"E depois?"
É a pergunta que sempre reitero,
Sendo por ela, sempre, que me desespero
Sei que não deveria pensar tanto no futuro,
Mas meu presente é fosco,
Meu passado, duro.
Não há opioide melhor
Do que o que alucina dividindo por dois.
Mas solitário, indo ao solo,
Afogado em suor,
Só posso me repetir:
"E depois?"
Inalo o perfume das flores pra diminuir a dor da saudade,
Converso, confio em verso,
Escrita e oralidade,
Se me pergunto "E depois?"
É por haver bom motivo:
Conheço o sabor do arroz,
E garanto que ele não basta pra fazer alguém ser vivo.

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