sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Depois Da Bonança, Tempestade.

Não adianta fingir que se manterá diante de mim
O teu contorno,

Que tudo será igual, agora, assim,
Ao meu entorno.

Que só pra variar,
Iria se perenizar
Algum retorno.

Será como ter que a mim mesmo vomitar,
Evidentemente,
Junto ao meu vazio,
Nem quente,
Nem frio,
Tecido rompido,
Morno.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Quatro Mãos, Duas Vozes*

Inspira,

Pira,

Aspira,

Respira,

Transpira,

Suspira...

Ira?

Ira?

Dependerá...

Mas o fato,

No ato,

É que irá...

Á!

Touché no jogo de cartas tocantes e trocadas,

Marcantes e marcadas,

Escolhendo entre o ás de copas ou espadas.

( *Com Juily Manghirmalani: http://juilymalani.tumblr.com/  )





Com/Para Outras Duas Mãos

Dizem que o sol, feitor dos dias e dos verões,
Sói* ser solidário sobre as solidões.

Diante dessa constatação,
Só me resta calar,
Minha boca incauta.

A lamentar,
Pronto a dar,
Em sólida mentalização,
E por falta,
Todas as canetas que gastei em vão.

(* do verbo "Soer"= Costumar).


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Parti(da) Pris

Posso estar sendo vão,
Chamando isso de amor.

Aos entendedores, por favor,
Uma solução para a equação:

O que irá resultar,
Da união,
Em se mesclar,
Desejo e admiração?


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O Que Dizer?

Duas mulheres se falam
Sobressaem em ser o que são, depois de um poema.

Minhas ignorâncias,
Fundo ao dono calam.

Já que possível, se repete um velho problema:

Da minha ciência saber,
Que de não  poder em feminina se verter,
Desconhecer  por  reconhecer:

Restarão somente vãos
E apenas
Invejas e penas
Como fatos certos
Errados em crerem despertos
Os tais símbolos descobertos.


Acreditem, eu queria entender,
Tudo o que meu olho ao ler, ouviu:

Dor,
Martírio,
Exílio
Mais belos que meu costumeiro vazio.




domingo, 11 de novembro de 2012

Quem Se Ausenta, Dissente?

Aqui estavam os ouvidos
Agora partidos.

As vozes extraídas das bocas,
Roucas,
Autocríticas
Aristocráticas,
Autoritárias,
Poucas

Tornaram os sons cinicamente olvidados,
Sumariamente esquecidos.

Os ouvintes, feitos surdos com os estampidos,
Atirados contra os tiros,
Retirando seus suspiros
De dentro dos peitos feridos.

Será que com  nenhuma gota de sangue,
(Para além do que me vem)
Eu interfiro?

Me referindo ao combustível para aniquilar,
Apressadamente depreciar
O Teatro dos vampiros?

Miro o presente que me ultrapassa,
O vazio transpiro, em febre que não passa,
E cada vez mais fumaça
Aspiro.




sábado, 10 de novembro de 2012

2007-C: Abismo Tênue

Notívagos,
Por conta da inércia do dia,
Revolucionários,
Mas, por enquanto, só na teoria.

Acídicos ?
Melancólicos?
Macambúzios?
Deprimidos?

Ou apenas descrentes com desconhecidos?

É como achar agulha no palheiro
Encontrar alguém que saiba de algum brasileiro
Que nunca teve que cair primeiro,

Para saber contra quem
(Seja algo ou alguém)
Luta o tempo inteiro.

Uns humanos jejuaram como resistência,
Outros, que não comem,
Enfrentam, sem total ciência,
Uma batalha onde não há  clemência.

Guerra contra as fomes,
De alimento, de afeto,
Ou consciência.

Do não saber se manter vivo,
E se ao  morrer, se vê sentido.

De ter que brigar por abrigo,
Ou em nome de quem?

Se toda ação carrega reação,
Pra onde olho?
O golpe,  de onde vem?

Se o que falo é nulo,
De antemão, já capitulo.

Se existe remédio,
É para qual doença?
A que domina quem faz?
Ou acomete quem pensa...?

Na falta de solução,
Esmigalham dó, comiseração.

Vidas...
Espaços vagos na multidão.
Sonhadores céticos
Em contradição.

Revoltosos,
Revoltados,
Possíveis estopins de insurreição

Mas estáticos,
Apáticos,

Aparentando ter a razão do problema e a salvação,
Mas sem a semente
Que gere a compreensão.

Entre os que sabem o que falam,
Porém não vivem.

E entre os que não sabem que pensam,  e por isso se restringem.
Se calam, se fecham,
Inibem.








2007-B: "O Kyklos"

Cavalgadas noturnas,
Nada soturnas,
São pouco mais que adolescentes
Apenas contentes,
Entre tantas, mais uma turma.

Todos estão envoltos,
Extrovertidos,soltos,
Vestindo lençóis brancos
Fingindo-se santos
Aos vizinhos assombrados

É a sombra da noite ou um rapaz montado
Que assusta o desavisado?

- Eles são do Circuito!
Grita alguém no intuito
De dar o alarme

O povo em desarme,
Empalidece.

Há um que corre,
Outro faz prece.

Os cobertos,
Incertos, desentendidos,
Desconhecem o ato aturdido,
Do povoado humilhado.

Aquele circuito entrou em curto,
Mal aquele fato,
Tornou-se passado.

Os logo ex-meninos,
- Sádico destino -
Haviam se transformado,
De cavaleiros displicentes,
Nos mais tementes
Assassinos do prado.

A guerra havia chegado e terminado.
O arraial liberto,
Composto de sangue dos antigos escravos,
Ao supor o fito,
Não se viu mais aflito,
Se sentindo aliviado.

Mas os tiranos,
Grandes latifundiários,
Arregimentando mercenários

Pagaram uma fortuna
(Já que sempre abastados)
Pra ver caírem, uma por uma,
As cabeças dos alforriados.

Treze campos sitiados,
Foram os palcos do mórbido brilho,
Daquele martírio,
Tão semelhante ao de Cristo,

Dito como bem quisto,
Mas nunca visto
Como exemplo praticado,
E igualado sim, com o diabo,
Nos atos daqueles homens odiosos e odiados.

Que tiveram ode
(Já que não manda quem está certo, e apenas quem pode)
Ao nascer de uma nação,
Onde fantasmas mereceriam adoração,
Fazendo amarguras no suor de uma secessão.

Estavam no topo,
Mas seu mundo oco,
Como um castelo edificado em alicerce pouco,
Desaba,
O terror acaba.

Alguns entre os cavaleiros,
Percebem, espantados,
Os horrores primeiros.

Razões, guardadas entrementes,
Que mesmo honestamente, ainda inocentes,
Podiam crer que apavoravam,
Cada vez mais a descalçada gente.

Havia ali previsão de futuro,
Branco,
Mas feitor de alvos, impuro.
Se manifestando previamente,
Rente aos impotentes.




2007-A: "Tele-Sofia"

Perdidos?
Todos estamos,
Talvez por hoje,
Talvez por anos.

Sou eu ou toda gente?

Que olha uma ilha, miragem
Em estado de natureza,
Mas ainda sem certeza
De ser só um bom selvagem.

Engenharia social
Utópica
Nas estrelas sagradas
Góticas.

Enumerações pecaminosas,
Psicologia intra-venosa,
Psicopatia como um "TAO",
Moralismo irracional.

Mutações polarizadas
Na casta castração real,
De uma casta universal
Em todas as tábulas rasas.

Hiper visualização do irrisório,
De tudo aquilo que é irrisório,
Conservando o falatório,
A filosofia do notório,
No orgulho do contraditório.

De uma ciência salafrária,
Paga, vaga,
Falsamente pagã.

Física vã?
Só você vê
A geometria avarenta em que

Tudo se encaixa:
Teu futuro está dentro de uma caixa,
Esperando comida.

Pressionando botões iguais,
Feitos pra negar a vida.

Apertas o botão da arma,
Obedecendo o carma,
Estando a mira apontada,
Para tudo o que é nada.

Patriota da nação errada,
Terra infértil, abortada.

Vermelho mutante,
Ditador claudicante

Da matilha,
Da manada,
Massa manobrada.

Mas escute, de agora em diante:
Tirano pedante e distante,
Antes dragão,
Agora arfante

Foste domado
Pelo presente do passado
O futuro vigiado,
Deserto ilhado

Em que sou questionado
Sobre o paradeiro e o estado
Sobre um grupo de naufragados
Na ilha de edição
Do mundo globalizado.

Como ficamos?


Perdidos?
Todos estamos,
Talvez por hoje,
Talvez por anos...


O Caderno Azul, O Cabelo Vermelho

Ter  uma bolha,
Como escolha,

Para se ater,
E não temer,

Que o urro,
De voz crua,
Ou pele nua

Nunca se evidencie
Perto demais de onde,
Ninguém o aprecie.

Desejo:
Um descarrilado bonde.

Lampejo:
Ferro em brasa contra a pele que arde.

É tarde,
Mas sigo,

Você não foi fabricar nuvens comigo,
Quando quis "Avant-Garde".

Minha cabeça pode explodir...
Ou não...
Eis minha grande ambição:

Pedir verso,
Diverso em quem se negar a ser omisso,
Pra declamarmos
Ou reclamarmos
Sem compromisso,
Qual o problema nisso?




sábado, 3 de novembro de 2012

Sem Que Antes Se Avise

Me atrevo
Evidencio:

Escrevo
Enquanto não vivencio.

Presenteio,
Nunca presencio.

Assumo o simulacro acontecendo
O lacre segue se rompendo.

E de lá, sai a mais real fantasia,
Quando se hipertrofia,

Para pôr em crise,
Toda  hipocrisia.