sábado, 15 de outubro de 2011

"Roseano" e sinestésico.

"Esperar é reconhecer-se incompleto",
Saber que serei mais sujeito de mim,
Se me objetivar como seu objeto,
Me sujeitar ao teu jeito,
Efetivar o teu afeto.

Não assistirei a tua queda,
Agindo igual ao voyeur olhando do alto, do teto,
Me nego a me comportar nos mesmos moldes de um parasita, abjeto,
No momento em que preda, furtivo, quieto.


Sua ruína,personificada,
É parte da sina com que sonho,
Por nós, sendo amarrada e partilhada,
Inevitavelmente escutada,
Ouvida em ruído suicida,
Aspirei que fosse apenas inspiração culta,
Constatei verdade antes oculta,
Me enganei, a ansiando olvidada, fendida,
A elegia sonbria, contigo componho.


Te ofereço minhas mãos para amparar,
Mas só viro as costas,
(Desejo e receio: forças opostas)
Sem coragem pro teu sofrimento presenciar,
Assumo o que me incrimina,
Já que, unicamente se nascido em ti,
O ato de condenar me alucina.

Levo comigo, olhos sedentos de encontrar outra retina,
Mas incapazes de ultrapassar,
Não há lugar para alcançar,
Além da fronteira,
Visão coberta por cortina.

Dicotomia certeira,
Que me doma,
Domina,
Descortina o sensitivo coma,
Abomina.

Tudo justo,
Justaposto,
Sobre mim,
Sobreposto,
Pôr ao meu próprio corpo,
Incorporado imposto,
Pra que exista entre nossas almas,
Entreatos,

Pontos de contato,
Diálogos, em olhares e fatos,
Entre ambos sentidos,
Perfumes retidos,
Em duplicados olfatos.

E entrepostos,
De nosso amor, provisórios lares,
Territórios livres em nome dos paladares,
Se tocando,
Tato de dois palatos,
Descobrindo gostos.

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