quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Desafio VII: Sobras do pensamento

O que sobra do que penso?
Sombras do meu "Eu"  suspenso...

Transpiro,
Tenso,
Suspiro,
Denso,
Respiro,
Intenso,
Me inspiro, ao todo, torto,
Propenso.

"Suspense!"
É o imperativo que convence,
E o hiperativo que recobre e desdobra,
E transforma a sobra,
Em obra.

Que jogada no chão,
Se arrastando como cobra,
Espera manuseio e manobra,
A fazendo voar, igual ao falcão.

Ombro contra ombro,                    
O assombro se recupera,
Recobra.

E  embaixo de um escombro,
Meu mar de mágoas,
Faz água,
Se afoga,
Naufraga,
Afunda,
Soçobra.

E minha alma se inunda,
Abunda,
De vários valores saídos das sobras.
.

sábado, 27 de agosto de 2011

Desafio VI: Noite.

Onde todos os gatos são pardos,
E as gotas d'água podem pesar como fardos,
Apreendo a aprendizagem,
Prendo o aprendizado.

Livro, liberto,
A libertinagem.

E outros conceitos que me deixam tonto,
Nascer vírgula,
Morrer dois-pontos.

Correr,
Escorrer,
Derramar em Cântaros o prazer.

Cânticos,
Pelos cantos,
Cantar.

Chegar ao limite do berro,
Encontrar, entrecortar e ter em conta,
A fera bela, firme como o ferro.

Só, Ali,
De ficar,
Solidifico o lido,
Lido, trabalho com o assimilar, absorver.

E direto,
De retidão,
Derreter.

O que sou e o que vou temer,
Escapando entre os dedos,
O fim da histeria que não surpreende,
Não (des)conserta
Paúra velha, de  asfixia, vermelha.

O fim do medo,
Que subjuga, rende,
E não alerta,
Nem bem aconselha.

Dama predestinada a ser poema,
Não trema,
Temos a note,
Se agarre em mim,
E faço a guerra perecer, pequena.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Desafio V: Máscara

A mente manifesta,
A máscara infesta,
A mente brilha, evidencia, sábia, livre, culta.
A máscara humilha, vicia, pedante e aprisionada, oculta.

Reconheça: não há ilusão,
Que esconda com a mão,
A boca que rumina,
Masca teu verbo ácido,
Querendo acordo tácito,
Legitimando a opressão.

Você me quer
Tendo como centro do mundo
Teu próprio ego,
Morbidez,
Olhar cego,
Rigidez

Mortificante ferimento,
Da pele contra o prego
E pregação

Mofino experimento,
Ao qual reajo
Com a incisiva negação.

É minha vez,
Lamento,
De gritar por reação:

Em alto e bom som, digo:
Sou a lucidez do perigo,

Teu amor, meu inimigo,

E você, sendo tudo o que o Belo não fez,
Só pode estar,
No perigo por trás da lucidez.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

60 dias...

Olho no espelho,
Me xingo,
Finjo ser Manhã de domingo
E em minha mente surgem,
Caindo como pingos,

Sons,
Melodias,
Canções.

Você, que faz em si caberem multidões,
Com sua grandeza,
Contradições,
Tradições, ações e contrações sinceras,

Deve ser capaz de entender,
O tipo de ser,
Que sou,
Que fui,
Que era.

O mesmo que só olha,
Admira,
Sorri
E desespera.

Deixe-me pensar que possuo as razões
Que ainda, ou um dia pude,
Te dar duas opções:

Pedindo pra trazeres pedras quentes,
Fazeres transgredir

Meu coração,
E sem expectativas,
Conseguir satisfação.

Ou me faça,
(Meu amado pássaro livre, alado)
Pensar que sigo teu encalço,
Quando sou eu que nessa caça
Reajo como um animal acossado.

Sem alma,
Sem ânimo,
Nem parece que já tive

Um silêncio obstinado,
Aparente calma,
Estado bem simulado,
Trancado,
No palácio dourado do pecado,
Sem Deus,

Eu
Acompanhado de pesares privados,
Barbarismos meus.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Desafio IV: Objeto mágico

Da última vez em que vesti a pulseira
Que encontrei quando era menino,
Procurei nova mitologia
Outro pertencimento,
Outro destino.

Um bracelete de dedos,
Expulsando a violência dos meus toscos arremedos
E tudo aquilo que das delícias me repele,
Eliminando as culpas
Através do suor da pele.

Depois do amuleto,
Para a lua voei,
E lá, cheguei,
Onde  seus braços pareciam ramos,
Nos quais, caí, depois de um desmaio,
Encurvando minha cabeça e minha mente,
Para colher as flores de Maio.

Eu, que não sou nada além de fugidio refugo,
Não resisto, queimando no ar, poluindo,
Sendo parte e partícula daquilo que me angustia,
Ouvindo o riso que se transforma em lágrima a cada dia,
Mesmo tendo algumas coisas em que encontro alegria.

Anomalia nascida da contenção do vômito,
Do fracasso tragicômico,
Me escondo embaixo da sua sombra,
Árvore lunar, onde seus frutos são dons,
E deles, as sementes espalho,
Recolho em um edredom.

Purificado,
Sopro nuvens,castelos e edifícios,
E transformo em rituais
Os meus vícios.

Só me ensine a sobreviver,
Estou cansado de gargalhar com as mesmas pessoas
E sozinho sofrer,

Buscar, mais uma vez,
Uma fábula,
Um pertencer.

Já que na minha origem,
Não acho prazer, orgulho,
Tenho todos os quereres
E nenhum poder.

Enquanto isso,
Só posso ascender
Dominando meus medos
Com meu talismã e brinquedo,
Me comunicarei contigo,
Pelo bracelete de dedos.

( Inspirado Por: The Pretty Things "Bracelets Of Fingers")

sábado, 6 de agosto de 2011

Desafio III- Coragem

Tudo o que você conseguir ler,
Em mim e nesta paisagem,
Terá, querendo ou sem querer,
Alguma coisa a ver com coragem.

Algo que pode não ser fácil de notar
E depender muito da abordagem
Mas a valentia pode muito bem estar
Em admitir uma fraqueza,
Ou uma bobagem.

Minha coragem já teve tanto sua face mudada...
Sendo evidente,
Transparente,
Ousada,
Arriscada,
Atirada,
Bombardeada.

Ou agindo dissimuladamente,
Ocultando a mente,
Acanhada,
Camuflada,
Suspirada,
Pega emprestada,
Quase nascendo abortada.

Se bem me lembro,
Tudo começou a noite,
Em um domingo qualquer
De um já distante novembro...

Em vias de atingir total escuridão,
Uma única luz:
Da televisão...

Começava, então,
Sem retorno, uma viagem,
Onde componho o outro,
E a mim mesmo, consumo.
Onde essa ambígua audácia, na busca de outra imagem,
Atinge o supra-sumo.

Começo mudando a cor da letra,
Tom púrpura, vermelho cardinal,
Indicando unívoca significação,
De honrosa dedicação:
Para minha rainha,
Um memorial.

Ânimo na luta contra o tempo,
Meu eterno adversário,
Barrando um encontro, um momento,
Fazendo me culpar o (con)fuso horário.

Entusiasmo,
Beirando o biônico,
Capaz de dar nomes,
Curar casos crônicos,
Carregar planetas,
Cabeças,
Troncos,
Membros,
Para poder comemorar,
Bem mais os seus dezembros.

Refletir trocadilhos e tolices
Em todos os espelhos,
Esperar com tudo o que pude e disse,
Outro dos teus sagrados conselhos.

Defesa contra a morte ambulante,
Ou por nada, por tudo, pra sempre e nunca,
Apelar pra certo fetichismo,
"PseudErotiConcretismo" ,

Ou outro conceito candente,
Igual ao fogo e a estrela cadente,
Força, bravura, coragem,
Ingredientes que constroem a gente,
Já que deles, nós necessitamos,
Sempre,
Novamente.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Desafio II: Memória

Amnésia, por ele sempre temida,
A tal ponto de lhe fazer lembrar-se,
De qualquer época, mesmo não vivida.

O medo do esquecimento
Marcando sua existência,
Por isso, para todos,
Ele endereçava uma reverência,

E dedicava, com glória,
Quando alguém nele despertava
(E dignava)
Uma memória.

Já que só ela superava
A física permanência transcorrida,
Então, propagava,
Uma frase repetida:
"Recordação é vida".

Ao passado, ele chora,
O presente, enamora,
O futuro, ignora.

Já que para a sua crença,
Elaborou uma sentença:
-O por vir é só um permanente agora.

Nunca fez grandes coisas na verdade,
O que mais há em sua mente é a saudade.

Carrega um problema mal resolvido:
Não saber se foi querido,
Por quem o fez alcançar
O mais elevado e visceral estado de espírito sentido.

Reconhecer o afeto recebido,
É um irrealizável pedido?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Desafio I: Liberdade

"Liberdade tem sabor de realidade"
(Ouvi isso numa canção)
Essa é só uma meia verdade
Já que me liberto
Apenas na imaginação.

Qual o erro de fazer realidades,
Produtos da criação?

Como rindo,
Ver a própria cabeça
Em alta velocidade,
Rolando na terra,
Pelo chão.

É preciso ser livre
Para encontrar uma nova ilusão.

Nove letras,
São delas que eu preciso,
Pra compor o contraponto,
E por vezes, confronto
Liberdade com juízo.

Dela todo mundo gosta,
Quando o "eu" é a grande proposta,
Mas poucos, iguais a mim,
Podem jogar,
Compartilhar esse direito,
Dividir todo o respeito,
Dialogar,
A pergunta e a resposta.

Liberdade e Irmandade,
São sinônimos, certo?

Contraditório assim,
Te peço: não esqueças de mim,
Eu gostaria de ficar por perto...

Te proteger contra a máquina,
"A revolta é uma dádiva", falando devagar,
Divagando,
Lembre-se de cantar.

O que eu tenho,
O que é meu,
Tudo isso poderia me aprisionar,
Mas se sou livre
(Pelo menos um pouco)
Devo ser louco,
(Ou muito esperto)
O bastante para o melhor de mim,
(Mesmo que forem somente palavras, no fim)
Ser algo que lhe oferto...