terça-feira, 27 de março de 2012

Nove (arre)Dias

Morrer por inanição auto- imposta,
Repetição de inação em sobreposição composta,
Por deglutir tudo, menos o que se gosta,
Pode ser considerada como morte natural?

Simplesmente,
Há outra vazão para o trivial,
Deprimente,
Sem nenhuma razão para o transcendental.

Movimento fatal,
Esse em que tudo encolhe
A se recolher
Onde nada ou ninguém se acolhe,
Com tantas coisas pra dizer
No fim, é a palavra que nos engole.

E de novo,
Meus restos, no caminho dos ilustres, removo.

Já que tudo é uma questão de "lá"  e "aqui"
Existe a ausência do que de digno se possa reter,
E como os relógios do quadro de Dali,
Sinto o que sei de mim derreter.

Utopia tropical
Anti-entrópica e fatal
Essa de fazer-me linguagem,
Só pra que finja ser mais forte,
Ou ter mais sorte
Parecendo menos animal.

.

domingo, 18 de março de 2012

Contiguidade # 2

Assíduo,
Assim sendo,
Tendo sido
Parecerista do que vem aparecendo,
Nos tornando segredos,
Secretamente parecidos.

Latentes guardadores de sentidos,
Sentimentos e significados,

Congregados na dor dos naufrágios em mágoa
Ilhados
Por muito mais do que apenas água.

Por cada mão,
E constatação
Das mútuas carências
Constantes ausências,
O efeito de estarem sozinhos
Os  torna lirismos  vizinhos,
Iguais em suas diversas cadências.

Consciências de similaridades contínuas,
Saberes,
Sabres,
Ciências,

Patentes evidências
Ânsias parentes,
Indo além das aparências.

Aconchegados em consonâncias,
Podendo, desse modo, crer,
Somente em e entre si,
Impossibilitando que se neguem
Entregues a transparência das verdades cruas,
Nuas,
Ao bom apego
Se agreguem.


E as borboletas,
A voar,
Seguem.

Contiguidade #1

Contigo,
Sou contíguo,
De fato.

Com toda distância,
Próximo
Com todos os atrasos,
Ainda assim,
Imediato.

Estamos nós em movimento afim,
Aconchegados na confiança,
Tal qual princípio
Buscando meio,
Mesmo em seu fim.

Transparência patente,
Feita inteira,
Evidente.

Criando fronteira,
Apenas pra ser ultrapassada,
Pela superação e adrenalina
Em um risco corrido entre nossas peles
Passando no meio do que aos outros repele,
Corajosas, mentes rentes.

Parentes em seus afetos,
Em seus erros,
Belos,
Já que, a seu modo, corretos.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Preciso...

Minha mente urge por gente,
Pela sede de não ceder,
Saber,
Estar ciente
Que em si, há só,
A superfície de ser.

Por mais que existam mil em mim,
Ao cabo e ao fim,
Procuro outros para ser um milhão.

Mesmo fracassando,
Permaneço nessa postura,
De não me aguentar em isolamento impávido, casto.
Sem jamais perder a loucura,
Nunca me basto.


quarta-feira, 14 de março de 2012

Hoje

Alguém diria:
"Hoje é o dia da poesia!"
Eu não sabia,

Muito menos que tanta gente lembraria...
Reiteraria,
Enfatizaria.

E minha inspiração?
Eu a  forçaria?
Sim, obrigaria.

E enfim,
Molemente,
Preguiçosamente
Definitiva e consistente,

A mente
Viria.

terça-feira, 13 de março de 2012

(Ex)Pulsão

Não pude dizer a verdade
(Nessas horas, a língua trai a mente):
Me doía ter de ti saudade,
Mesmo te vendo quase diariamente.

Pronto,
Deixei escapar tardia sinceridade
(Tornada "arte", pra minha mera vaidade?):

Mas queria te acompanhar,
Ambos isolados,
Água a precipitar.

A grande diferença,
Entre você e eu,
É que tu tinhas,
Tudo de meritório e teu,
No lugar
Para o qual devia voltar.

No outro lado de uma linha igual,
Essa já é a minha mais forte quase-amizade,
Nunca como antes tratei tão mal,
O abrandamento de uma tempestade.

domingo, 11 de março de 2012

Recaio...de novo.

Por mais que eu fique a insistir,
Inventando gente,
Vidas pra te substituir,
Mesmo me negando a assumir:
É cada vez mais urgente,
A ti me referir.

Toda vez
Logo depois de ao meu eu desmentir
Até sob tortura o fato de que da verdade fugi ,
Dizendo que creio,
Sem receio,
Que te  esqueci,

Acordo,
De te recordar,
Sempre que o nada me persegue
(E constantemente, ele me inquire),
Como a querer,
Teu calor como algo que se adquire.

Esse é o erro que comete quem está entregue,
Derrotado pelo próprio delírio,
Quem clama, tomado até o pescoço de lama,
Pelo encerramento do martírio.

Continuo dilacerado,
Despossuindo a presença,
Que desejei,
Bem antes do que tinha te falado,
Parecendo
Já tanto tempo superado,
E no entanto não construindo,
Sequer sendo,
Um ano inteiro passado.




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quinta-feira, 8 de março de 2012

Modulação de Frequência # 2

Mais triste e mais velho
Sobre amor não aconselho.

Mesmo tendo o amanhã nos meus olhos,
E os sinais do belo sob seus monopólios.

E apesar de saber que os sorrisos voltaram aos rostos,
Que novos chamados para o sol foram compostos,
Ainda tenho amargores injustos postos,
Onde nada está bem
Sobressaindo-se os desgostos.

Mais um dia que se mede,
Acinzentando, se sucede,
Acidentando as horas,
De dor para que o demiurgo se apiede.

Eis o motivo pelo qual minha alma não definha:
O gosto da tangerina me encaminha,
Para o tempo em que me acreditei amado,
Acompanhado de uma rainha.

Fazia tempo que aqui estava desencontrado,
Uns mil anos de vertiginoso passado...

Será que ela ainda se lembra,
Dos momentos em que juntos, celebrávamos,cada um, à sós?
Ela poderá pensar novamente em nós?

Algo a fazer por mim:
Voar pra longe,
Ao contrário e até o fim.

Antes que me restem apenas impropérios,
Enquanto ela mergulha e nada nos mistérios.

Antes que eu possa inventar uma prisão de legados,
Imaginar pecados,
E construir as lápides de íntimos cemitérios.

Novamente o pó retorna,
Para ser lambido onde o sofrimento se forma,
E assim engasguemos de aflição com a poeira,
Conosco agora,
Ou durante doze horas,
Pelo dia,
Ou a vida inteira.

Possibilitando que nos contamine,
Aos gritos de "Não chore e assine!"

Prematura melodia,
Pontuada pelo horizonte,
Quando o raiar se anuncia,
Mas que termina cedo demais,
Antes de alguém se dar conta de que a conhecia.

Mais calma que a garoa,
De brilho maior que o da neve,
Suavidade melhor que a de noite,
(Aquela que, a mim, unicamente atordoa):
Gritando para o céu,
Ele te ecoa,
Sem se omitir,
Teu faz-de-conta
Carrega a coragem de deixar tudo ir.

Eu frágil,
Feito do que se desmonta,
Tenho como maior medo
O de cair.

Então,
A garoa se torna chuva,
É para ti, perfeita,
Caindo como uma luva em seus pequenos dedos,
Você se diverte contando os pingos,
Eles, lhe confidenciam segredos.

Nossos olhares se cruzam,
Pra que nossas línguas mutuamente nos seduzam,
Não me pergunte a razão delas quererem isso fazer,
Além do desejo de obstáculos remover.




Modulação de Frequência # 1

Eu,
Pura e simplesmente,
Apenas penando,
Só.

Quando poderia falar de tema épico,
Sério,
Me fazendo maior,
Citando qualquer império,

Me fazes pensar que tudo isso é em vão,
Se há algo reinante,
Tem decadência arrogante,
Na minha situação:

Monarquias enforcadas em seus próprios nós,
Em que as diversas rochas que edificaram seus castelos,
Tornaram-se agora várias espécies de areia e pós.

E carreguei todos, não sei com qual sentido,
Até que da minha mão, eles foram varridos,
Dados como desaparecidos.

Parado e sem dormir
Meu afã é que me espanta,
Embaixo dos meus pés,
Marcados em brasa,
Se queima cada planta.

Eu me apego,
Cego,
Apesar de ver,
A falta da alguém para encontrar, atender, satisfazer.

Existem lugares onde o sonho é concessão:
As paredes dentro do poço,
No topo da colina, o casarão,
Cantando os rastros que deixamos no caminho,
Na velha rua vazia, parafusos,
No peitoril da janela, garrafas de vinho,
E bebedores confusos.


terça-feira, 6 de março de 2012

155 batimentos por minuto

Totalmente não tátil,
Tateavelmente não total,
Já que a água sempre escorre,
Da lágrima, resta o sal.

Ver todos que escolhi a escapar:
Gutural grito da minha penitência,
Queria, igual a você, tranquilamente aceitar,
Um fenômeno assim,
Como natural tendência.

Com a calma de quem se diz
Sendo fatalmente intranquila,
Me faz ter dois olhos por abrir,
E por um triz,
Quase sorrir
Contemplando o que me aniquila.

Leve,
Breve,
Com as coincidentes contradições de quem se atreve,
E por guardar em si as multidões,
Escreve,
De  curtos termos, imensas e crescentes percepções.

Tudo teu ecoa em mim,
Se prolonga
E no fim,
Se a vida é breve,
A arte é longa.


Mas isso pouco impede,
Minha angústia, que não se mede,
De se manifestar:

Sendo tão imersiva e intensa,
Me sinto incapaz de te alcançar,
(Certas coisas evitam mudar,
Dentre as quais, a afeição concreta que insisto em buscar) :

Temo me despedir,
Antes mesmo de conseguir de ti me aproximar,

Tremo,
De pensar nisso, por todas as vezes que vi se repetir,
Esse fato,
Seguido do ato,
De me lamentar.

Enfim,
Ao fim,
Pense de mim o que quiser.

Não levarei a mal,
Afinal,
Me acostumei a isso,
Ainda mais, diante de uma mulher.