sábado, 29 de outubro de 2011

Retomando Rosa (e um pouco mais)

Vê que compartilhamos um desenredo,
O deixamos repartido,
Dissenso sentido,
Olhares perdidos,
Construídos pelo (ou sobre)
Abismo de medo.

"A vida é feita de pedaços do céu",
Fugindo do fel,
Via firmamento, lá vou eu,
Voo, antes de navegar:
2.369 quilômetros, para brincar,
Com alguém, usando barquinhos de papel,
Você tem um folguedo de que se orgulhar?
"Pobre de quem não teve o seu".

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Pelo espaço, Por espaço

Fui hipnotizado,
Horário desconhecido,
Olhar embaçado, nebulizado,
Rádio ligado.

Eu sei que explodirei,
Meu controle perderei,
Nada esperarei,
Nada encontrei,
Mas do que vale a pena,
Posso supor que ainda sei.

Não me aproveitarei da sua aterrissagem,
Equipamento obsoleto esse meu,
Fundiu,
Derreteu,

Sem captar sua mensagem,
Incapaz de  reter para mim,
De tudo o que aconteceu,
Mais do que uma mísera imagem,
E o registro, sinistro, de inconclusa viagem.

sábado, 22 de outubro de 2011

Com os botões, entre as pedras

Você sabe,
A cada "oi" nosso, estou sorrindo,
O que fazer com a tensão que escondo ( e que em um só corpo não cabe),
É o que ainda estou decidindo.

Não és pra mim objeto de ontem,
Jornal descartado,
Amassado pelas mãos de outrem,

Mais um dia e seu rubi,
Você sempre com alguém pra estar, amar  ou odiar,
E  eu aqui
Acrescentando outro nome pra pendurar,
No meu móbile feito das faltas que senti.

Eu a ouvi dizer,
Que não há nenhum tempo pra perder,
Pergunto, com meus dedos entre os botões,
A razão de sempre falhar na procura de conexões,
Apontando sempre pra erradas direções.

O que quer que exista (se existe) para além da gente,
Confirma que eu tentei, quase diariamente,
Tirar meus pensamentos da sua frente,

E o que quer que exista (se existe) para além da gente,
Reconhece que eu anseio,
Entre as lentes,
Te ver sorrindo docemente,
E entredentes,
Te ouvir falando calmamente.

Valiosa,
Sábia treinada,
Calejada pela vida,
Respeitada e respeitosa,
Comovente e comovida.

Não sobrou muito pra atacar,
Me fazendo ser percebido,
Eu,
Perdido,
Vencido e vendido,
Me remeto ao tempo,
Em que acreditava poder ser seu,
Espero que tenha ficado divertido.

Para cada passo de nossa essência conflituosa,
Existe um poema, um filho,
Nascido do ventre de mentes emaranhadas,
Do genoma das vozes sufocadas,
Meu âmago quis pra eles uma morada,
O seu, corajosa e simplesmente,
Pulou o trilho,
Da minha parte, pego o trem,
Duas feridas abertas:
Coração e supercílio.


Minha obsessão,
Gargalhadas no meu caminho,
Crueldade e possessividade,
Deixam cada uma, em meu ser uma impressão:
Péssimas companhias de quem se crê sozinho.

Deve haver algum lugar,
Onde você possa parar,
E todo o tempo do mundo tenha, para que te escute desabafar...
Juro, permanecerei para manter teu segredo inviolado, inteiro,
Se não sendo como eu mesmo,
Que seja na pele de um soldado,
Marinheiro,
Mosqueteiro,
Ou qualquer herói de fábula,
Chamado a esmo e lisonjeiro

Sei que és complicada,
Mas, sendo um observador vivo,
Escolho te ver de outro modo,
Em outra forma de adjetivo:

Educada,
Sofisticada,
Dedicada,
Infelizmente por muitos, (excluindo-me destes)
Subestimada.

Ela segue adiante,
Indo, voltando,
Subindo, descendo,
Ao tudo e ao nada,
Ela não sabe que a estive vendo,
Uma noite,
Um mês antes,
Encantadora e embriagada.

Mas no seu mundo,
Se rechaça qualquer outro mando,
Ela segue adiante,
Sussurrando, Sussurrando...

Não sei se é certo ou equivocado,
Querer saber pra onde fostes depois que cheguei,
Mas, se de todos os crimes do mundo for acusado,
Ficarei satisfeito de não infringir tua lei.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A mente (en)contra a máscara - Parte 4

A mente,
Por si,
Segura a semente,
Do que é e do que foi, do que vem e do que vinha.

A máscara,
Masca a cara má,
Escarrando, escancarando, descarando,
A escara que carrega
E contra si mesma, em auto-flagelação,
Ofende o que contém, espezinha,
Aquilo com que contava,
E por definição, 
Definha.

Segundo aforisma da máscara

A mente,
Brilhante e manifesta pitonisa,
Quando tocada e tocante,
Até advinha.

A máscara,
Arrogante e funesta, cínica, ironiza.
Quando quebrada e distante
Permanece mesquinha.

sábado, 15 de outubro de 2011

"Roseano" e sinestésico.

"Esperar é reconhecer-se incompleto",
Saber que serei mais sujeito de mim,
Se me objetivar como seu objeto,
Me sujeitar ao teu jeito,
Efetivar o teu afeto.

Não assistirei a tua queda,
Agindo igual ao voyeur olhando do alto, do teto,
Me nego a me comportar nos mesmos moldes de um parasita, abjeto,
No momento em que preda, furtivo, quieto.


Sua ruína,personificada,
É parte da sina com que sonho,
Por nós, sendo amarrada e partilhada,
Inevitavelmente escutada,
Ouvida em ruído suicida,
Aspirei que fosse apenas inspiração culta,
Constatei verdade antes oculta,
Me enganei, a ansiando olvidada, fendida,
A elegia sonbria, contigo componho.


Te ofereço minhas mãos para amparar,
Mas só viro as costas,
(Desejo e receio: forças opostas)
Sem coragem pro teu sofrimento presenciar,
Assumo o que me incrimina,
Já que, unicamente se nascido em ti,
O ato de condenar me alucina.

Levo comigo, olhos sedentos de encontrar outra retina,
Mas incapazes de ultrapassar,
Não há lugar para alcançar,
Além da fronteira,
Visão coberta por cortina.

Dicotomia certeira,
Que me doma,
Domina,
Descortina o sensitivo coma,
Abomina.

Tudo justo,
Justaposto,
Sobre mim,
Sobreposto,
Pôr ao meu próprio corpo,
Incorporado imposto,
Pra que exista entre nossas almas,
Entreatos,

Pontos de contato,
Diálogos, em olhares e fatos,
Entre ambos sentidos,
Perfumes retidos,
Em duplicados olfatos.

E entrepostos,
De nosso amor, provisórios lares,
Territórios livres em nome dos paladares,
Se tocando,
Tato de dois palatos,
Descobrindo gostos.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sobre Sublimar

Sublimar,
É mais do que evaporar os meus humores tintos,
Expressão de vários significados, distintos,
Idêntico a mim, com múltiplos, simultâneos usos e sentidos percebidos.

Indo além do que se diz da libido
(Nisso consinto),
Acima do ato de implícito tornar,
Esconder,
Ocultar,
Deixar subliminar,
O que sinto.

E te fazer acreditar
Que minto.

Nada disso se volatiza,
Nem relativiza,

O que sou quando te enalteço,
Homenagens teço,
Enfatizo, reconheço,
Ressalto,
Salto,
Te levo ao alto,
Dos santos, lugar,
Te alteio,
Construo altar.

Sendo entidade de franqueza,
Contra a minha fraqueza.

De tua inteligência saliente,
E nobreza silente,
Tenho certeza.

Predicados que louvo em qualquer canto,
Onde me encanto,
Por qualquer caminho,
Todos eles, os quais sublinho.

Mesmo quando me afasto,
Me gasto,
Irrito,
Assanho, nefasto,
Estranho,
O desespero repito,
Exasperado de te esperar,
Pensando em com meus versos te atacar,
A única coisa que termino por fazer,
É te destacar e saber
Contigo levantar,
E me basto.


E com todo acirramento,
Consigo acentuar,
Só,
Elogiar.

E no momento desse elogio,
Falar-lhe o bem,
Que é ter, como ninguém,
Os teus termos,
Povoados ou ermos,
Sublimes ou enfermos,
Para eliminar  o que vem,
Constituir o meu vazio.

Nota a razão pela qual me exacerbo,
Percebe as contradições de um mesmo verbo:

Sublimar:
Adorar,
Elevar,
Em minh'alma te levar,
Em andor, tuas metáforas colocar.

Sublimar:
Permitir escapar,
O brilho fugir, desencontrar,
E fulgás,
Tal qual um gás,
O vapor,
A se espalhar,
Em forma de nuvem, dor
Vindo me acompanhar.

Qual dessas acepções,
Você tinha em mente,
Quando disse gostar de ver
Quem sublima o que sente?

Aguardo o que queres, prontamente,
Ansiosamente,
Em expectativa que arde,
Como a arte,
Que dizes que sei transformar,
E que afirmo:
Você também sabe portar.


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Preto no Branco

Prefiro que você brigue,
Me provoque,
Se desligue de mim,

Assim,
Eu me ofendo,
Me rendo,
Ou entendo,

Me enraiveço,
Mudo,
Faço recomeço,
Ou me desculpo,
Insistindo em teu apreço.

Mas enquanto houver silêncio,
Não posso fingir que te esqueço:
Me preocupo.

Quer só isso, entre o que te ofereço?

sábado, 8 de outubro de 2011

Deliciosa Teimosia

Tarde demais,
Já sei que você existe,
E justo por não saber muito mais, além disso,
Me deixa tão encantado quanto triste,
O teu feitiço.

Pode ser masoquismo da minha parte,
Imaginar que me atiro do precipício,
Mas não enlouqueço, te conheço
E pago o preço
Da lucidez,
Extraio, quando me vês
Apoteótico e patético comício.

Tarde demais,
Já sei que você existe,
Por isso destruo minha paz
Quando vejo que desiste.

Se és quem em silêncio parte,
Enquanto teu peito se comprime ,
Sou quem para ti, faz arte,
Desconhecer isso contigo,
Me deprime,
Quero que tua face se ilumine,
Falho,
Nada me redime.

Tarde demais,
Já sei que você existe,
E apesar do teu espírito arisco,
Suporto o peso e me arrisco,
Mesmo temendo ser mal visto.
Ainda te aspiro,
Fundo respiro,
E insisto.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

"Clarivivência"

É difícil que me transporte mentalmente,
Para minha infância, a  época da adolescência,
Ou qualquer período em que era insensível, menor ou inexistente,
A consciência e o seu peso inerente.

Por causa disso, de novo algo teu me fez diferente,
Melhor, certamente,
A ti, reverente.

Meus dedos, tudo,
Minha língua, nada.
Passo por ti, e também olho a placa modificada,
Fotograma solto,
Palavra, luz,
Imaginada estrada.


Eu tento,
Juro,
Parecer mais maduro,
(Empreitada fracassada),
Sem conseguir esquecer,
Fazer sua vida, em meu escuro,
Emudecer, sem se ouvir,
Olvidada.

Sempre andando,
Atrás de mim,carregando,
Os riscos do afago e da ofensa,

Sigo, decorando,
Na minha alma, copiando e colando,
Assumindo, incorporando,
Citando e recitando,

Uma voz que, sei, em ti igualmente ecoa, no que faz e no pensa:
"Por  enquanto, estou inventando sua presença".

domingo, 2 de outubro de 2011

Retribuição

Ela continua dançando sozinha,
Tentando serena ficar,
Caminha.

Deixando nas palavras seus resquícios,
Retroalimentando em mim seus vícios,
Vidas revertidas em seus fins e inícios.

Ainda vejo a marca deixada pelo seu grande vazio,
Está límpida,
Em desanuvio.

Tenho a pretensão
De achar que entendo algo de sua solidão,
Pelo menos sei  que
Dividi-la com alguém não soa como intimidação,

Compartilhando  o que sente,
O que tem em sua mente,
Ao contrário de quem quero
E por quem desespero,

Da salvação do coração,
Em última confissão
Não se esquiva,

Se acidenta,
Se fere,

Mas nada a impede de ser,
Apesar da intempérie,
Sempre portadora de palavra ativa.

E diz,
Tão alto quanto pode,
Com a força que o cosmos lhe dá,
E que dentro dela explode,
Expelindo expressão sensitiva,

Sofre,
Admite:
Dinamismo,
Diamante,
Dinamite,

Falando com ela,
Qualquer ação imprevista,
Tem a acepção de conquista.

Ela, por mim cada dia mais bem quiista,
Me deixa uma lição,
Em vista,
Significativa.

Mais um desastre do acaso,
Do qual ela sai,
Em todo caso,
Cada vez mais viva.

sábado, 1 de outubro de 2011

Infinitas vezes dez

Nostalgia,
Sentimento que me guia,
E, brotando das frestas
É o que me resta,
Como reconfortante certeza,
Sei que posso e passo
Pelo espaço da bonita tristeza.

Desengano... talvez.

O silêncio pinga,
Na parede, decepção.

Tudo é mágoa,
De onde nasce a dor,
Se acumula a água,
Surge o bolor.

O mofo acumulado,
Anulando o sabor daquilo que vejo,
Fazendo tremer de covardia o meu desejo,
Antes, sempre se fazendo alado.

Respirar é tão difícil,
Sonhar sendo meu vício e meu ofício,
Faz do meu objetivo final
A conquista de cada novo início,
A descoberta de outro seu indício.

A umidade me faz mal,
Essa é a verdade,
Busco algum sinal de afetuosa unidade,
E me desperto,
Para um obstáculo fatal que me afeta,
A humanidade,
Que da alergia da letargia,
Está repleta.

Eu,
De fingida
Já que sem ser vivida

Nostalgia,
Atravesso mas um dia,
Abastecido,
Sentindo, 
Perdido,
Ensandecido,
Como a excelência  silente goteja!

Eu,
Como alguém que a proteja,
Pretendo ser.

Uma pessoa assim exclui dos seus planos a vingança,
Por mais que xingue,
Toda vez que o sigilo pingue,
Calando a ti, junta com minha esperança,
Deixando  ambas emudecidas,
Estando mudas,
Sem nenhuma mudança.