sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Vazio (ou: escrita automática)

Meus dedos tremem,
Tenho pouco pra dizer,
De fato, quase nada.

O que devo temer:
Acumular e não ser,
No desprazer de uma noite perdida,
Desperdiçada.

Sentir o peito doer,
E não ter nada por fazer,
Além de notar as palavras ressentidas,
De qualquer consciência despossuídas.

Toda a antiga verve, abandonada.
Alma ressequida,
Calcinada.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

118 Saudades

"Tenha um bom voo!"
Exclamação benfazeja que ecôo,
Canto de longínquos campos, que entôo,

Com toda a minha  temporal defasagem,
(Mais de oito horas pesando a mais em sua bagagem)
Para minhas precoces saudades matar,
(E para que elas não façam isso comigo, no que me arrisco),
Até mais de um ano no calendário devo voltar, retroagir,

(Aos risos, me belisco,
Para ter a segurança,
Do fato e do efeito,
De você existir...)

Ver tua presença no brilho do chão de Los Angeles, 
E na ilustre liberdade de São Francisco.

O que me alcança,
É que és, como nunca fui,
Dona de alma-criança,
Que evolui, mas jamais evapora,

Uma das coisas que sempre invejei em alguém,
Contigo vem,
Sua figura incorpora:
A coragem de assumir,
Sem pensar se tua firmeza se invalida,
Que mesmo a vida sendo dura,
Durante as despedidas,
Admite: chora.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Código secreto: Artigo 117

"E depois?"
É a pergunta que sempre reitero,
Sendo por ela, sempre, que me desespero

Sei que não deveria pensar tanto no futuro,
Mas meu presente é fosco,
Meu passado, duro.

Não há opioide melhor
Do que o que alucina dividindo por dois.
Mas solitário, indo ao solo,
Afogado em suor,

Só posso me repetir:
"E depois?"

Inalo o perfume das flores pra diminuir a dor da saudade,
Converso, confio em verso,
Escrita e oralidade,

Se me pergunto "E depois?"
É por haver bom motivo:
Conheço o sabor do arroz,
E garanto que ele não basta pra fazer alguém ser vivo.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Insônia sem Culpa

Nunca sozinho
Estive tão livre,
Sem ter como sempre tive,
Alguém de quem me esquive.

Onde o livro é livramento,
Todo encontro, merecimento.
Escolha pra folhear,
Encolhimento pra desfolhar.

Apago a luz,
Largo a cruz,
Uma lis,
Deliciar.

No escuro,
Me faço maduro,
No breu,
Há um "eu" a se afirmar,
Se firmar,
Contigo,
Confirmar.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Entre ser Zero e dizer Cento e quinze.

Cansei de ser,
A cobra que engole a própria cauda pra sobreviver
Devo me desculpar
Por viver incapaz de  sozinho me bastar?

Ou de suportar
A construção de abismos,
Derrubando castelos?

Lamento,
Prefiro ter a escolha como parte dos meus elos...

Espero ser bom pra quem vejo
Viver egolatria cataléptica,
Mas eu ainda creio na dialética.

Um abraço,
Vou apressar o passo,
E o diálogo,
Mandou um beijo.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Luz Hábil

Eis a prova cabal,
Pra desmentir o lugar comum,
De verbos vãos.
Que dizem que falta de memória traz felicidade como recompensa,

Ela prefere saber quem é,
Agradecer por não ser normal,
Viver em um dia,
O entusiasmo de trinta e um,
E ter nas mãos,
Toda a genealogia do que pensa.

Lembrar-se de uma ofensa pode ser ruim,
Mas esquecê-la a contragosto lhe causa mais dor.

Possui a consciência
De que as reminiscências possuem bem mais que um único fim.
Guarda com honra e respeito, um favor a cumprir,
Um afeto a repartir,
Pela vida,
Amor, enfim

Disse-me uma coisa que até hoje intriga:
"Tens ansiedade atual,
Melancolia antiga"
Sinceridade:
Habilidade desenvolvida...
Como eu queria tê-la conhecido,
Em um tempo já perdido,
Para poder chamá-la
De verdadeira amiga.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Elo de quereres...

Unindo poderes,
Conectando prazeres,
Por isso comecei,
Sei,
Te assustei com meus dizeres,
Mas, se vir,
Me veres,
Terás todo o direito de gritar que errei,
Mas grite,
Conquiste com tua voz a amplidão,
Mereço uma resposta de que me gosta?
Claro que não...

Mas se não me queres,
Outras querem ver em mim,
O cantador, trovador de amor sem fim,
Personificando o que lhes falta,
Transcendo, atinjo verdade alta,

Reconheço que apelo,
Meu verbo te deixa aflita,
Mas se não for pra propagar um elo,
Nenhuma palavra merece ser dita...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Flor, ação progressiva

Pensadora,
Conhecedora
De abrangente expressão, natural...
Espera do mundo uma nova moral,
Ética cidade, etnicidade,
"Sendo diferente,
 Toda a gente merece respeito igual"

Em quase tudo capaz,
Intuitiva,
Perspicaz.

Seu eu interior
Desfaz todos os nós,
Precisa meditar,
Ficar a sós,
Apreciadora do silêncio,
Por isso sabe muito pra que serve sua dicção,

Convive apesar disso, em verdade,
Com variações flutuantes de personalidade.

Se existe um problema,
Ponto fraco que desanima é saber que apesar dos seus predicados,
Em episódios nublados,
Se subestima.

Se contamina ao crer ser geral,
A bondade, a lealdade, a honestidade
Total.
 Tamanha fé lhe faz mal,
"Um conselho: nem todo humano é legal".

Cuidado:
Teu espírito pode ser usado,
Objetificado,
Pode ser feito,
De âmago suspeito,
Empregado.

Mas sei que sobrevives a tal
Força parasitária, nascida da apatia,
Contra tudo isso tens o antídoto final:
Tua valentia.

Pode encontrar um lugar,
Para se felicitar,
E poder finalmente,
Manter permanente,
Seu criativo germinar,

Em cada um dos afagos que sente,
Se vê, de repente,
Entre os lagos,
Rios
E o mar.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Me unir a ti...

Conjunção,
Felicidade do acaso
Simplesmente encontrou
Minha libertinagem falsária
Que chamou tua atenção,

E disse para mim
(ao mesmo tempo que pro mundo):
"Ou fervo ou vou perecer... Profundo."
Alegre diplomacia,
Algo que, dizem os números,
A quem é digno de seus afetos inúmeros,
Se premia.

Suponho, doravante
(mesmo me arriscando na superficialidade)
Tê-la como alguém com o outro tolerante,
E amante da verdade.

O que é tido por muitos como digno de cuidado,
Para ela  pode ser apenas um fato dado,
Respeitado em sua ausência inelutável de saída,

O ciúme (talvez)
A censura (preterida?)
A exagerada preocupação (possível aparecer, de quando em vez...)
A preguiça (Ela diz: "um modo de vida")

Saiba que me é estimada,
Apreciada,
Querida, mesmo distanciada.

Compassiva ao alheio sofrimento,
Vejo que se nossa amizade é uma construção,
Deixo a mostra meus tijolos, sentimentos.
E igual a você, em letras os solidifico,
 Levantando pavimentos.

Sábia Praticidade

Para suas metas:
Heroísmo,
Experimentada detentora do perfeccionismo,

Sem apego por convenções,
Desprezando tradições

Se lança,
Se protege,
Se observa,
Se guarda
Vanguarda:
Futurismo.

Se existe algo em que lhe atrapalhar não ouso,
É duvidar de sua tensão,
E depois, negar-lhe o repouso.

Não raro, nem ela mesma se entende,
Flertando com a intolerância,
Impaciência patente.

Mas isso se explica:
Há o bem,
O desigual, também
E nela tudo se duplica.

Vê longe,
No dia-a-dia,
Enxerga  o que sem ela não viria,
Ninguém alcançaria,
Em campo de olhar distante,
O respeito marcante,
Que ela divide,
Entre o diferente e o semelhante.

Da harmonia e poesia nascem,
As coisas que mais amor lhe trazem,
Em sua objetiva sabedoria,
Sensível capacidade.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Idealismo Curativo

Apesar de ser todo seu o devaneio,
Sabe que sozinho não conseguirá esteio.

Quer agregar
Pra isso ignora esforços,
Combate o receio.

Lamenta ter que encerrar tudo,
Sem dar início a um meio,
Ao que é igual segue mudo,
Dos "tempos mortos" está cheio.

Por viver isso, lhe veio,
Desejo descontrolado,
De segir solto, sem freios,
Buscando algum aliado,
Surgido com outros sentidos,
Diversos significados,

De distante (?) terra nascido,
Que o faça ficar encantado,
Conquistado,
Em estado de consciência,
Alterado.
Que o possa fazer motivado,

Sendo, entre outras coisas, razão para um novo verso,
Amigo dadivoso para o idealista,
Que é tão ambicioso quanto disperso.

Desconfia, ao se afirmar,
Que tem, digna de nota , uma história:
Muito pouco começou,
Quem terminar, receba a glória.

Herdeiro e réu confesso,
Da arte e do pensamento expresso,
Filho dos extremos,
Pode depreciar-se,
Como diz quem quer o seu sucesso,
"Assim, sem mais nem menos".

Entre a impressão e a depressão,
Exalta o êxtase,
A apoteose, a explosão,
E minora o ameno.

Amoroso,
Prefere ser irmão de alma do que carnal amante,
Leva a compreensão e a harmonia adiante.

Seu corpo é marcado de cortes,
Lhe juram que ele tem sorte,
Matéria diurna fixada,
Mente noturna caminhante.


domingo, 4 de dezembro de 2011

Renascendo, Pura...

Sensibilidade madura,
Rara imaginação,
Brandura.

Sabe que a felicidade,
Da mesma forma como a paz,
Se faz,
Perpassada pela irmandade.

Permite que a contingência
Temporariamente mude seu plano,
Mente vasta, alma imensa e pacífica,
Tua estrada é o  oceano.

Guarda tuas convicções
Pra quem mais lhe interessa,
Evita discussões,
Sem boas razões,
Não se estressa.

Apesar de tantas certezas,
Pode vacilar em receios,
Sempre a se equilibrar
Entre os fins e os meios.

Tem sim,
Por si,
Muito orgulho,
Mas consegue nadar
Sem se afogar,
No mar do ego,
Depois de um mergulho.

Mutável,
Tendo disso consciência,
Traz consigo pessoas,
Lugares,
Experiências,
Sempre novas,
Supernovas,
Iluminando sua existência.

Espaços onde sua nobreza, lirismo, pureza,
Terminam por fixar residência.

Esses versos,
Dispersos,
Transversos,

Quase desconexos,
Esperam do seu afeto
E ideias variantes,
Uma conivência,
Excitação alegre,
Marcante,
Determinante.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Ursa...Melhor!

Cheia de vida,
Encantada
Como eu sempre soube.

Tanto afeto,
Delicado, concreto,
Somente em mim não coube.


Compreende, une, ordena, disciplina,
Não importa o tempo que passe,
Permanecerá menina.

Honestidade, confiança, bondade,
Tudo nela, antes e depois, se aglutinaria.
Sendo preciso pouco pra ter, em profundidade,
Por cada abraço dado, reconquista de uma harmonia.

Inimiga feroz de toda forma de apatia,
Agradável,
Amável,
Afável,
Até cair,lutar:
Direito inalienável.

Cumpridora do dever,
Sempre responsável:
"Um novo jeito de fazer,
É sempre desejável".

Criativa, mesmo quando banal:
Um dom invejável.

Doma tua eloquência com decência,
Verve artística histórica,
Incapaz de ter tempo perdido,
Com vazia retórica.

Ao ver isso, ela responde com um certeiro "lamento"
Suas costas se vira,
Do jogo se retira,
A cena cínica lhe causa ira.


Mesmo sabendo o que isso pode custar ao reconhecimento,
Se não merecer por si,
Prefere o isolamento.

É caloroso constatar que somos quase irmãos,
Eu levo meu olhar,
Ela,
As cores do mundo nas mãos.

Graciosa Inspiração

Íntegra,
Pensamento afortunado,
Independente, ponderado,
Iniciando ato aperfeiçoado.

Arredia,
Conquistada pela filosofia,
Mística,
Única,
Fora de qualquer estatística,
Teu espaço é o limiar de cada dia.

Companhia dedicada,
Pelo automatismo sufocada,
Margeia nervosismo e depressão,
Para livrar-se disso,
Assumo o compromisso,
Oferecendo-lhe atrativa abstração.

Não se presta ao jogo de azar,
Menos ainda a se acomodar,
Cada laço que se rompe,
Da sua parte,
É de mais intricado reatar

Conhecer, aceitar, avaliar, apreciar
Verbos norteadores do seu amar.

Eu, nunca tão livre estando preso,
Até com seu desprezo,
Consigo me cativar.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Amável Realeza


Magnética,
Magna ética,
Esotérica,
Didática,
Estética.

Amante compreensiva,
(quando quer, possessiva)
Olhe com cuidado:
Nenhuma contradição aqui deriva do cinismo,
Sendo apenas arriscado,
Obrigar ao equilíbrio esse dinamismo.

Havendo ciúme,
Recomendo que o contrapeso se aprume,
Dando destino certo ao passado,
Particípio,
Pois ela será de aracnídeo ferrão,
Defendendo seu justo princípio.

Cada osso do seu corpo,
Carrega, enérgico,
Uma destreza:

Fazer do próprio dínamo, que possui no coração,
Cor e ação,
Para unir tudo que existir,
Entre o planeta e a beleza.

Versatilidade Estelar


Era óbvio que ela me divertia,
Alegre ousadia.

Imaginação fecunda,
Feraz,
Liberdade profunda,
Vivaz.

Seus ouvidos captam sutis compassos,
Compassivos.

Tudo podem,
Ao Imperativo da ordem,
Tem, porém,
Colecionado desdéns corrosivos.

Quer saber,
Sabe querer
Em obstinada conquista,
Discerne informação de conhecimento,
Usufrui vida imprevista.

Por nascer da consistência,
Não suporta auto indulgência,
O que lhe causa insônia
Ou reação de repelente violência,

É nessa impulsividade e impaciência,
Que arrisca-se ao desatino.
Muito mais do que posso ser,
Teu caráter segue,
Libertário e libertino.

Dizem ser de muitos começos e poucos fins,
Não parece pra mim, agir assim:

Teu verbo versátil conversa,
Meu verso converte
E mutável, dispersa,
Espalha, em pessoalidade de ação diversa,

Tua ação de expressão manifesta
Constrói versão,
Diversão,
Fertiliza,
Frutifica,
(Apro)Funda a festa.

Ensina, emfim:
"Só  pude ver e vencer,
Depois que vim".

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Confidência para Astréia ( ou: Agradecimento)

Quando julgava ser o último dia,
O fim da minha poesia,
Encontro a companheira de Narciso,
Que em um comentário conciso
Me elogia.

Abro um sorriso,
Pois, em momento preciso
Teu verbo me auxilia:
( a consagração, por quem admiro,convertida em elegia)
Estava tão indeciso em saber se continuaria,
Já que acabava de saber que ao lutar pelo que vale a pena,
Penaria.

A história longa,
De uma vez é impossível contar,
Mas podes ler o meu passado,
E cada passo desastrado que dei
Me orgulharei em te explicar

Apenas deixe uma marca, um sinal, uma mensagem,
Te abrirei a porta de 102 secretas passagens,
Eliminarei os fardos de minhas bagagens
Pedindo pra tua justiça, mandar até as estrelas
E punir, sem retorno em eterna viagem
Toda ingratidão que puder encontrar.

domingo, 27 de novembro de 2011

Recorrências me prendem.

Chuva,
Fome,
Solidão.

As gotas d'água atravessam o telhado.
Há um novo alvo, objeto de suas amáveis provocações,
Disputas entre afeições
Eu, pra variar, ensimesmado.

Chuva de imposturas para coletar,
Fome de razões para continuar
Solidão: a única companhia capaz de voltar.

O que a janela da alma descortina?
Por trás de cada olhar o que se abala?
Recorrentemente chamo tua íris, menina.
E calo-me ao rever a mandala.

Não é intencional, eu sei,
Quando o sentido que constróis me deixa dolorido.
Mas prefiro me entristecer,
Do que tecer a farsa
De fingir que nada foi acontecido.




terça-feira, 22 de novembro de 2011

Fôlego Curto

Quero que teu quadro me cubra,
Pra que eu trace caminhos nas veias de tua face rubra,

Se te conheço um pouco, isso se refuta.
Mas de agora em diante,
Peço que pense na pedra brilhante:
Tenaz,dura,
Sem ser bruta.

domingo, 20 de novembro de 2011

Centésimo profundo.

Parece que alguém na Rússia
Junto com outro na Alemanha,
(Talvez da antiga Prússia)
Vez por outra me acompanha,
Quer me ler
O que equivale dizer que me escuta.

É impossível não me perguntar,
Se desmereço tua companhia, tão astuta.

Quem sabe eu não devesse me depreciar,
Porém, é lógico: por algum entrave devo me indagar,
Se por tudo em comum que temos
Ainda assim inexiste permuta.

Será arrogância da minha parte acreditar,
Que alguma coisa do que escrevo algo de bom lhe suscita?
E se não for bom, quiçá seja catártico,
Parece improvável que seu peito permaneça estático,
Posso ser, pra você, por demais cáustico,
Mas não aceito crer, que sejas gélida como o ártico.

Reflita,
Se permita,
És aflita?
Emudecida?
Com isso não se cansa?
Permuta: negociação,
Mas também mudança.

Diamante: belo brilhante,
E a pedra mais dura que existe,
Só quero que você escolha:
Se sou digno do sorriso
Ou do dedo em riste.

Creia: tudo o que eu quero é não te ver triste,
Mas nada é piada,
Aqui não cabe o chiste.

Mente e olhar sem corpo,
Sustentam pouco a calma,
Assemelho-me a um louco,
No entanto, ainda tenho alma.

Se grito e fico rouco
Com a efemeridade,
É pelo fato do afeto concreto
E o  refugo abjeto,

Negarem possuir proporcionalidade:
Muitas horas de prazer que sei que acabam
São incapazes de mudar minha realidade,
Mas um centésimo de segundo
Em que cai o meu mundo,
Constitui interminável eternidade.
No que há de mais profundo.


sábado, 19 de novembro de 2011

Renovado e sem respostas

Quis acreditar que tinha te esquecido,
Mas me vens como filme, como sonho,
E tudo volta a ter no que componho,
O dolorido, doido, delicioso e delicado sentido.

Meu nexo, meu senso quer pra sempre ter te perdido,
Mas meu íntimo, complexo, sempre alude a ti,
Se negando a ser reprimido.

Por isso, volto aqui,
Flutuando, sem levantar depois que caí.

Na mais absoluta contradição,
Em que a ilusão,
Me retrata como alguém com o controle remoto na mão.
Capaz de voltar pra cena
E alimentar a autocomiseração da minha alma, que se apequena.

Masoquista quimera,
Jogando (com) dados, minha razão supera.

Meu peito incendeia,
Devaneia, exaspera.
E recupera o lírio encontrado em tua cama
(era uma flor de maçã?)
Enquanto meu delírio repete,
O momento em que vejo,
Após um beijo,
O amor feito no pântano, entre desejo, lodo e lama.

Desperto: três horas da manhã,
Minha respiração,
Enquanto perco a noção,
Me guia,
Como Teseu se giuou pelo novelo,
Enquanto decido se hoje  houve um sonho,
Ou um pesadelo.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Corte Seco ( Ou: de 98 graus, de volta ao zero)

Agora que sei: seguiremos caminhos diferentes
Errei por crer que merecia, pelo menos, uma despedida decente.
Mas se não houve sequer um afago de chegada,
Há razão para ter a saudação do "até logo" esperada?

Por  mais que não pareça,
Sempre fui sincero,
De novo firo meu peito,
Com a estaca zero.

Nunca conseguiu saber
Como me desespero
Talvez nunca tivesse o poder
Para aceitar meu esmero,
Por mais que te incomode,
Meu entusiasmo explode,
Toda vez que te reitero.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Missiva Ampla

Quando te trato por "Minha cara",
Isso é muito mais do que um sinônimo formal para "Minha querida".

Te enxergo assim, em meu próprio rosto,
Imagem espelhada, refletida,
De dor e adoração,
Replicada, repetida,
Circunstâncias ressentidas,
Vontades irreais e ressequidas.

Mais uma acepção se torna clara,
E essa, é inegável que você entenda:
Tendo o brilho de uma peça rara,
Que de valor inestimável se declara,
Sem se submeter por qualquer venda.

No fim,
A cada palavra que em seus lábios se prenda,
Só posso encarar essa realidade,
Como um pedido para que se renda,
Minha fracassada, querida e cara (já que dispendiosa...E quase odiosa.),
Tentativa de proximidade.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Mais, Menos

Faço um grande esforço,
Impossível calar,
Então torço,

Tendo apenas rastros teus, tão pequenos
Desejo o teu bem,
Estar mais e estar menos.

Mais perto do afago,
Afeto certo, decidido e decisivo,
Amor incisivo,
Recuperando certeza perdida,

Sendo mais aberta,
Mais sensível,
Mais sentida,
Percebida,
Abraçada
Querida.
Por quem a tenha,
Merecida,
Mais bem vista,
Mais bem quista,
Evocada,
Ao status de Deusa alçada.
Assumida em um adorador,
Preferida
Mais apreço,
Dignidade de saber que significas conquista,
Contudo, de inestimável e incobrável preço.

Pelas dores que não esquecemos,
Preciso te desejar sendo menos,

Menos suscetível ao alcance da causa do estrago,
Que busca manipular-te, transformando-a em fantoche do desconcerto,
Infecto, ódio que aperta o peito,
Asfixia o respeito.

Menos perdida,
Preterida,
Sofrida,
Destruída,
Destroçada,
Despedaçada,
Ignorada,
Desencontrada,
Contrariada,
Incompreendida,
Agredida, Ofendida...
Vítima do desvalor,
Afogada,
Sumida na dor,
Do desprezo.

É só o que espero,
Sou no que falo sincero.
Que você supere,
O que não for para teus quereres plenos,
E encontre o que minha práxis não pode dar,
Nos veremos, cada um com aquele com quem pode contar,
E nos equilibraremos,
Entregando o mais e ferindo o menos
Conseguindo ver o que sonhamos
Nos brindar.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Resíduos últimos

Textos
Contextos
Contestam
A couraça que contra mim investe,
A armadura que me veste,
Obstáculo,
A dureza que me reveste.

É espetacular,
Me ver, viver no teu olhar,
Receptáculo prestativo ao afeto, limpo,
Desinfecto,
E teu sápido humor distinto,
Circunspecto.

Ciprestes (e morangos silvestres)

Especulo,
No espelho, espreito espectros,
Pecados que dissimulo.

Em meu espolio, espalho epístolas, aspectos,
Repertórios,
E te simulo.

Em palhetas, cores e sons,
Tons sobre tons,
Demarco, cerco e circulo,
Espetáculo ao qual seu nome se preste,
Onde minhas guerras, fomes, pestes
Anulo.

Recapitulo,
Entre minhas parcas memórias campestres,
Terrenas, telúricas,terrestres,
Inglórias lembranças secas, agrestes.

Como eu desejo o paladar terminante,
Nevrálgico,
Sob pretexto de que manifeste,e infeste,
Ter, de mim em diante,
O sabor de te saber,
Constante,
Puro.

Morangos silvestres,
Maduros.

Incontestes,
Nostálgicos,

Com toda a garra,
Os seguro.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Para dias refinados

Enquanto ninguém, depois de ti, chegar tão perto,
Te verei como destino certo,
Do afeto que quero ter e oferecer,
Quase o tempo todo,
Quase sem querer.

Só assim estarei desperto,
Olhos, ouvidos, braços e sorrisos
Abertos,

Aptos para receber
A escrita indescritível,
Dos poderes do prazer.

sábado, 29 de outubro de 2011

Retomando Rosa (e um pouco mais)

Vê que compartilhamos um desenredo,
O deixamos repartido,
Dissenso sentido,
Olhares perdidos,
Construídos pelo (ou sobre)
Abismo de medo.

"A vida é feita de pedaços do céu",
Fugindo do fel,
Via firmamento, lá vou eu,
Voo, antes de navegar:
2.369 quilômetros, para brincar,
Com alguém, usando barquinhos de papel,
Você tem um folguedo de que se orgulhar?
"Pobre de quem não teve o seu".

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Pelo espaço, Por espaço

Fui hipnotizado,
Horário desconhecido,
Olhar embaçado, nebulizado,
Rádio ligado.

Eu sei que explodirei,
Meu controle perderei,
Nada esperarei,
Nada encontrei,
Mas do que vale a pena,
Posso supor que ainda sei.

Não me aproveitarei da sua aterrissagem,
Equipamento obsoleto esse meu,
Fundiu,
Derreteu,

Sem captar sua mensagem,
Incapaz de  reter para mim,
De tudo o que aconteceu,
Mais do que uma mísera imagem,
E o registro, sinistro, de inconclusa viagem.

sábado, 22 de outubro de 2011

Com os botões, entre as pedras

Você sabe,
A cada "oi" nosso, estou sorrindo,
O que fazer com a tensão que escondo ( e que em um só corpo não cabe),
É o que ainda estou decidindo.

Não és pra mim objeto de ontem,
Jornal descartado,
Amassado pelas mãos de outrem,

Mais um dia e seu rubi,
Você sempre com alguém pra estar, amar  ou odiar,
E  eu aqui
Acrescentando outro nome pra pendurar,
No meu móbile feito das faltas que senti.

Eu a ouvi dizer,
Que não há nenhum tempo pra perder,
Pergunto, com meus dedos entre os botões,
A razão de sempre falhar na procura de conexões,
Apontando sempre pra erradas direções.

O que quer que exista (se existe) para além da gente,
Confirma que eu tentei, quase diariamente,
Tirar meus pensamentos da sua frente,

E o que quer que exista (se existe) para além da gente,
Reconhece que eu anseio,
Entre as lentes,
Te ver sorrindo docemente,
E entredentes,
Te ouvir falando calmamente.

Valiosa,
Sábia treinada,
Calejada pela vida,
Respeitada e respeitosa,
Comovente e comovida.

Não sobrou muito pra atacar,
Me fazendo ser percebido,
Eu,
Perdido,
Vencido e vendido,
Me remeto ao tempo,
Em que acreditava poder ser seu,
Espero que tenha ficado divertido.

Para cada passo de nossa essência conflituosa,
Existe um poema, um filho,
Nascido do ventre de mentes emaranhadas,
Do genoma das vozes sufocadas,
Meu âmago quis pra eles uma morada,
O seu, corajosa e simplesmente,
Pulou o trilho,
Da minha parte, pego o trem,
Duas feridas abertas:
Coração e supercílio.


Minha obsessão,
Gargalhadas no meu caminho,
Crueldade e possessividade,
Deixam cada uma, em meu ser uma impressão:
Péssimas companhias de quem se crê sozinho.

Deve haver algum lugar,
Onde você possa parar,
E todo o tempo do mundo tenha, para que te escute desabafar...
Juro, permanecerei para manter teu segredo inviolado, inteiro,
Se não sendo como eu mesmo,
Que seja na pele de um soldado,
Marinheiro,
Mosqueteiro,
Ou qualquer herói de fábula,
Chamado a esmo e lisonjeiro

Sei que és complicada,
Mas, sendo um observador vivo,
Escolho te ver de outro modo,
Em outra forma de adjetivo:

Educada,
Sofisticada,
Dedicada,
Infelizmente por muitos, (excluindo-me destes)
Subestimada.

Ela segue adiante,
Indo, voltando,
Subindo, descendo,
Ao tudo e ao nada,
Ela não sabe que a estive vendo,
Uma noite,
Um mês antes,
Encantadora e embriagada.

Mas no seu mundo,
Se rechaça qualquer outro mando,
Ela segue adiante,
Sussurrando, Sussurrando...

Não sei se é certo ou equivocado,
Querer saber pra onde fostes depois que cheguei,
Mas, se de todos os crimes do mundo for acusado,
Ficarei satisfeito de não infringir tua lei.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A mente (en)contra a máscara - Parte 4

A mente,
Por si,
Segura a semente,
Do que é e do que foi, do que vem e do que vinha.

A máscara,
Masca a cara má,
Escarrando, escancarando, descarando,
A escara que carrega
E contra si mesma, em auto-flagelação,
Ofende o que contém, espezinha,
Aquilo com que contava,
E por definição, 
Definha.

Segundo aforisma da máscara

A mente,
Brilhante e manifesta pitonisa,
Quando tocada e tocante,
Até advinha.

A máscara,
Arrogante e funesta, cínica, ironiza.
Quando quebrada e distante
Permanece mesquinha.

sábado, 15 de outubro de 2011

"Roseano" e sinestésico.

"Esperar é reconhecer-se incompleto",
Saber que serei mais sujeito de mim,
Se me objetivar como seu objeto,
Me sujeitar ao teu jeito,
Efetivar o teu afeto.

Não assistirei a tua queda,
Agindo igual ao voyeur olhando do alto, do teto,
Me nego a me comportar nos mesmos moldes de um parasita, abjeto,
No momento em que preda, furtivo, quieto.


Sua ruína,personificada,
É parte da sina com que sonho,
Por nós, sendo amarrada e partilhada,
Inevitavelmente escutada,
Ouvida em ruído suicida,
Aspirei que fosse apenas inspiração culta,
Constatei verdade antes oculta,
Me enganei, a ansiando olvidada, fendida,
A elegia sonbria, contigo componho.


Te ofereço minhas mãos para amparar,
Mas só viro as costas,
(Desejo e receio: forças opostas)
Sem coragem pro teu sofrimento presenciar,
Assumo o que me incrimina,
Já que, unicamente se nascido em ti,
O ato de condenar me alucina.

Levo comigo, olhos sedentos de encontrar outra retina,
Mas incapazes de ultrapassar,
Não há lugar para alcançar,
Além da fronteira,
Visão coberta por cortina.

Dicotomia certeira,
Que me doma,
Domina,
Descortina o sensitivo coma,
Abomina.

Tudo justo,
Justaposto,
Sobre mim,
Sobreposto,
Pôr ao meu próprio corpo,
Incorporado imposto,
Pra que exista entre nossas almas,
Entreatos,

Pontos de contato,
Diálogos, em olhares e fatos,
Entre ambos sentidos,
Perfumes retidos,
Em duplicados olfatos.

E entrepostos,
De nosso amor, provisórios lares,
Territórios livres em nome dos paladares,
Se tocando,
Tato de dois palatos,
Descobrindo gostos.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sobre Sublimar

Sublimar,
É mais do que evaporar os meus humores tintos,
Expressão de vários significados, distintos,
Idêntico a mim, com múltiplos, simultâneos usos e sentidos percebidos.

Indo além do que se diz da libido
(Nisso consinto),
Acima do ato de implícito tornar,
Esconder,
Ocultar,
Deixar subliminar,
O que sinto.

E te fazer acreditar
Que minto.

Nada disso se volatiza,
Nem relativiza,

O que sou quando te enalteço,
Homenagens teço,
Enfatizo, reconheço,
Ressalto,
Salto,
Te levo ao alto,
Dos santos, lugar,
Te alteio,
Construo altar.

Sendo entidade de franqueza,
Contra a minha fraqueza.

De tua inteligência saliente,
E nobreza silente,
Tenho certeza.

Predicados que louvo em qualquer canto,
Onde me encanto,
Por qualquer caminho,
Todos eles, os quais sublinho.

Mesmo quando me afasto,
Me gasto,
Irrito,
Assanho, nefasto,
Estranho,
O desespero repito,
Exasperado de te esperar,
Pensando em com meus versos te atacar,
A única coisa que termino por fazer,
É te destacar e saber
Contigo levantar,
E me basto.


E com todo acirramento,
Consigo acentuar,
Só,
Elogiar.

E no momento desse elogio,
Falar-lhe o bem,
Que é ter, como ninguém,
Os teus termos,
Povoados ou ermos,
Sublimes ou enfermos,
Para eliminar  o que vem,
Constituir o meu vazio.

Nota a razão pela qual me exacerbo,
Percebe as contradições de um mesmo verbo:

Sublimar:
Adorar,
Elevar,
Em minh'alma te levar,
Em andor, tuas metáforas colocar.

Sublimar:
Permitir escapar,
O brilho fugir, desencontrar,
E fulgás,
Tal qual um gás,
O vapor,
A se espalhar,
Em forma de nuvem, dor
Vindo me acompanhar.

Qual dessas acepções,
Você tinha em mente,
Quando disse gostar de ver
Quem sublima o que sente?

Aguardo o que queres, prontamente,
Ansiosamente,
Em expectativa que arde,
Como a arte,
Que dizes que sei transformar,
E que afirmo:
Você também sabe portar.


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Preto no Branco

Prefiro que você brigue,
Me provoque,
Se desligue de mim,

Assim,
Eu me ofendo,
Me rendo,
Ou entendo,

Me enraiveço,
Mudo,
Faço recomeço,
Ou me desculpo,
Insistindo em teu apreço.

Mas enquanto houver silêncio,
Não posso fingir que te esqueço:
Me preocupo.

Quer só isso, entre o que te ofereço?

sábado, 8 de outubro de 2011

Deliciosa Teimosia

Tarde demais,
Já sei que você existe,
E justo por não saber muito mais, além disso,
Me deixa tão encantado quanto triste,
O teu feitiço.

Pode ser masoquismo da minha parte,
Imaginar que me atiro do precipício,
Mas não enlouqueço, te conheço
E pago o preço
Da lucidez,
Extraio, quando me vês
Apoteótico e patético comício.

Tarde demais,
Já sei que você existe,
Por isso destruo minha paz
Quando vejo que desiste.

Se és quem em silêncio parte,
Enquanto teu peito se comprime ,
Sou quem para ti, faz arte,
Desconhecer isso contigo,
Me deprime,
Quero que tua face se ilumine,
Falho,
Nada me redime.

Tarde demais,
Já sei que você existe,
E apesar do teu espírito arisco,
Suporto o peso e me arrisco,
Mesmo temendo ser mal visto.
Ainda te aspiro,
Fundo respiro,
E insisto.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

"Clarivivência"

É difícil que me transporte mentalmente,
Para minha infância, a  época da adolescência,
Ou qualquer período em que era insensível, menor ou inexistente,
A consciência e o seu peso inerente.

Por causa disso, de novo algo teu me fez diferente,
Melhor, certamente,
A ti, reverente.

Meus dedos, tudo,
Minha língua, nada.
Passo por ti, e também olho a placa modificada,
Fotograma solto,
Palavra, luz,
Imaginada estrada.


Eu tento,
Juro,
Parecer mais maduro,
(Empreitada fracassada),
Sem conseguir esquecer,
Fazer sua vida, em meu escuro,
Emudecer, sem se ouvir,
Olvidada.

Sempre andando,
Atrás de mim,carregando,
Os riscos do afago e da ofensa,

Sigo, decorando,
Na minha alma, copiando e colando,
Assumindo, incorporando,
Citando e recitando,

Uma voz que, sei, em ti igualmente ecoa, no que faz e no pensa:
"Por  enquanto, estou inventando sua presença".

domingo, 2 de outubro de 2011

Retribuição

Ela continua dançando sozinha,
Tentando serena ficar,
Caminha.

Deixando nas palavras seus resquícios,
Retroalimentando em mim seus vícios,
Vidas revertidas em seus fins e inícios.

Ainda vejo a marca deixada pelo seu grande vazio,
Está límpida,
Em desanuvio.

Tenho a pretensão
De achar que entendo algo de sua solidão,
Pelo menos sei  que
Dividi-la com alguém não soa como intimidação,

Compartilhando  o que sente,
O que tem em sua mente,
Ao contrário de quem quero
E por quem desespero,

Da salvação do coração,
Em última confissão
Não se esquiva,

Se acidenta,
Se fere,

Mas nada a impede de ser,
Apesar da intempérie,
Sempre portadora de palavra ativa.

E diz,
Tão alto quanto pode,
Com a força que o cosmos lhe dá,
E que dentro dela explode,
Expelindo expressão sensitiva,

Sofre,
Admite:
Dinamismo,
Diamante,
Dinamite,

Falando com ela,
Qualquer ação imprevista,
Tem a acepção de conquista.

Ela, por mim cada dia mais bem quiista,
Me deixa uma lição,
Em vista,
Significativa.

Mais um desastre do acaso,
Do qual ela sai,
Em todo caso,
Cada vez mais viva.

sábado, 1 de outubro de 2011

Infinitas vezes dez

Nostalgia,
Sentimento que me guia,
E, brotando das frestas
É o que me resta,
Como reconfortante certeza,
Sei que posso e passo
Pelo espaço da bonita tristeza.

Desengano... talvez.

O silêncio pinga,
Na parede, decepção.

Tudo é mágoa,
De onde nasce a dor,
Se acumula a água,
Surge o bolor.

O mofo acumulado,
Anulando o sabor daquilo que vejo,
Fazendo tremer de covardia o meu desejo,
Antes, sempre se fazendo alado.

Respirar é tão difícil,
Sonhar sendo meu vício e meu ofício,
Faz do meu objetivo final
A conquista de cada novo início,
A descoberta de outro seu indício.

A umidade me faz mal,
Essa é a verdade,
Busco algum sinal de afetuosa unidade,
E me desperto,
Para um obstáculo fatal que me afeta,
A humanidade,
Que da alergia da letargia,
Está repleta.

Eu,
De fingida
Já que sem ser vivida

Nostalgia,
Atravesso mas um dia,
Abastecido,
Sentindo, 
Perdido,
Ensandecido,
Como a excelência  silente goteja!

Eu,
Como alguém que a proteja,
Pretendo ser.

Uma pessoa assim exclui dos seus planos a vingança,
Por mais que xingue,
Toda vez que o sigilo pingue,
Calando a ti, junta com minha esperança,
Deixando  ambas emudecidas,
Estando mudas,
Sem nenhuma mudança.




quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Rotação 78

Me acreditava sendo sólido estando só,
Agora, perdido em nó, sigo opaco,
Franco e fraco,
Temendo que seu rosto acumule desgosto,
Que contamina, polui e mal se vê,
Próximo ao pó.

Seu sorriso, fato liquefeito,
Olhar que se solta,
Emite encanto perfeito,

Poder sobre o qual eu, suspeito,
Pouco penso,
Que me faz flutuar
No ar, suspenso
Pra aceitar, estando propenso,
Que quem fala  aqui é que ao outro ilude,
E que teus pecados,
Unem nossos lados,
E são bem mais honrados,
Comparados com minhas virtudes.

Tudo isso, digo, Amiúde:

Te cito,
Recito,
Versifico,
Diversifico,
Reverso,
Atravesso,
Tenho em ti regressivo progresso,
Fujo, fico,
Realizo, mistifico,

E o consigo,
Por saber que contigo,
Permaneço seguindo vivo,
Tendo teu olhar,
Mesmo pensando em me escapar,
Como intenso incentivo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Terra, depois.

Continuo tonto,
Na roda dos sentimentos, amarrado,
Então por isso eu me desaponto,
De te ver em estado alterado.

Não quero acabar sendo perverso,
Meu indicador para ti não aponto,
O que quero é estar sempre pronto
A ter você como alguém com quem converso.

Podes provar com todo o gosto,
Tanto do elixir quanto do veneno,
Sou eu que devo  agir pelo oposto,
E tentar degustar daquilo que condeno.

Mas para reverter essa minha vertigem,
Preciso reconhecer com franqueza,
Desconheço qual dos saberes mais me afligem,
A minha repulsa ou sua beleza.

Qual terra?

É inevitável expor,
O que pela minha cabeça agora passa,
Um dia, cedo ou tarde,
Enquanto navegas pelo mar de água que arde,
Você terá, aos meus olhos, se convertido em fumaça,
Independentemente de tudo que em contrário eu faça.


 Não importa o quanto eu me doe,
(E me doa)
O ato de sentir me atordoa,
Me deixa tonto,
Mas perceber o seu estado,
Saber que aos poucos,
Muito pouco tem me restado,
É algo para o qual jamais estarei pronto.

Minhas lembranças têm se liquefeito,
Tua figura grava em mim,
Um inebriante efeito,

Quero te entender,
Ou se isso é impossível, te interpretar,
Mas enquanto me impressionar só com o que ver,
Estarei aturdido,
Perdido na superfície do meu tosco mundo,
Nunca conseguirei a encontrar,
Em algo que possa sanar,
Nosso descompasso profundo.


Pela admiração que mal conservo,
A busca incessante do teu respeito,
Tento aparentar que me preservo,
E que quase esqueci do meu constrangedor defeito,

Mas, sabes, sou suspeito,
Te observo,
E rasgo meu peito.

Nunca fostes santa,
Disso eu sei
E o tenha certo,
Mas eu me recusei a acreditar,
Que é tão evidente o teu desnortear,
Resvalando em tamanho jogo aberto,
Por isso, quase berrei,
Me notei boquiaberto,

Nós,
Rodeando a lama,
Real, crua,
Nua em pelo,
A cada segundo,

Eu, tentando removê-la,
Sempre me torno mais imundo.

E consciente de que não posso retê-lo,
Meu medo me desperta para um pesadelo,
Que faz de mim
Algum paranoico andarilho vagabundo

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Alguém tem fé...


Surjo, graças ao versículo,
E de saber qual lias,

(Um entre tantos...Minha fé, aos trancos, 
Entre prantos, 
Desencantos,
 Espantos)
E é em ti sentido, tendo verbos francos.

Rumo á tua crente diáspora,
Onomástica travessia.

Voluntária ação épica,
(Quiçá, estética)

Marcialmente,
Marchando para aquilo que cria.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Outro Veludo...

Ao nunca,
Que sempre encontrei,
Já brindei
E cumprimentei.

Você fecha a porta,
Nenhuma outra luz verei.

Quem se importará, além de ti,
Com "pra onde irei ?"
Ou "o que farei aqui?"
Ninguém irá lamentar,
Caso eu chore atrás da porta, depois de me ferir.

Aí vou eu,
De Novo,
Trabalhando duro,
Bancando o bobo,
Assim, ainda sem conseguir entender
De que forma perdi em meu próprio jogo.

Como eu me sinto ao ser amado?
Me perguntaram isso pela primeira vez,
Não sei,
Talvez,
Derrotado?
Minto...
Ainda ignoro o amor compartilhado...

O mesmo que continua odiando o próprio corpo,
E tudo que é exigido nesse mundo torto,
Querendo saber completamente,
O que você e seus amigos conversam tão discretamente.

A morte de um filho imaginado?
O amor feito na cena?

Ela me confunde e sorri,
Provocadora e pequena.

Se for ela quem vem agora,
Tenho que olhar onde piso,
Não sei pra onde estou indo,
Mas espero poder ser o paraíso.

Tentarei me sentir como um homem,
Atravessando a maré comprida,
Buscando ser salvo,
Por uma heroína,
Chamada "esposa" e/ou "vida".

Descobri uma razão para continuar minha existência,
Saber que nada,
Na estrada de qualquer essência,
Está livre dos caminhos que cruzamos juntos,
A minha (in)consciência e a sua consistência.

Me finjo de forte,
Seguro uma carruagem na chuva,
Com as mãos cobertas com as luvas,
De outro Hércules encharcado,
Que pendurei, ao lado do meu passado,
Certo ou errado.

Meu futuro nunca chega cedo,
E é isso que me dá medo,
Ele sempre está atrasado.

Desisto de pensar que eu sozinho me refaça,
"Ajude-me em minha fraqueza,
Pois estou caindo fora da graça".
Já que sou como quem todos os dias se apaixona,
E todas as noites se despedaça...

Seria esse um verdadeiro pecado?
Persistindo em seu pálido olhar calado?

Queria um dia perfeito,
Apesar de crer que não sou esperado,
Despossuído desse direito.

Os anos que desperdiço,
Levando como único compromisso,
As almas que posso vender,
Para ver se consigo,
Só correr, correr, correr...
Pegando ao vento,
Sortes e mortes, dizendo-me o que fazer...

Papel que se rasga,
Ator que se desmonta,
Soldado que se quebra,

Todos feitos da madeira,
Que alguma marcha celebra.

O que eu tenho pra escolher,
Alguns sacrifícios fazem ser,
Difícil de esquecer.
Missões cumpridas,
Com pares de palavras enforcadas na corda,
Tornadas água,  que escapa e transborda,
Ao contrário do pranto, que ela não verte,
E todo o espanto, que tenho e me inverte.
Quando ela concorda.

Cores diferentes feitas de sono e sonho,
Luz e calores,
Pretos e brancos,
Com os quais componho,
Agora e desde antes,
Meu plano
De inércia brilhante,

Quem ama esse brilho?
Nem todo mundo,
Esse é o (maior) único engano.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um certo aeroplano...

Me levou até a tenda de um circo,
(em que tudo é a "simples mente")
Onde pude ver como estás bem desse jeito,
Todo tão pouco que sei de você, respeito.
E podemos ver, aqui, todos os rostos facilmente,
O fato inegável do sonho transparente.

Esse inevitável sentimento
Levado como as folhas, pelo vento.
Olhar dentro dos olhos dela,
Esse é meu intento...
Afável? lamentável?
Não sei direito...

O que eu reconheço ser insustentável,
É  manter a negação de que o instante de sua fala
Representa pra mim momento agradável...
E sobre algo assim, alguém igual a mim não se cala!

Você não irá me ver nunca mais? até o fim dos tempos? você tem certeza?
Tu precisas do que agora eu digo:
Se me rejeitar, nem prosseguirei,
Seguindo então, outro dos meus sonhos comuns,
Sendo uno,
Sendo um,
Unido com a onda da correnteza.

Duvidar disso:
Uma prerrogativa que você tem,
Mas se não for por ti, que seja pra mim mesmo o compromisso,
De que será o que farei,
Sendo, com qualquer outro alguém,
O que  sempre fui anteriormente:
Omisso...

Para quê mascarar minha tola valentia?
De que quero te entender, o dia todo, todos os dias!?

Nada do que quer está errado,
Só espero que além de do mundo apanhar,
Um dia você o tenha, em suas mãos, apanhado.

Pode parecer que enlouqueci,
Que me perdi,
Desequilibrei-me da razão, do meu centro,
Mas, antes de me amordaçar,
Me deixe essas palavras pronunciar
(lamento):
"Coisas boas podem por ser encontradas por aí,
No ódio do sofrimento."

"Alguns acham legal,
Passeio farto,
Brilho,
Paraíso"

Dos disfarces de sabedoria destes, escapo, fujo, quase em dois me parto,

Sabendo que para tal,
Se for preciso,
Até o inferno deslizo.

Tua alma estará protegida,
Livre desse ópio,
Se encontrar dentro de ti,
Teu amor próprio.

Estarei aqui quando o pior tiver se dado,
Verdades tornadas mentiras,
Flores e alegrias mortas,
Lágrimas caindo no seu peito...

Serei o único te tratando com amizade,
No lugar onde ou você é só,
Ou nem é mesmo convidada.

Hoje, quero ser mais do que sou,
Quero explodir e chorar,
Sendo tão complexo esses atos eu conseguir realizar,
Espero poder ter te feito entender
O que essa vontade pode significar.

Tenho dois espelhos,
Um em cada mão,
Sendo bebidos, maus conselhos,
Meu quarto, minha prisão,
Em minha cabeça, a chave e a fiança:
Tua confiança e consideração.

Não tenho mais nada pra agarrar,
Nunca pude caminhar para o mar...
Mas sou alguém ansiando sua canção cantar...
Ignore se te chamarem de mulher vã,
Tu brilhas como o sol,  fazendo a sombra da manhã,
Em que repouso, e ouso, fazer a ti totem de arte nata,
Teu Suor é ouro,
A areia de tua praia, prata,
Óbvio mostrar o motivo pelo qual insisto:
Me fortalece o que não me mata...

Terei feito a chamada pra ti,
Efeito do realizado de repente,
Conheci muita gente aqui,
Mas nenhuma delas é você,
Que me faz  querer ouvir sua voz pra dividir,
Minha euforia sem motivo aparente.

Permaneço sendo franco,
Honesto e lento como nunca foi
O Coelho branco.

Realmente me preocupo com você,
O que te desaponta,
Te afronta,
O que conta
O que vê.

Estou liberto e incontido,
Sairei de perto,
Antes que a dama,
(a quem deixarei, quase certo),
Sem encerrar a leitura desses versos,
Tenha partido.

domingo, 18 de setembro de 2011

Enquanto as pedras rolam...

Não sou nenhum estranho,
Você conhece meu modo de bater na porta,
E me ouve cantando,
Suave e baixo,
Aquela canção que sei que te conforta...

Por volta da meia-noite,
Escutas o açoite
De saber que não é sem sangrar que minha alma lavo.
Levo dentro de mim a doçura sofrida do açúcar mascavo.

Você sabe de cor o meu apelo antigo,
Contra a guerra e a tempestade, te peço abrigo,
Sou tão forte contigo,
Disfarçar isso não consigo.

Tenho consciência dos riscos que enfrento,
Hoje, sinto frio,
Estou alto,
Mas eu ainda tento.

Até ver que as marcas dessa escuridão em mim se vão,
Me recordarei de você, vestida de preto,
Entre as garotas com seus trajes de verão.

Enquanto insisto em querer alguma fala,
Faço do relento minha sala,
Esperando sua ligação.

Agora o chão serve de leito,
Não sei como posso, mas deito.
Há quanto tempo estou aqui,
No limite do ato de rastejar?

Não percebes, divindade feminina?
Estou tentando ganhar.

Vá em frente e acenda a cidade,
Invente tudo o que for da sua vontade,
E independente do errado ou certo,
Lembre-se, eu estarei sempre por perto.

Se você me receber,
Me dignar a ter a sua atenção,
Juro que não volto se não me esperar,
E pego o trem, sem o destino avaliar,
Com sua companhia me levando até a estação.

Sem isso,
Converto a tensão,
Em concentração digna de monge,
Quero tornar a desaparecer em teu espírito
E ir pra longe...

Pro andar de cima,
Depois das escadas,
Uma viagem, um passeio de versos e prosas.
Sonho com o dia em que se confundem todos os nadas,
E em que dirás que me cobrirá de rosas.

Eu,
Um cão  ganindo,
O animal mais doce do mundo,
Só querendo fazer, do que estou sentindo
Algum sentido mais profundo.

Desejando por ti ser protegido,
Ansiando amor concretizado,
Exibindo coração partido,
Caio no jogo da minha juventude,
No qual sempre perco, iludido.

Tento pôr fogo na minha imaginação,
Mas o fracasso parece ser minha missão,
Nada me resta pra atingir,
Nem minha satisfação,
Nem sua reação.

Só sobra o rolar das pedras,
O passar do tempo,
Para terminar por me consumir.

sábado, 10 de setembro de 2011

Jubileu (celebração da coroação)

Salvar-me olhando o silêncio?
Impossível.

Guardo em mim a saudação intensa,
Risível.

Exagerada,
Granada atirada contra o muro,
Obra e graça de amante desvairado e imaturo.

Desfaça-se de todos os conceitos que tem sobre mim,
Eu grito e te constranjo,
(não há outro modo de construir meu arranjo),
Pra saber o que te desnorteia,
E torcer para que me devolvas,
Um petardo que mude o cenário que me rodeia.

Não apreciando meu humor inconsequente,
Delinquente.
Saberei que serás mais um abismo, rocha,
Onde tropeço, e frequentemente,
Caio em deslizes,
"Psicogeográficos" acidentes
Falsas esperanças,
Em que quanto mais quero voar, mais crio raízes,
Novo precalço, tu me cansas.

No entanto, se aceitares que  sou seu complemento reverso,
E que as árvores podem flutuar em meu universo,
Onde o pranto equivale ao orvalho a pingar,

Então, contigo converso,
"Todo Cambia!"
O que quer mudar?

Levo em meu peito,
Tua casa e teu respeito.

Se me exilar aí,
Onde as folhas acobreiam antes de cair,
Serei refugiado consciente,
Que escolheu pra onde fugir...

Não vou negar que quero tua pele,
Embebida em canduras,
Livre de armaduras,
Para tocar.

Mas posso me contentar,
Com o abraço de alma,
Tua agridoce calma,
Pra me confortar.

Sei que minha verve desperdiço,
Que nada terei quanto a isso,
Mas deixe nascer a expectativa,
Manter-se minha inquietação ativa,
Mente viva.

E quero estar, no fim,
Entre as espécies do teu interno jardim.

Eu, ali,
Dente-de-Leão,
Entre pétalas,
Botões e Amores-perfeitos,
Efêmeras e singelas eternidades,
Que preservas no coração,
Por trás do que teu espírito, tão bom, tem feito...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A primeira coroação

Adjetivos delicados,
Ela o dirigia.

Não era amor que ele sentia,
Nem queria,
Nem podia.

Nunca como antes
Ele se pôs a lamentar,
Ter nascido na na época e no lugar,
Mais inadequados que pode vislumbrar.

Queria tê-la olhado
Atravessar os caminhos
De pedras, calos, caminhos e coturnos compartilhados.

Uma das flores que ela cristalizou na eternidade,
Seu desejo, Objetivo,
 Vontade.

De hoje em diante,
Ele se fez cavaleiro andante,
Para desobrigá-la a carregar o peso coativo,
O Autocontrole sufocante.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Priscas Eras





Desde priscas eras
Tu reverberas quimeras,
E outras fantasias geras,
No interior do teu ser,

E cada uma delas,
Me fez saber quem tu eras
Antes de te conhecer.

Desde priscas eras,
Pronuncias palavras sinceras,
E obliteras,

Meu medo de tanto deslizes,
Que desconsideras.

Então, quando dizes,
Por alto, de tuas raízes,
Te invejo, me envergonho,
Pois profanei minhas podres matrizes.

Quando ouço,
Seu elogio me chamando de louco,
A honra me pesa,
Mas a rejeito pouco.

Desde Priscas eras
Me lembras as belas feras,
E que sonhei ser alguma.

O solitário lobo,
O furtivo tigre,
A noturna pantera,
O fauno de tua feérica terra.

E quero pensar
Em você levada pelo vento
Tal qual a leve pluma.

Tendo lembrança gravada em teus olhares cênicos,
Sobre o andino puma.

( "Matriz" de: Segundas Eras)