terça-feira, 6 de março de 2012

155 batimentos por minuto

Totalmente não tátil,
Tateavelmente não total,
Já que a água sempre escorre,
Da lágrima, resta o sal.

Ver todos que escolhi a escapar:
Gutural grito da minha penitência,
Queria, igual a você, tranquilamente aceitar,
Um fenômeno assim,
Como natural tendência.

Com a calma de quem se diz
Sendo fatalmente intranquila,
Me faz ter dois olhos por abrir,
E por um triz,
Quase sorrir
Contemplando o que me aniquila.

Leve,
Breve,
Com as coincidentes contradições de quem se atreve,
E por guardar em si as multidões,
Escreve,
De  curtos termos, imensas e crescentes percepções.

Tudo teu ecoa em mim,
Se prolonga
E no fim,
Se a vida é breve,
A arte é longa.


Mas isso pouco impede,
Minha angústia, que não se mede,
De se manifestar:

Sendo tão imersiva e intensa,
Me sinto incapaz de te alcançar,
(Certas coisas evitam mudar,
Dentre as quais, a afeição concreta que insisto em buscar) :

Temo me despedir,
Antes mesmo de conseguir de ti me aproximar,

Tremo,
De pensar nisso, por todas as vezes que vi se repetir,
Esse fato,
Seguido do ato,
De me lamentar.

Enfim,
Ao fim,
Pense de mim o que quiser.

Não levarei a mal,
Afinal,
Me acostumei a isso,
Ainda mais, diante de uma mulher.


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