimento,
Vejo que se nossa amizade é uma construção,
Deixo a mostra meus tijolos, sentimentos.
E igual a você, em letras os solidifico,
 Levantando pavimentos.

Sábia Praticidade

Para suas metas:
Heroísmo,
Experimentada detentora do perfeccionismo,

Sem apego por convenções,
Desprezando tradições

Se lança,
Se protege,
Se observa,
Se guarda
Vanguarda:
Futurismo.

Se existe algo em que lhe atrapalhar não ouso,
É duvidar de sua tensão,
E depois, negar-lhe o repouso.

Não raro, nem ela mesma se entende,
Flertando com a intolerância,
Impaciência patente.

Mas isso se explica:
Há o bem,
O desigual, também
E nela tudo se duplica.

Vê longe,
No dia-a-dia,
Enxerga  o que sem ela não viria,
Ninguém alcançaria,
Em campo de olhar distante,
O respeito marcante,
Que ela divide,
Entre o diferente e o semelhante.

Da harmonia e poesia nascem,
As coisas que mais amor lhe trazem,
Em sua objetiva sabedoria,
Sensível capacidade.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Idealismo Curativo

Apesar de ser todo seu o devaneio,
Sabe que sozinho não conseguirá esteio.

Quer agregar
Pra isso ignora esforços,
Combate o receio.

Lamenta ter que encerrar tudo,
Sem dar início a um meio,
Ao que é igual segue mudo,
Dos "tempos mortos" está cheio.

Por viver isso, lhe veio,
Desejo descontrolado,
De segir solto, sem freios,
Buscando algum aliado,
Surgido com outros sentidos,
Diversos significados,

De distante (?) terra nascido,
Que o faça ficar encantado,
Conquistado,
Em estado de consciência,
Alterado.
Que o possa fazer motivado,

Sendo, entre outras coisas, razão para um novo verso,
Amigo dadivoso para o idealista,
Que é tão ambicioso quanto disperso.

Desconfia, ao se afirmar,
Que tem, digna de nota , uma história:
Muito pouco começou,
Quem terminar, receba a glória.

Herdeiro e réu confesso,
Da arte e do pensamento expresso,
Filho dos extremos,
Pode depreciar-se,
Como diz quem quer o seu sucesso,
"Assim, sem mais nem menos".

Entre a impressão e a depressão,
Exalta o êxtase,
A apoteose, a explosão,
E minora o ameno.

Amoroso,
Prefere ser irmão de alma do que carnal amante,
Leva a compreensão e a harmonia adiante.

Seu corpo é marcado de cortes,
Lhe juram que ele tem sorte,
Matéria diurna fixada,
Mente noturna caminhante.


domingo, 4 de dezembro de 2011

Renascendo, Pura...

Sensibilidade madura,
Rara imaginação,
Brandura.

Sabe que a felicidade,
Da mesma forma como a paz,
Se faz,
Perpassada pela irmandade.

Permite que a contingência
Temporariamente mude seu plano,
Mente vasta, alma imensa e pacífica,
Tua estrada é o  oceano.

Guarda tuas convicções
Pra quem mais lhe interessa,
Evita discussões,
Sem boas razões,
Não se estressa.

Apesar de tantas certezas,
Pode vacilar em receios,
Sempre a se equilibrar
Entre os fins e os meios.

Tem sim,
Por si,
Muito orgulho,
Mas consegue nadar
Sem se afogar,
No mar do ego,
Depois de um mergulho.

Mutável,
Tendo disso consciência,
Traz consigo pessoas,
Lugares,
Experiências,
Sempre novas,
Supernovas,
Iluminando sua existência.

Espaços onde sua nobreza, lirismo, pureza,
Terminam por fixar residência.

Esses versos,
Dispersos,
Transversos,

Quase desconexos,
Esperam do seu afeto
E ideias variantes,
Uma conivência,
Excitação alegre,
Marcante,
Determinante.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Ursa...Melhor!

Cheia de vida,
Encantada
Como eu sempre soube.

Tanto afeto,
Delicado, concreto,
Somente em mim não coube.


Compreende, une, ordena, disciplina,
Não importa o tempo que passe,
Permanecerá menina.

Honestidade, confiança, bondade,
Tudo nela, antes e depois, se aglutinaria.
Sendo preciso pouco pra ter, em profundidade,
Por cada abraço dado, reconquista de uma harmonia.

Inimiga feroz de toda forma de apatia,
Agradável,
Amável,
Afável,
Até cair,lutar:
Direito inalienável.

Cumpridora do dever,
Sempre responsável:
"Um novo jeito de fazer,
É sempre desejável".

Criativa, mesmo quando banal:
Um dom invejável.

Doma tua eloquência com decência,
Verve artística histórica,
Incapaz de ter tempo perdido,
Com vazia retórica.

Ao ver isso, ela responde com um certeiro "lamento"
Suas costas se vira,
Do jogo se retira,
A cena cínica lhe causa ira.


Mesmo sabendo o que isso pode custar ao reconhecimento,
Se não merecer por si,
Prefere o isolamento.

É caloroso constatar que somos quase irmãos,
Eu levo meu olhar,
Ela,
As cores do mundo nas mãos.

Graciosa Inspiração

Íntegra,
Pensamento afortunado,
Independente, ponderado,
Iniciando ato aperfeiçoado.

Arredia,
Conquistada pela filosofia,
Mística,
Única,
Fora de qualquer estatística,
Teu espaço é o limiar de cada dia.

Companhia dedicada,
Pelo automatismo sufocada,
Margeia nervosismo e depressão,
Para livrar-se disso,
Assumo o compromisso,
Oferecendo-lhe atrativa abstração.

Não se presta ao jogo de azar,
Menos ainda a se acomodar,
Cada laço que se rompe,
Da sua parte,
É de mais intricado reatar

Conhecer, aceitar, avaliar, apreciar
Verbos norteadores do seu amar.

Eu, nunca tão livre estando preso,
Até com seu desprezo,
Consigo me cativar.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Amável Realeza


Magnética,
Magna ética,
Esotérica,
Didática,
Estética.

Amante compreensiva,
(quando quer, possessiva)
Olhe com cuidado:
Nenhuma contradição aqui deriva do cinismo,
Sendo apenas arriscado,
Obrigar ao equilíbrio esse dinamismo.

Havendo ciúme,
Recomendo que o contrapeso se aprume,
Dando destino certo ao passado,
Particípio,
Pois ela será de aracnídeo ferrão,
Defendendo seu justo princípio.

Cada osso do seu corpo,
Carrega, enérgico,
Uma destreza:

Fazer do próprio dínamo, que possui no coração,
Cor e ação,
Para unir tudo que existir,
Entre o planeta e a beleza.

Versatilidade Estelar


Era óbvio que ela me divertia,
Alegre ousadia.

Imaginação fecunda,
Feraz,
Liberdade profunda,
Vivaz.

Seus ouvidos captam sutis compassos,
Compassivos.

Tudo podem,
Ao Imperativo da ordem,
Tem, porém,
Colecionado desdéns corrosivos.

Quer saber,
Sabe querer
Em obstinada conquista,
Discerne informação de conhecimento,
Usufrui vida imprevista.

Por nascer da consistência,
Não suporta auto indulgência,
O que lhe causa insônia
Ou reação de repelente violência,

É nessa impulsividade e impaciência,
Que arrisca-se ao desatino.
Muito mais do que posso ser,
Teu caráter segue,
Libertário e libertino.

Dizem ser de muitos começos e poucos fins,
Não parece pra mim, agir assim:

Teu verbo versátil conversa,
Meu verso converte
E mutável, dispersa,
Espalha, em pessoalidade de ação diversa,

Tua ação de expressão manifesta
Constrói versão,
Diversão,
Fertiliza,
Frutifica,
(Apro)Funda a festa.

Ensina, emfim:
"Só  pude ver e vencer,
Depois que vim".