sábado, 30 de março de 2013

"Recadentismo"

Decalque,
Por cima da garra
Quando pode,
Se crava.

RECalque,
Por baixo do que se escarra,
Quando existe,
Se grava.


Anacronismo Crônico

Existe uma certeza,
Da qual quero conhecer o dono.

Sabendo também
Se vem
E de onde:

Para quem dores,
Amores 
Douram,
Duram
(Por duração ou dureza),

Sendo coisas que as horas curam

Mas o tempo só  esconde,
Buscas escuras redundando em abandono.


Enquanto lembrar,
Há ferida pra lamber,
Só vai cicatrizar,
Aquilo que puder esquecer.



sexta-feira, 29 de março de 2013

Quiasmo*, Uma Tentativa

Retórica, como espelho, figura.
Perdura,
Seduz.

A cruz marcada numa escrita,
A escrita marcada numa cruz.










*Figura de retórica baseada na simetria que é construída com quatro termos,dois dos quais geralmente repetidos, e sendo os dois últimos da mesma na natureza que os dois primeiros, mas apresentados invertidamente. O quiasmo dispõe os termos como num espelho e por isso é frequentemente representado por uma cruz ou pela sequência AB-BA.
(Fonte:http://www.infopedia.pt/$quiasmo

domingo, 24 de março de 2013

Cônscia Contundência

Sem saber se portanto,
Ou contanto,
Ou contudo,

Caso haja um ponto profundo,
Em que nada o confunde,
Estará quando ou onde,
O mundo
O contunde.


quinta-feira, 21 de março de 2013

Que Fim Levaram Os Gatos Pretos?

Como quem depois do fim, volta pra página um,
A título de memória,
Sigo sem esquecer,
Desse poema comum,
Em também querer eu ser

Com toda a sua glória
O capitão de Bandeira,
No rondó de Manuel
E sua esperançosa história.

Juntos de Isadora,
Do hierofante,
Da mulher infiel
Desde antes de todo agora,

Compõem Monte Parnaso,
Descoberto ao acaso
Em música de teatral passado.

Indefinível,
Entre seco e molhado,
Hoje Imaginado,
Nas sendas tranquilas do invisível,
Lirismo, deleite audível.


Regurgitar

Querer de novo a força do início,
Vício corrente, em seu âmago,
Equilibrar-se entre escrever com a dor do soco no estômago,
E a urgência de  ter uma faca entre os dentes.


Ester(id)ilidade.

Outono,
Bomba-Relógio detono,
Em golpe de estado arquitetado pela síncope,desmaio.

Destrono,
Fim de março,
Desde três verões atrás.esgarço,
Em troca do maio,
Esquizofrênico
Leque com o qual se abana o abandono.

Cada um sabe no que é farto,
Eu, lembranças de infarto,
Você, perspectivas de acalanto pós-parto,
Estimulando gestos e seu rosto de trejeito cênico.

Meu sangue sem pacto,
Puro dejeto,
Quer seu futuro materno, fato,
Como coagulado afeto.

Silenciosamente histriônico,
Abro assombrosa clareira,
Feita de abraços lacônicos.



terça-feira, 19 de março de 2013

O Peso Das Libras

Tentar adicionar no colar a miçanga certa,
Por vez, possível um só caminho,
Entre "paz e amor" e "sempre alerta",
Ser o como o zero, nada a valer sozinho.


segunda-feira, 18 de março de 2013

Lista Vista

Minha noção de tempo se encarde,
Quero ouvir menos um nunca,
E assistir mais a tarde.


Metábole*

Mudança por repetição,
Até em melodia,
Ou dramaturgia,
Ao paroxismo.

Dizer que isso se aboliria,
É querer matar
Meu metabolismo.


*1. Figura que consiste na repetição de uma ideia em termos diferentes.


2. Entre os gregos, qualquer mudança rítmica ou melódica efetuada no decurso de uma composição.

3. O termo também se usa modernamente no teatro para traduzir aqueles momentos de reconhecimento de um destino inesperado de um protagonista ou mudanças bruscas no enredo de um texto teatral.


domingo, 17 de março de 2013

Sempre De Volta

Mergulhar em ti:
A razão pela qual vim.

Maior do que estar là ou aqui,
Mais profunda do que mesmo a mim.

O barulho do teu silêncio é
Orgulho
Dessa falta de fim,


Interferindo, fertilizando,
A única fé
Que sei manifestando.



sábado, 16 de março de 2013

Plural Da Íris

Retina retine
Tilinta,
Nos olhos da menina,
Enquanto aos arcos pinta
.


Carnalidade Canina

Lambe dente,
A língua,
Prende presa,
Cheia de si,
Não míngua.

Crescente 
Sinistra destreza,
Concupiscência como única certeza.


Incisivo

Dei-te,
Pela tarde ardente,
Amor que morde.

Ida preterida por um triz,
Dentando polpa e raiz.



Lume Numinoso

Urge urdidura,
Acostumada costura,
De coser ou cozinhar
Tablatura
Em parte, dura.



Herói Encalha

marginália é tal nessa paragem,
Que não tem nada, nem mesmo margem.

Quem nada, afoga,
Fazer ou fugir do fogo: as opções em voga.

Vede crepitarem, verdes, imaturas,
Verdades e vaidades,
Inflamando ranhuras do que invade:

Fim do mundo = eternidade


quarta-feira, 13 de março de 2013

Altera Sanidade

Em ver,
Esverdeada,
Me vidrar,
Envidraçada,

Embriago,
Por ter embargada,
A vez e a voz,
Dedos, nós,
Pra'marrarem.

Resta amargarem,
Em não agarrar fada.





Alteridade

Nada a fazer
Ou melhor, conceber,
Além de fugir em carreira desabalada.

O que me vem:
"Está tudo bem,
Sobretudo, nada".


terça-feira, 12 de março de 2013

Filho da Torre

Por isso, sobrenomes desagrego:
O sangue segue cego.


"Cavaleriana"

Miasma* pros meus pulmões,
É como chão pra quem caminha,
Então, não existem senões,
Ruarei** por asma minha.

(*Emanação proveniente de substâncias animais ou vegetais em decomposição)

(** De "Ruar"= Andar frequentemente pelas ruas)


segunda-feira, 11 de março de 2013

quinta-feira, 7 de março de 2013

quarta-feira, 6 de março de 2013

Dionísio Bebendo Aos Palcos

Atordoa,
Ator, doa,
Naquilo que se tem sentido:


Pra dureza duradoura é seda,
Dor entoada,sedativo, 
Comete comédia, sem ser comedido. 

Como insurgente, se sugere, tem surgido,
Catártico, expiatório,purgativo,
Lançado feito dado hiperativo.


Atuante,
Performante,
Durante,
Perante, 
Querido ente ou desconhecido passante,


Tem sido.
Nesse instante e desde antes,
De alguém ter os dias contato e contido, 
Quando eram só diamantes.



Perdi...Ganhei!


Quis saber o que tocar,
Para encontrar seu estoque.
Mas do que faltar,
Correto é dizer que o tempo lhe provoque.

Não manobra 
Na escassez,
E sim na sobra.

"Sou todo seu, o que fará?"- Ri da minha dor 
Toda vez,
E silva, feito cobra.

Engolindo a própria cauda,
Reverbera, em si mesmo se dobra,
Lauda sobre lauda.

Mas o vazio tem aqui outro pendor,
Ecoa também, 
Porém,
Ensurdecedor.


terça-feira, 5 de março de 2013

Redoma?

Exatamente,
Dentro da mente,
Desato,
Cada ato
Que me prendeu.

As marcas nos pulsos,
E de quem chora, os soluços,
Tentam  me convencer,
De que agora, sou ex-eu.


sábado, 2 de março de 2013

"NoVerbo"? (ou : Água-Forte)

Carrego maços de não ditos, 
Ligas de embaraços,
Soldados na forja dos ritos.

Calco gravuras,
Tapeçarias
E trapaças tornadas mitos.

A dureza do traços,
Traciono, 
Tensiono.

Não sei se engravido dos poemas, quando com eles crio laços,
Ou em volta deles gravitaciono.