segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Beber (L)Icor?


Procuro  todas as coisas que possam ter o teu nome,
Principalmente canções
As tais que me atingem
Com a possibilidade de especular a sua origem,
Junto com todos os "senões".

Se te vi diante da  minha janela?
Sim, mas ela nasceu já com uma grade.
Assim,
Enfim,
Comumente
Mentalmente
O mal  me invade.

Se desejei ter
Sua mão pra ler?
Era meu plano...

Mas, além do nomadismo, pelo qual tenho  implorado,
Nenhum conceito me aproxima de um cigano.

Mesmo destroçado,
O guerreiro segura o escudo,
Querendo rir ou chorar de novo sobre tudo.

És pra mim cobiçado contrassenso,
Me mantendo vivo por dose de arsênico,
Abençoado inferno helênico,
Onde tudo esqueço.

No fogo medieval, queimo e me aqueço,
Contigo sei ao que pertenço.

Por agora, preciso de amor, mais bem escondendo  nas costas, conhecida falha,
Frieza é arma de suicídio,
Tal qual navalha,
Fora do lugar,
Diante da jugular.

Incapaz de contra isso fazer frente.
Me descubro odioso,
Porém, não de repente,
Curioso dolorido sem cura,
Nunca disse ser valente.

Teia de aranha
No alto de montanha ou precipício,
Imobilizado pelo tornozelo:
Apelo serve de vicio
Esse sou eu,
Outra variante de Prometeu.


Acumulando fim antes do início,
Uma bomba cai dentro da luva,
Enquanto lavo prantos e pálpebras na chuva.


(Derivado de: De Volta Ao Teu Nome)



domingo, 30 de dezembro de 2012

Sincero, Sem Serenidade.

Somos nós,
Que em existir, nos atemos,
Vez por outra desatamos,
Nos mantemos,
Sem saber se, portanto, vivemos.

E em doses e golpes, seja da forma que for,
Com frequência,  dor recebemos:
Quer quando  por outras mãos morremos,
Ou pelas nossas, nos matamos.

Nos emaranhamos,
Com sanções,
Aflições,
Compaixões,
E dissabores,  convivemos.

Todos esses sentimentos,
(Em sua maior parte, problemas)
Podem ser incluídos entre os sentidos de várias  "penas",
Tão  irônica e simplesmente apenas,
São aquelas mesmas com as quais ainda escrevemos.

Somos nós,
Sós,
As únicas coisas que temos.



sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sub-Ter-Refúgio

Bracelete mágico?
Hoje não,
A cor que agora há,
É o cinza trágico,
De deserção.

Maior que todas as negras escuridões,
E os fios da noite emaranhando padrões.

Correr pra não morrer,
Indefeso,
A corrente de mar,
Que o olhar
Tem pra ver,
O deixa preso,
Tarde demais pra se arrepender.

Você poderia me ajudar,
Tendo algo pelo qual minha madrugada atravessar,
Suponho.

Não reclamo  de pesadelo medonho,
Sou sim, incapaz de ter qualquer coisa com que sonhar,
Se as pálpebras fechar,
Me decomponho.


( "Reverso" de: Desafio IV: Objeto Mágico)

domingo, 23 de dezembro de 2012

Expectativa Especular

Deixe-me arriscar,
Me contar ao encontro do teu lugar,
Pra afetuosamente te afetar,
De maneira total,

Não com algum soneto,
Mas com os erros que cometo,
Confundindo meus traços,
E gerando algum embaraço
Visceral.

Prometo,
Mesmo sendo tão irracional,
Não racionar,
Todo abraço pra te confortar,
Em outra tentativa,
Tentacular.





Retido,Sinto...

Até quando serei observador distanciado,
Dos efeitos daquele antraz,
Cujo sensação,sentido só  faz,
Entre os que podem  decorar-se das cores que têm tocado?

Enquanto deslizam os dedos,
Mútuos em suas peles,
Só carrego hematomas dos medos,
E morticidade que de mim mesmo me repele,
Quanto  mais em contrário eu apele.

E a cada vontade nos outros saciada,
Comigo  imaginada,
Me resta saber que toda ânsia de calor acumulada
Se acostuma em dar um passo atrás na caminhada.

E toda a mistura,
De lábios línguas e sabores praticada,
Indiferente,
Me passa rente,
E perdura
Apenas o suficiente,
Pra me lembrar que dela não terei nada.





quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Segundas Eras

Faltou falar de mais uma quimera
Interferência da feérica fera.

Ágil como pantera,
Luminosa feito estrela,
Faço lembrar,
Já que fracasso em retê-la.

Não exaspera
Nem desespera,
Carrega sincera
Certeza:

Nada se perde,
Só se altera,
Nela que traz natureza.






( Derivada de :Priscas Eras)



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Depois, Dois: Parto

O "PseudErotiConcretismo" Reverbera,
Ondula
Feito um sismo.

Jamais capitula,
Sabe sobrevoar,
Saltar sobre o abismo.

Volta invadindo cada vão,
Traz a transformação:
Substantivação,
Em Constatação,
E esta, tornada evocação

Ócio > O Cio > Ó, Cio!
Parte dos meus vícios,
Ou ossos do ofício?

Exacerbo,
Resgato desusado verbo,
Que não se dissimula,
Sendo eu um outro alguém quando se virgula.

Reflito e repito como grito,
"Ó, Cio!"
Transpirando o que pulula,
Suor ou arrepio,
Nada aqui se anula.




(Poema "continuação" de: "PseudErotiConcretismo")


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Havendo Ar, Ainda Mar

Preciso retornar
Pra falar a verdade:
Só consigo respirar
Dentro da profundidade.

A superfície tolhe,
Submerjo, e lá, fundo,
Faço um mundo,
Muito bem acolhe.

Nesse abrigo,
O que me inspira persigo,
Nada se abole,
O capturado não encolhe.

Então reflito,
E regurgito,
A palavra, quando a mim ela engole.



domingo, 9 de dezembro de 2012

Ar Mesmo, Mar Ermo


Também tive período sabático
Muito mais curto,
Quase tão enfático.

Um dia,
Apático,
Que só pelo efeito,
De estar embebido no meu ar,
Pesado e ao mesmo tempo rarefeito,
Dramático,
Sempre será capaz de se tornar.

Controle invisível?
Me pergunto se o é,
E em até que nível...

Seja como for,
Se mantém remoto,
Apertando a tecla daquela dor,
Intercalada entre o que suspiro ou arroto.

Nem sei se faço bem ou mal,
Me intuindo e incluindo,
Ao seu lado,
À deriva e derivado,
"No" e "do" seu espaço sideral.

Reconheço viver dos lugares e pessoas que adoto.
Espero cantando,
Ou mesmo me afogando
Ou chorando,
Acabar por encontrar um lugar,
A cada novo fôlego, quando o consigo, contigo,
Durante outro maremoto.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"Palavranovismos" e "Cartortografias"



Não era cartógrafo,
Carta náutica não lia
Apenas letras, em epístolas, escrevia.

Mas conhecia as uniões e rupturas,
Afinal, mapas e contracapas se fazem  em linhas e nervuras.

A falha quando  geológica,
Transformou em "neológica".

O acidente geográfico,
A ser encontrado e catalogado,
Quando ortográfico,
Busca-se  ser evitado,
Ou se muito, incorporado...

Como reconhecer,
"Pereceber"?

Perecer por não ter percebido?
Perceber o que foi recebido?
Receber o que tem perecido?

Deixar suspenso,
Se houver,
Algum sentido?




Fim Infindo Refinado

O adeus calado de quem fica,
A humanidade de alguém se coisifica,
O apequenamento se amplifica.


Perder o sono,
Conceber como atos implícitos e invitáveis de abandono,
As partidas e partos,
Dos quais segue farto.

Quem sempre permaneceu no porto,
Tem agora, dois conceitos pressentido

O abraço e o aborto
O primeiro,intocado,
O segundo,perpetuado, repetido.

De um sobressalto,
Costas no asfalto,
Apenas um sentimento:

A poesia concreta  da qual teve conhecimento,
Pelo rosto arranhado,
Arrastado,
Contra o cimento.

Será vítima?
Chora rios de dor,
Sendo navegador,
Em correnteza íntima.

Todo distanciamento,
Pior quando dotado de lógica, fundamento,
Requinte de crueldade,
Arbitrariedade legítima.

Ferida feita de afeto que inflama,
Também nada nascerá com ele, por ele, se não houver drama.

Fato até agora dado
Imediato medo,
Sujeito tornado objeto:
O prazer, efeito de ver,
Retardado e mediado,

O desgosto,
Imposto,
Vindo pra se viver o fenecer,
Na carne, direto e inadiado.

Tendo várias respostas decoradas em mente.
Nada entende do erro,
Quem quer, dentro dele mora,
Mas do peito até sua frente,
Habita o desterro,
Esse nunca vai embora.












domingo, 2 de dezembro de 2012

Retalhos De Medos Dominicais

Lavando debaixo do sereno,
Aquilo tudo que quis e não sou,
O ódio de ter apenas o eterno e incompleto aceno,
De quem não merece estar onde vou.

Me selar,
No pretenso lar,

Prisão,
Me pesa,
Extrema unção é a única reza,

Parece,
Apenas fora de mim tudo acontece,
Quem aprecio,desaparece,

A me fazer,
Presa da certeza,
Ao pressionamento fadado,
Em todo e qualquer traço,

E do abraço,
Um abstinente viciado.






Fim.

 O adeus calado de quem fica,
A simplicidade de quem complica.

As partidas acumuladas,
E intocadas,
Despedidas escritas,
Aflitas.

Sabe que antes de nascer,
Será tarde.

Ele, o sol,
Ou qualquer acróstico feito sem se perceber,
Com a palavra, "Arde".

Observador transtornado,
Tornado distanciado,
Absorvido pelo não vivido.

Cada vez um pouco mais morto,
Toda vez que se vê permanecendo no porto.

Ele sabe quem desaparecerá inevitavelmente,
Acenando, lentamente.
Desnecessário que alguém lhe conte.

Não mais verá um certo olhar,
Sumindo no e com o horizonte.

Destinado, em toda cena ao papel de vítima.
Saber que toda vez de se vivificar
Será a última,
É o que lhe cabe verificar.





sábado, 1 de dezembro de 2012

A Saber...

Também quero tocar alguma alma,
Mas só tenho o que a canção nega.

Uma nefasta fauna,
Em seu ser, segrega:

Com pesar,
Trauma,

Com temor,
Medo.

Sem acabar tão cedo.







(Inspirado por:Arnaldo Antunes - "Alma" )

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Depois Da Bonança, Tempestade.

Não adianta fingir que se manterá diante de mim
O teu contorno,

Que tudo será igual, agora, assim,
Ao meu entorno.

Que só pra variar,
Iria se perenizar
Algum retorno.

Será como ter que a mim mesmo vomitar,
Evidentemente,
Junto ao meu vazio,
Nem quente,
Nem frio,
Tecido rompido,
Morno.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Quatro Mãos, Duas Vozes*

Inspira,

Pira,

Aspira,

Respira,

Transpira,

Suspira...

Ira?

Ira?

Dependerá...

Mas o fato,

No ato,

É que irá...

Á!

Touché no jogo de cartas tocantes e trocadas,

Marcantes e marcadas,

Escolhendo entre o ás de copas ou espadas.

( *Com Juily Manghirmalani: http://juilymalani.tumblr.com/  )





Com/Para Outras Duas Mãos

Dizem que o sol, feitor dos dias e dos verões,
Sói* ser solidário sobre as solidões.

Diante dessa constatação,
Só me resta calar,
Minha boca incauta.

A lamentar,
Pronto a dar,
Em sólida mentalização,
E por falta,
Todas as canetas que gastei em vão.

(* do verbo "Soer"= Costumar).


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Parti(da) Pris

Posso estar sendo vão,
Chamando isso de amor.

Aos entendedores, por favor,
Uma solução para a equação:

O que irá resultar,
Da união,
Em se mesclar,
Desejo e admiração?


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O Que Dizer?

Duas mulheres se falam
Sobressaem em ser o que são, depois de um poema.

Minhas ignorâncias,
Fundo ao dono calam.

Já que possível, se repete um velho problema:

Da minha ciência saber,
Que de não  poder em feminina se verter,
Desconhecer  por  reconhecer:

Restarão somente vãos
E apenas
Invejas e penas
Como fatos certos
Errados em crerem despertos
Os tais símbolos descobertos.


Acreditem, eu queria entender,
Tudo o que meu olho ao ler, ouviu:

Dor,
Martírio,
Exílio
Mais belos que meu costumeiro vazio.




domingo, 11 de novembro de 2012

Quem Se Ausenta, Dissente?

Aqui estavam os ouvidos
Agora partidos.

As vozes extraídas das bocas,
Roucas,
Autocríticas
Aristocráticas,
Autoritárias,
Poucas

Tornaram os sons cinicamente olvidados,
Sumariamente esquecidos.

Os ouvintes, feitos surdos com os estampidos,
Atirados contra os tiros,
Retirando seus suspiros
De dentro dos peitos feridos.

Será que com  nenhuma gota de sangue,
(Para além do que me vem)
Eu interfiro?

Me referindo ao combustível para aniquilar,
Apressadamente depreciar
O Teatro dos vampiros?

Miro o presente que me ultrapassa,
O vazio transpiro, em febre que não passa,
E cada vez mais fumaça
Aspiro.




sábado, 10 de novembro de 2012

2007-C: Abismo Tênue

Notívagos,
Por conta da inércia do dia,
Revolucionários,
Mas, por enquanto, só na teoria.

Acídicos ?
Melancólicos?
Macambúzios?
Deprimidos?

Ou apenas descrentes com desconhecidos?

É como achar agulha no palheiro
Encontrar alguém que saiba de algum brasileiro
Que nunca teve que cair primeiro,

Para saber contra quem
(Seja algo ou alguém)
Luta o tempo inteiro.

Uns humanos jejuaram como resistência,
Outros, que não comem,
Enfrentam, sem total ciência,
Uma batalha onde não há  clemência.

Guerra contra as fomes,
De alimento, de afeto,
Ou consciência.

Do não saber se manter vivo,
E se ao  morrer, se vê sentido.

De ter que brigar por abrigo,
Ou em nome de quem?

Se toda ação carrega reação,
Pra onde olho?
O golpe,  de onde vem?

Se o que falo é nulo,
De antemão, já capitulo.

Se existe remédio,
É para qual doença?
A que domina quem faz?
Ou acomete quem pensa...?

Na falta de solução,
Esmigalham dó, comiseração.

Vidas...
Espaços vagos na multidão.
Sonhadores céticos
Em contradição.

Revoltosos,
Revoltados,
Possíveis estopins de insurreição

Mas estáticos,
Apáticos,

Aparentando ter a razão do problema e a salvação,
Mas sem a semente
Que gere a compreensão.

Entre os que sabem o que falam,
Porém não vivem.

E entre os que não sabem que pensam,  e por isso se restringem.
Se calam, se fecham,
Inibem.








2007-B: "O Kyklos"

Cavalgadas noturnas,
Nada soturnas,
São pouco mais que adolescentes
Apenas contentes,
Entre tantas, mais uma turma.

Todos estão envoltos,
Extrovertidos,soltos,
Vestindo lençóis brancos
Fingindo-se santos
Aos vizinhos assombrados

É a sombra da noite ou um rapaz montado
Que assusta o desavisado?

- Eles são do Circuito!
Grita alguém no intuito
De dar o alarme

O povo em desarme,
Empalidece.

Há um que corre,
Outro faz prece.

Os cobertos,
Incertos, desentendidos,
Desconhecem o ato aturdido,
Do povoado humilhado.

Aquele circuito entrou em curto,
Mal aquele fato,
Tornou-se passado.

Os logo ex-meninos,
- Sádico destino -
Haviam se transformado,
De cavaleiros displicentes,
Nos mais tementes
Assassinos do prado.

A guerra havia chegado e terminado.
O arraial liberto,
Composto de sangue dos antigos escravos,
Ao supor o fito,
Não se viu mais aflito,
Se sentindo aliviado.

Mas os tiranos,
Grandes latifundiários,
Arregimentando mercenários

Pagaram uma fortuna
(Já que sempre abastados)
Pra ver caírem, uma por uma,
As cabeças dos alforriados.

Treze campos sitiados,
Foram os palcos do mórbido brilho,
Daquele martírio,
Tão semelhante ao de Cristo,

Dito como bem quisto,
Mas nunca visto
Como exemplo praticado,
E igualado sim, com o diabo,
Nos atos daqueles homens odiosos e odiados.

Que tiveram ode
(Já que não manda quem está certo, e apenas quem pode)
Ao nascer de uma nação,
Onde fantasmas mereceriam adoração,
Fazendo amarguras no suor de uma secessão.

Estavam no topo,
Mas seu mundo oco,
Como um castelo edificado em alicerce pouco,
Desaba,
O terror acaba.

Alguns entre os cavaleiros,
Percebem, espantados,
Os horrores primeiros.

Razões, guardadas entrementes,
Que mesmo honestamente, ainda inocentes,
Podiam crer que apavoravam,
Cada vez mais a descalçada gente.

Havia ali previsão de futuro,
Branco,
Mas feitor de alvos, impuro.
Se manifestando previamente,
Rente aos impotentes.




2007-A: "Tele-Sofia"

Perdidos?
Todos estamos,
Talvez por hoje,
Talvez por anos.

Sou eu ou toda gente?

Que olha uma ilha, miragem
Em estado de natureza,
Mas ainda sem certeza
De ser só um bom selvagem.

Engenharia social
Utópica
Nas estrelas sagradas
Góticas.

Enumerações pecaminosas,
Psicologia intra-venosa,
Psicopatia como um "TAO",
Moralismo irracional.

Mutações polarizadas
Na casta castração real,
De uma casta universal
Em todas as tábulas rasas.

Hiper visualização do irrisório,
De tudo aquilo que é irrisório,
Conservando o falatório,
A filosofia do notório,
No orgulho do contraditório.

De uma ciência salafrária,
Paga, vaga,
Falsamente pagã.

Física vã?
Só você vê
A geometria avarenta em que

Tudo se encaixa:
Teu futuro está dentro de uma caixa,
Esperando comida.

Pressionando botões iguais,
Feitos pra negar a vida.

Apertas o botão da arma,
Obedecendo o carma,
Estando a mira apontada,
Para tudo o que é nada.

Patriota da nação errada,
Terra infértil, abortada.

Vermelho mutante,
Ditador claudicante

Da matilha,
Da manada,
Massa manobrada.

Mas escute, de agora em diante:
Tirano pedante e distante,
Antes dragão,
Agora arfante

Foste domado
Pelo presente do passado
O futuro vigiado,
Deserto ilhado

Em que sou questionado
Sobre o paradeiro e o estado
Sobre um grupo de naufragados
Na ilha de edição
Do mundo globalizado.

Como ficamos?


Perdidos?
Todos estamos,
Talvez por hoje,
Talvez por anos...


O Caderno Azul, O Cabelo Vermelho

Ter  uma bolha,
Como escolha,

Para se ater,
E não temer,

Que o urro,
De voz crua,
Ou pele nua

Nunca se evidencie
Perto demais de onde,
Ninguém o aprecie.

Desejo:
Um descarrilado bonde.

Lampejo:
Ferro em brasa contra a pele que arde.

É tarde,
Mas sigo,

Você não foi fabricar nuvens comigo,
Quando quis "Avant-Garde".

Minha cabeça pode explodir...
Ou não...
Eis minha grande ambição:

Pedir verso,
Diverso em quem se negar a ser omisso,
Pra declamarmos
Ou reclamarmos
Sem compromisso,
Qual o problema nisso?




sábado, 3 de novembro de 2012

Sem Que Antes Se Avise

Me atrevo
Evidencio:

Escrevo
Enquanto não vivencio.

Presenteio,
Nunca presencio.

Assumo o simulacro acontecendo
O lacre segue se rompendo.

E de lá, sai a mais real fantasia,
Quando se hipertrofia,

Para pôr em crise,
Toda  hipocrisia.



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

De Volta Ao Teu Nome

Tinha morangos,
Mas os sabores eram poucos.

Prefiro te relembrar com os pierrôs mais loucos,
Esculturas de barroquismos roucos.

Então, pra te manter entre os meus agoras,
Finjo ser demônio,
Escravo de algum feromônio
E apareço só, quando contadas onze horas.



Derivado de: Ciprestes (E Morangos Silvestres)



domingo, 28 de outubro de 2012

Amálgama de Algumas Gamas


Meu tédio não é “enquanto”,
É “quando”
É antes

Escrever
Pra combater

Desencantos
Reinantes

Infernos
Internos

Onde cabem incontáveis Dantes.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Aperto de Mãos (E Esperados "Anti-Nãos")

Era um seguidor sorrateiro da tua estrada,
Furtando os frutos
Idos, (Ir)resolutos,
De alguma semente alada,
Feita de substância adjetivada.

Enquanto minha presença se ignorava,
(Entre encabulada e preguiçosa, caminhava)
Podia me apoderar de tudo que ali estava,
Me possuir em tudo que encontrava.

Quer trauma ou calma,
Flora ou fauna,
Lavo minha alma

Em lava,
E meu peito se escava.



sábado, 20 de outubro de 2012

Impasse Ou Práxis

Agora sabe
O que lhe cabe.

A razão de só as primeiras tentativas terem sido boas:
Interessam iniciativas,
Quando não se vêem mais pessoas?

Quem  há de mirá-lo
(Ou simplesmente vê-lo),
Terá alguém capaz de desvelar,
Se emaranhando em qualquer novelo.


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Quando O Verbo É "Te"

Era horrível,
Sempre falível,
Tudo  indizível,
Quase igual,
Dizimável.

Havia também
O complicado
Inenarrável,
Cheio de arranhões, 
Interminável.

Como ser justo,
Descobri,
Com muito custo,
Evoluí
Em relação ao que defini
Por nó na garganta, porém palatável:

Silêncio querido.
De gosto composto,
Desejo constituído,
Em que bebi,
O afável, também  inefável,

Tal e qual vi
No  teu rosto.



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Paralela Rara

É chama personificada.
Foi chamada,

"Poeta certa do cerrado"
(Não será poetisa?)
De qualquer forma, fato:
Se divisa,

(Des?)Equilibrada,
Bipolariza.

Entre o doce brado,
O áspero significado,
Uma seta ao apaixonado,
Quem sabe, punho fechado.

Dona de incertezas vívidas,
Fala de mulheres líquidas
Me mantêm intrigado
Sobressaltado.

Como quem de/para/com
Mudança eventual para um estado,
Volátil concretizado,
Ou alguma surdez nesse tom.




terça-feira, 9 de outubro de 2012

...Ou Nada

Dualidades de novo
Em mim
Ou assim,
Por volta:

Quem me escuta,
Ou quem me escolta.

Resíduos que me abrigam onde residem,
Ou de quem me tranca,

Em flor,
Bela que ao meu olfato apela,
E/ou Espanca.

De quem, tal qual a vida, passa
Ou permanece pra encarcerar minha carcaça.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Hoje, Por Ontem, Desde O Ano Passado...

"Outubro ou nada":
Novos papéis,
Novas palavras
Pra águas antes navegadas.

Mergulhar,
Em reverência?
Referência?
Reminisciência?

Ou me embriagar
Com copos e copos de essência?

Nadar e me afogar
Dentro da embarcação?

Tomar e ser tomado das reticências,
Que se acumulam,
Quase de tanto repetir, se anulam,
Já completando um estação de de duração.

Sempre me será inverno,
O velho medo de tornar eterno,
O armamento da putrefação.


sábado, 29 de setembro de 2012

A Má Temática

Incertas horas de setembro,
Meu problema:
Pouco sei, muito lembro,
Variações sem tema,
Tal qual um corpo sem membros.

Todo afeto que conheço,
É  irmão siamês de uma crise,
Cuja origem estabeleço,
Embora nunca localize.

Economia?
Talvez eco em compressão...

Geografia?
Escrita da queda sobre o chão...

Somos o que somos ?
Nós, dores ?
Cores, Valores?
Forcas, Fraquezas?
Voláteis Vapores?
Certezas, Gomos?
De Dourados pomos?

Talvez não...

Somos o que some,
Quando perdemos o nome?
Somando subtração?



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Derme - Me Deram ?

Se uma boca te toca,
Afeta,
Completa.

Se abraços abarcam todo o encontro,
Achamento,

Eu, nem migalhas disso vejo,
Tenho por Lampejo,

Lamento,
Em que os fragmentos,
Furtivos,
Nunca esfregam a chance de ser algo depois dos meros atos discursivos.


Te invejo em poder
Conceber, de um olhar, as desejadas partes.

De meu,
Lastimo unicamente oferecer,
Sendo o que me impele,
A certa pele de que falou Barthes.

Trago, unidas aos meus ais,
Minhas falanges verbo-manuais,
Dos dedos e dos medos,
Nada mais.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Oportunismo Meteoro-Lírico

Uma estação
Invertida,
Convertida em negação:

O que era pra ser,
Agora, impossível ver.

 InVERnÃO
Inverno quente,
Passa seco,
Direto,
Dentro
Rente.

E arrasta em constante repente,
O indisposto em visão.

Sem olhar
Nem molhar,
Inato
Em desnaturalização.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Armadura Abstrata

Cartas nunca escritas,
Jazem, já mais aflitas.

Meias luzes, no entanto, Infinitas.

Ritos de irritações interditas,
Entre continuações, nuas e incontidas,
Ditas,

Pelas retinas retidas.

Peço que reflitas,
Tu, que exercitas,
Excitas, citas,
Mas não hesitas.

Enquanto eu me recolho,
Quer pelo obstáculo,
Ou pela consciente ação que ponho diante do meu olho
(O melhor receptáculo),
Qualquer desses:
Escolho.




226 (Esc)Ombros

As sombras são,
O que sobra, resta, recai,soçobra,
Repousa,
Quando ousa
A Obra?

Assombrar
Por cobrir,
Acompanhar
Quem cobra?



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Carma Clínico

Tudo o que tenho
De todos que quero,
De cansar, espero.

No decantar,
Nalgum canto desespero.


Em papel, desenho,
Na pele, tatuagem,
Na luz, um peso, "Foto-grama",
Todo meu empenho,
E nada retenho
Para além de uma imagem,
Nunca tecer,
Ou ter sido inteiro,
Espelhos,
Telas,
Janelas,
Nenhum cheiro.

A única cor que decorei,
É a dos meus olhos quando vermelhos.

Exagero nesse cancioneiro?
Sempre há em quem perde a calma.

Em vez de ser virtual,
Quisera eu ver tua alma.



sábado, 8 de setembro de 2012

E Os Naipes?


Você me apresenta três valetes:
Nada mais do que aqui vem me compete.

Em manter minha sensação vibrante
Desde muito tempo, ou doravante,
Só posso concluir que falho,
Sou mais um descartado do baralho,
Mesmo sem morrer aos 27.

Se você tenta,
Eu atento contra mim.

No fim,
Entre a arte e a vida em  seus olhares,
Sigo cego,
Simples e seco,
Assim,
Enquanto em entusiasmantes inocências ,
Tivermos ausências,
Enterrando os pares.






quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Mais Que Um Algarismo

O que começo a esquecer:
Seu cheiro,
Exalando no ar,
Que eu quero tocar,
Pra acarinhar ou socar?
Não sei responder.

Digo que teu perfume,
Certeiro,
Faz com que me acostume,
Primeiro,
A ver que ele ecoa, igual ao meu vazio, de semblante fechado, e braços abertos.

Estarei com os sentidos despertos,
Acordados de um coma,
Graças a um memorável aroma
Indolor,
E ao silêncio que me toma,
Ensurdecedor.






quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Elipse Do Eclipse

Disseram:
Decida!
Ele desceu,
Desobedeceu,
Sem plano,
Cansado,
Quase tal qual Caetano,
De optar na vida, 
Pelo incerto 
E o Inseticida.



Entrópicos de Câncer II

Lembrou-se:
Agonia lhe trouxe
Salvação.

Quis escrever "oblívio"
Em vez de "opróbrio",
Embora, agora,
Com certo alívio
Lhe soasse prova do óbvio,
Que esse erro de acepção,

(Dado da pressa, não?)

Tornasse implícito,
O virtual início,
De toda opressão,

Que põe qualquer elemento,
Com ou sem justo indicio,
Deparado, sobre si mesmo,
Diante do esquecimento,


Servindo assim,
Ao próprio algoz atroz,
Como munição,

Para quem segue impondo,
Por princípio,
Sendo um vício,
O precipício,
Engolindo o disposto em oposição.

(Deu-se então,
Por pronto,
Sem resquício,
Esse exercício
De elaboração)

Derivado de Entrópicos de Câncer




quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sutil Atrevimento

Brindemos,
Com as xícaras que agora temos,
Os goles do universo,
Imensidão que nos contém
Sem nos contermos.

Assim, contigo converso,
Enquanto te endosso,
E minha dose adoço,
Me perguntando se posso,
Enquanto a converto em verso,
Estar na história de nos pertencermos.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Sem Negar o Ócio

No que consiste acordar cedo,
Sem se sentir acordar sendo?


Onde?

Temo pelos desaparecimentos
De seus delírios, líricos pensamentos,
E subsequentes movimentos.

Terão perecido?
Enrijecido?

Quando vivos,
Em  qualquer momento,
Sou um dos que os visualizam.


Porém, lamento,
Se estão tal qual cimento,
E assim, nada concretizam.