terça-feira, 29 de novembro de 2011

Confidência para Astréia ( ou: Agradecimento)

Quando julgava ser o último dia,
O fim da minha poesia,
Encontro a companheira de Narciso,
Que em um comentário conciso
Me elogia.

Abro um sorriso,
Pois, em momento preciso
Teu verbo me auxilia:
( a consagração, por quem admiro,convertida em elegia)
Estava tão indeciso em saber se continuaria,
Já que acabava de saber que ao lutar pelo que vale a pena,
Penaria.

A história longa,
De uma vez é impossível contar,
Mas podes ler o meu passado,
E cada passo desastrado que dei
Me orgulharei em te explicar

Apenas deixe uma marca, um sinal, uma mensagem,
Te abrirei a porta de 102 secretas passagens,
Eliminarei os fardos de minhas bagagens
Pedindo pra tua justiça, mandar até as estrelas
E punir, sem retorno em eterna viagem
Toda ingratidão que puder encontrar.

domingo, 27 de novembro de 2011

Recorrências me prendem.

Chuva,
Fome,
Solidão.

As gotas d'água atravessam o telhado.
Há um novo alvo, objeto de suas amáveis provocações,
Disputas entre afeições
Eu, pra variar, ensimesmado.

Chuva de imposturas para coletar,
Fome de razões para continuar
Solidão: a única companhia capaz de voltar.

O que a janela da alma descortina?
Por trás de cada olhar o que se abala?
Recorrentemente chamo tua íris, menina.
E calo-me ao rever a mandala.

Não é intencional, eu sei,
Quando o sentido que constróis me deixa dolorido.
Mas prefiro me entristecer,
Do que tecer a farsa
De fingir que nada foi acontecido.




terça-feira, 22 de novembro de 2011

Fôlego Curto

Quero que teu quadro me cubra,
Pra que eu trace caminhos nas veias de tua face rubra,

Se te conheço um pouco, isso se refuta.
Mas de agora em diante,
Peço que pense na pedra brilhante:
Tenaz,dura,
Sem ser bruta.

domingo, 20 de novembro de 2011

Centésimo profundo.

Parece que alguém na Rússia
Junto com outro na Alemanha,
(Talvez da antiga Prússia)
Vez por outra me acompanha,
Quer me ler
O que equivale dizer que me escuta.

É impossível não me perguntar,
Se desmereço tua companhia, tão astuta.

Quem sabe eu não devesse me depreciar,
Porém, é lógico: por algum entrave devo me indagar,
Se por tudo em comum que temos
Ainda assim inexiste permuta.

Será arrogância da minha parte acreditar,
Que alguma coisa do que escrevo algo de bom lhe suscita?
E se não for bom, quiçá seja catártico,
Parece improvável que seu peito permaneça estático,
Posso ser, pra você, por demais cáustico,
Mas não aceito crer, que sejas gélida como o ártico.

Reflita,
Se permita,
És aflita?
Emudecida?
Com isso não se cansa?
Permuta: negociação,
Mas também mudança.

Diamante: belo brilhante,
E a pedra mais dura que existe,
Só quero que você escolha:
Se sou digno do sorriso
Ou do dedo em riste.

Creia: tudo o que eu quero é não te ver triste,
Mas nada é piada,
Aqui não cabe o chiste.

Mente e olhar sem corpo,
Sustentam pouco a calma,
Assemelho-me a um louco,
No entanto, ainda tenho alma.

Se grito e fico rouco
Com a efemeridade,
É pelo fato do afeto concreto
E o  refugo abjeto,

Negarem possuir proporcionalidade:
Muitas horas de prazer que sei que acabam
São incapazes de mudar minha realidade,
Mas um centésimo de segundo
Em que cai o meu mundo,
Constitui interminável eternidade.
No que há de mais profundo.


sábado, 19 de novembro de 2011

Renovado e sem respostas

Quis acreditar que tinha te esquecido,
Mas me vens como filme, como sonho,
E tudo volta a ter no que componho,
O dolorido, doido, delicioso e delicado sentido.

Meu nexo, meu senso quer pra sempre ter te perdido,
Mas meu íntimo, complexo, sempre alude a ti,
Se negando a ser reprimido.

Por isso, volto aqui,
Flutuando, sem levantar depois que caí.

Na mais absoluta contradição,
Em que a ilusão,
Me retrata como alguém com o controle remoto na mão.
Capaz de voltar pra cena
E alimentar a autocomiseração da minha alma, que se apequena.

Masoquista quimera,
Jogando (com) dados, minha razão supera.

Meu peito incendeia,
Devaneia, exaspera.
E recupera o lírio encontrado em tua cama
(era uma flor de maçã?)
Enquanto meu delírio repete,
O momento em que vejo,
Após um beijo,
O amor feito no pântano, entre desejo, lodo e lama.

Desperto: três horas da manhã,
Minha respiração,
Enquanto perco a noção,
Me guia,
Como Teseu se giuou pelo novelo,
Enquanto decido se hoje  houve um sonho,
Ou um pesadelo.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Corte Seco ( Ou: de 98 graus, de volta ao zero)

Agora que sei: seguiremos caminhos diferentes
Errei por crer que merecia, pelo menos, uma despedida decente.
Mas se não houve sequer um afago de chegada,
Há razão para ter a saudação do "até logo" esperada?

Por  mais que não pareça,
Sempre fui sincero,
De novo firo meu peito,
Com a estaca zero.

Nunca conseguiu saber
Como me desespero
Talvez nunca tivesse o poder
Para aceitar meu esmero,
Por mais que te incomode,
Meu entusiasmo explode,
Toda vez que te reitero.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Missiva Ampla

Quando te trato por "Minha cara",
Isso é muito mais do que um sinônimo formal para "Minha querida".

Te enxergo assim, em meu próprio rosto,
Imagem espelhada, refletida,
De dor e adoração,
Replicada, repetida,
Circunstâncias ressentidas,
Vontades irreais e ressequidas.

Mais uma acepção se torna clara,
E essa, é inegável que você entenda:
Tendo o brilho de uma peça rara,
Que de valor inestimável se declara,
Sem se submeter por qualquer venda.

No fim,
A cada palavra que em seus lábios se prenda,
Só posso encarar essa realidade,
Como um pedido para que se renda,
Minha fracassada, querida e cara (já que dispendiosa...E quase odiosa.),
Tentativa de proximidade.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Mais, Menos

Faço um grande esforço,
Impossível calar,
Então torço,

Tendo apenas rastros teus, tão pequenos
Desejo o teu bem,
Estar mais e estar menos.

Mais perto do afago,
Afeto certo, decidido e decisivo,
Amor incisivo,
Recuperando certeza perdida,

Sendo mais aberta,
Mais sensível,
Mais sentida,
Percebida,
Abraçada
Querida.
Por quem a tenha,
Merecida,
Mais bem vista,
Mais bem quista,
Evocada,
Ao status de Deusa alçada.
Assumida em um adorador,
Preferida
Mais apreço,
Dignidade de saber que significas conquista,
Contudo, de inestimável e incobrável preço.

Pelas dores que não esquecemos,
Preciso te desejar sendo menos,

Menos suscetível ao alcance da causa do estrago,
Que busca manipular-te, transformando-a em fantoche do desconcerto,
Infecto, ódio que aperta o peito,
Asfixia o respeito.

Menos perdida,
Preterida,
Sofrida,
Destruída,
Destroçada,
Despedaçada,
Ignorada,
Desencontrada,
Contrariada,
Incompreendida,
Agredida, Ofendida...
Vítima do desvalor,
Afogada,
Sumida na dor,
Do desprezo.

É só o que espero,
Sou no que falo sincero.
Que você supere,
O que não for para teus quereres plenos,
E encontre o que minha práxis não pode dar,
Nos veremos, cada um com aquele com quem pode contar,
E nos equilibraremos,
Entregando o mais e ferindo o menos
Conseguindo ver o que sonhamos
Nos brindar.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Resíduos últimos

Textos
Contextos
Contestam
A couraça que contra mim investe,
A armadura que me veste,
Obstáculo,
A dureza que me reveste.

É espetacular,
Me ver, viver no teu olhar,
Receptáculo prestativo ao afeto, limpo,
Desinfecto,
E teu sápido humor distinto,
Circunspecto.

Ciprestes (e morangos silvestres)

Especulo,
No espelho, espreito espectros,
Pecados que dissimulo.

Em meu espolio, espalho epístolas, aspectos,
Repertórios,
E te simulo.

Em palhetas, cores e sons,
Tons sobre tons,
Demarco, cerco e circulo,
Espetáculo ao qual seu nome se preste,
Onde minhas guerras, fomes, pestes
Anulo.

Recapitulo,
Entre minhas parcas memórias campestres,
Terrenas, telúricas,terrestres,
Inglórias lembranças secas, agrestes.

Como eu desejo o paladar terminante,
Nevrálgico,
Sob pretexto de que manifeste,e infeste,
Ter, de mim em diante,
O sabor de te saber,
Constante,
Puro.

Morangos silvestres,
Maduros.

Incontestes,
Nostálgicos,

Com toda a garra,
Os seguro.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Para dias refinados

Enquanto ninguém, depois de ti, chegar tão perto,
Te verei como destino certo,
Do afeto que quero ter e oferecer,
Quase o tempo todo,
Quase sem querer.

Só assim estarei desperto,
Olhos, ouvidos, braços e sorrisos
Abertos,

Aptos para receber
A escrita indescritível,
Dos poderes do prazer.