quinta-feira, 30 de junho de 2011

Aliterações dos xamãs pardos

Literalmente, litros
De líquidos líricos
Orações laicas  ou litúrgicas
Alicerçadas, aliteradas
Nas letras lavradas nos lamentos
Do leite de todos os lábios.

Declamando, elucubrando,
Os louvados lampejos loucos
Dos luminosos locais da luxúria

Libido de línguas lascivas
Lambendo lânguidas lanosidades

Lavando a alma nas lápides
No Olimpo delapidadas
Eliminando  do lar as lacunas,
Limpando alienantes elementos
Com a luz das estrelas laureadas,

Que lancinantes,
De lança em punho colocadas,

Colhem lírios,
Quebram lâminas,
Dilaceram-nas na batalha
Com toda labareda
A se espalhar,
Exasperada.

Na luta
Levam liras
Para canções despertadas.

Embaladas,
Em seus braços
Iguais a amáveis crianças bascas
Envolto em lençol de luxuosa lã e linho,
O futuro e os caminhos
De seus clãs, de suas castas.

Espero que essas lampejantes lecionadoras
Possam lamentar,
Um "basta!"
De cada olhar.

Eu,
Nos meus nababescos atos
Bestiais, baixos, vis, animais
Retumbo meus "ais",
Banais

Na blasfemada combinação
De sarais e bacanais.

Bombardeio minha dor,
Bolinando a imagem no andor,

Baqueado e hipócrita,
Me beatifico,
Buscando babar beletrismo,
Bebido, literalmente, aos litros.

Em um brutal jorro de brusco ardor,
Embevecido, livrar-me
(Lembrando o eu literário do Machado autor)
De um certo bálsamo interior.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

"Poli-Poética" (a.k.a: "o retorno do Nada")

Luar,
Devaneio,
Instante "Onilírico",
Em que todas as liras, Flautas de Pã e alaúdes
Aludem, amiúde,

Ao teu silêncio,
Ao que causas aos meus desejos,
Me fazendo aproveitar ensejos,
Reacender meus íntimos lampejos.

Eu, recordando temores,
Antigos tremores,
Pudicos pavores de auto-preservação,
Talvez, evitando oculta perversão?

Morpheus me levou até você essa noite
Comigo, voltando para a carne,
Só restou o açoite.

E como em outras hipnóticas madrugadas,
Caminhei para abraçar ao Nada,
Açodei meus instintos,
Iguais aos cães de caçada.

Lembrei então,
Que fostes roubada,
E, pelo menos por esta temporada,
Amordaçada.

Pelo furto,
Que despejou ferro,
Derreteu,
Fundiu com minhas chances de ouvir sua suspirante voz.

Orfeu me inspira,
Eu invento assunto entre nós.

Nós diversos,
De versos,
De canções,
Buscando aplacar tensões,
Gritar por uma profusão de atenções
Tuas,
Até os dentes armadas,
Ou mesmo despidas,
Nuas.

Um dia saberá - Tu já és "muitas pessoas":

Um exército de amazonas,
Se lançando,
Portando lanças e laços,
Querendo a flor de Lácio.

Ou Doze,
Como os pares da França
E toda a lembrança
Que tenho de dezembro.

Ou cada nome,
Cada membro,
Da heteronímia de Pessoa.

Os "trezentos, trezentos e cinquenta"
Junto com Mário,
Desvairada garoa?

Pela boca
Não posso dizer,
Mas você descobrirá,
Se me ler.

Hoje sei que aqui,
Como na Alemanha,
Saudade é "a doença de ver"...
Ou não ver.

Tamanha a crise de abstinências,
O excesso de ausências,
Carência de presenças,
De presentes do prazer.

domingo, 26 de junho de 2011

Ovalle, Bandeira, Drummond

Contigo sonhei,
Mas como nunca remememorar-lhe saberei.
Meu sonho inventei:

"Aqui estamos todos nus"
Eu, órfico supus.
Mas, que nada!

Lá se via você,
Despida, porém, mascarada.

- Você me conhece?- Tu disses Pra mim

- Eu quis encontrar-te, te conheço sim!

- Então diga meu nome.

- Não posso dizer... Este delírio é meu, é meu o poder.

- Me recorde uma data que seja "aquela"!

- O sétimo dia do último mês,
São grandes seus olhos,
Lindos como daquela vez...
O que vês, o que vês?
Seja sincera,
Consegues notar como tu és bela?

- Beleza que seja minha?...Me falta percepção.

- Teus infinitos olhares,
Maiores se farão,
Aos meus e os de outros homens
Estranha paixão!

- Tens palavra, cavalheiro?...Não é enganação?

- Palavra alguma até tenho, mas não digo canção.
Tua fala é que é canto e persuasão.

- Me escutas, meu efebo, com quanta atenção?

- Atenção variada,
Por vezes desencontrada,
Perdida na escuridão.
Mas também iluminada,
Como a noite se abrindo,
Diante da minha visão!
"Mundo, mundo, vasto mundo,
Mais vasto é meu coração"...

- Coração que está no corpo...
Tens do meu corpo precisão?

- Perdia o sono toda vez absorto,
Nessa real ilusão;
Faço, em três termos
Uma enumeração;

UM: Teus seios, brilhantes como a lua, profundos como o céu
Astros de dorado lastro,
Frutos mais doces que o mel.

DOIS: Me estendo querendo
Seu firme, exíguo, palpitante
Umbigo
Pulsante, lírico, sensacional,
E que por isso está contido
em tua lira abdominal.

TRÊS: Dias lassos,
Erros crassos,
Me fizeram lamentar
De nunca nos seus braços ter podido chorar.

Antes de concluir o que acima falei,
Acordei.
Não vi ninguém.
"Sonambulei".

Então, desperto lhe chamei:
"A mascarada nua do vale do além".

sábado, 25 de junho de 2011

Suspiros Densos

Moros, o destino,
Desmorona sobre mim,
Qual a razão para tudo ser assim?

Aqui,
Preocupado com consolos,
Tenho sido tão Tolo!

Subjugado,
Vou ao solo,
Vou ao chão
Tudo por culpa de um falar edulcorado, empolado
Que é incapaz de sentir a ação
Possível de transcorrer no teu colo.

E pensar que eu tinha tua libido em minhas mãos...

E me torno eremita,
Piloto em eterno voo solo.
Abandonado pelo desatino,
Cansado como um velho,
Imaturo como um menino.

Ignorado pelo desejo
Embaixo dos meus próprios escombros,
Vejo teu desnudo ombro,
Me assombro,
Medo percebo
Tanto quanto a raiva de não ter sido
Seu efebo.

Me desespero,
Ninguém me espera,
Antes de haver um "ser",
Se antecipa um "era".

Efemérides efervescem
Quero que as noites se apressem,
Morro de enlouquecer,
Moros, a me esmorecer.

Mas é preciso ser mais claro,
Não mais mascaro
O que pretendo dizer.

O ensandecido luar,
Pretendo beber,
Ouso brindar.

Fico a sorver,
Seu fabuloso,
Sôfrego e sofrido imaginar.

Anseio por tua língua dominar,
Lasciva, luxuriante,
Lançar ao fim minha lastimosa forma de no mundo estar.

E eu lambo erótica apreensão,
Onde agora, posso aparecer
Tua proibida gratidão aprender,
E nela terminar por me perder.

De tanto tua devassidão,
(Para mim nova vastidão)
Me surpreender,
Vou te apreciar.

Mesmo sem de ti me dignar,
Me apoderar,
Mesmo sem poder
Te sentir
Te experimentar.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Mais Sua De Todas As Odes

Cantigas,
Que sei serem minhas amigas.

Como eu queria que fossem as gotas de chuva
Caindo como uma luva,
Explodindo como uma bomba
Em minha morada bamba,
Capaz de desabar sobre minha cabeça

Mas antes que eu me esqueça,
Digo com toda a certeza
Que amo as cantigas
E igualmente, amo a condessa.

Chamada como sinônimo de parto,
Causando em mim embevecimento farto.

Eu vi ruir
A linha que imaginava nos unir.

Ela deu as costas,
Para minha odiosa compaixão,
Apaixonada pela simples aparição
De seu vulto no meu campo de visão,

De olhar míope,
Opaco,
Pouco,
Parco.

Ato apático,
Falho,
Fraco.
Antipático.

Vindo de lugar estático.

Estou disposto a ver em socos, carícias.
E em um silêncio, deliciosa canção.

Ainda espero o dia em que sem medo,
Eu, ridículo aedo,
Possa vivenciar tal situação.

Por enquanto,
Em cada risco
Só vejo desenhada a figura da negação.

Mas amo as cantigas,
De mim, amigas confessas

Como espero ser a condessa,
Que inspirou a geração
De uma prole oriunda da minha imaginação,
Poesia frutificada de uma fecundação,
Só possível no território da adoração.

Pela dama fugida
Do gradativo suicida.

Espaço Entre A Dor E O Consolo

Dela, que mora abaixo do penhasco,
Depois de encerrado início,
Tento arrancar canto estentório,
Mas não ouço nada além de bulício.

Som que lhe sói,
Que me dói,
E faz do desassossego
Nosso vício.

Esse burburinho inaudível,
Que ninguém alcança,
E ao precipício não ultrapassa,
Nunca avança,
Me desespera pelo seu alto custo.

Só quero o direito ao acaso,
Do encontro,
Do bom susto.

Do diálogo concreto das presenças,
Olho que vê olho,
Busto contra busto.

Mas essa tem sido uma crua crença,
Luta apática, sem recompensa.

Esforço que desfolega o pulmão
Por trás do torso.

Me contorço em fé surda
Em honra da sacerdotisa afônica,
Calada crônica.

Me consome o remorço de tentar produzir tumulto,
Bulha,
Chegar ao limite do insulto.

Me punge ser tão canalha,
Patife,
Pulha,
Pária.

E apelar para te ver parir a falha
Da fala, que te desnorteia,
Ou no meu mal francês, "desbussola",

Apenas para no meu ouvido não se olvidar
Uma palavra sua
Que me consola.

Meu egoísmo me ilha,
Humilha,
Isola.

Tua desejada palavra
Tudo ceifa,
Nada colhe,
Tudo encolhe
Nada lavra,
A nada alude.

Então, martelo o último ferrolho,
Cerro o que não escolho,
Assim é raro que algo mude,
Me iludo
E fecho a tampa
Do meu ataúde.

Ela e o Desenraizado

"Fevereiro febril" , eu já disse,
Nato, e de fato, seu.

Você, que sabe os cânticos de poeira,
Vindos da minha aldeia.

Como eu pude me esquecer
Que, alfaia tocando,
Sua alma volteia?

Que maracatu batendo,
Ferve em tua veia?

Que frevo passando
E a multidão a pular,
Destorcer,
Destroçar,
Destroncar,
Contorcer
É como rio carregado de saudade a correr?

O frevo ligeiro,
O febril fevereiro,
O amor colombineiro,
Tudo isso é teu por inteiro.

Te é Recife,
Lugar pra se estar em tudo
Vais entrando,
Vai entrudo
O mais bacana
E bacante
Acepipe.

As ladeiras de Olinda desces,
Sempre muito bem-vinda,
Muito mais ainda
Pelas sombrinhas protegida.

Tens tato,
Tens trato,
Tens lida
Para ler a vida,
A comédia profana por Dante preterida,
E por ti proferida e preferida.

"Fevereiro febril", eu já disse,
Nato, e de fato, seu.

Ai, que vil seria se você visse
Que "a vergonha do rebanho",
Segregado rato,
Sou eu.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A "Nerudiana"

Estrela furta-cor,
Na sua transparência,
Andarilha sapiência
Acompanha o Condor.

E o seu fulgor, com paciência
Absorve luz e se esbalda
No verde da pátria esmeralda:
A pré- Colômbia que Neruda exalta
E pós-Colômbia de tua vivência.

A tonalidade se altera.

É essa a quimera, mulher-menina,
De tão esperançosa, és quase esmeraldina.
Ou esperançoso sou eu,
Aquele que tua razão alucina?

Vinda da nação oral,
Retornando de mais uma andança.
Saudosa está, de quando criança,
Brincava em furor vadio.

Estrela verde,
Mãe de Comefrío,
(Mais uma vez, foi Neruda quem essas palavras redigiu).

Alimenta meu mito vazio,
Oco calafrio.
Fruto do desvario,
E da raiva mofina.

Rodopia em meu ser,
Mestra colombina
Mulher-menina,
Ainda não materna
Celebra eterna,
Seu nato fevereiro febril.

Carnaval de espírito,
De alma,
Que não se encerra sem riso infantil,
Sem calma.

Evocação Por Quatro Musas




Euterpe,
Erato,
Clio,
Calíope.

Peço-lhes luz para um devoto míope.

Plena alegria,
Adoração,
Proclamação,
Voz Cantadora.

Eis o que eu sei
Me faltar mais agora.

Música,
Elegia,
História,
Eloquência.

Antídotos sagrados da minha brutal demência.

Flauta,
Líra,
Trombeta
Pena

Instrumentos para enlevar minha alma pequena.

Flores,
Rosas,
Louro,
Ouro.

Seus ornamentos,
Capazes de causar em mim
O fim de castrador decoro.

E oblitetrar,
Minha essência obtusa.

Como todo aquele que dos vossos poderes abusa,
Em toda ocasião,
Se comporta e é.

Não me resta nada a dizer,
Senão
Evoé, minhas musas,
Evoé!!

"Des-prefixar", Lendo em voz alta

De-
Leite
De-
Lirismo
Dê Verso
De luto.

De luta
De luxo
De lividez
De louvação.

Me dê Leito,
Na DeLimitação.

De símbolo
De -
Liberação
De "ato fálico".

De Languidez,
"De-Vagar"
Divertido,
Por versões de versões.

Diversidade,
"De ver cidade",
"Versidade"
Idade do verso.

De êmbolo em mãos, converso.

De Veracidade embolada,
De Embuste,
De emboscada,
De Ambulação.

"De-ver",
Claramente visto,
"De-clarado"
O claro lume vivo.

"De- Compor"
A composição.

"De-Cantar"
O canto

"De-Corar"
A cor e o Couro.

"De-Cifrar",
"De-Morar"
Na língua cifrada do mouro.

"De- mitir"
A mitificação.

"De-Elã",
Agasalhar
De Mérito,
Contra atacar
A "De-Lapidação"
E os dias amantes,
Lapidar,

A tranformação:
"De- Cadência"
Em Candência.

Cicatriz da Memória Com Rimas Pobres

Sei que ao falar da nova dor, você riu.
Em mim, só a idéia de dor já me dói,
Corrói,
Ao ver a possibilidade do vazio,
(Mesmo que fulgás)
Dada pela fuga de sua imagem do meu âmago
Tão senil.

Oro,
Imploro,
Mentalmente Laboro
E elaboro necessária mentira,
Onde o ferimento da fera não interfira.
E se fecunde o riso,
Aplacando minha congênita e nata ira.

Fada,
Entidade feérica.
Tens poção,
Ou Placebo
Que oculte o medo?

Podes oprimir a compressão do meu peito sôfrego, dolorido?
Administrar substância que recupere os sentidos?
As razões,
Os propositos,
Os motivos?

E teu corpo,
Parcialmente desgastado, combalido,
Ainda poderá me dar abraço que sirva de abrigo?

Sei que ironiza, brinca, acha cômico

Mas eu, que adoro sarcasmo,
Não ignoro um arrepio trágico,crônico

Que minha pessimista e temerosa carne
Encarou como desarme

De qualquer garantia na fé,
Na crença,

De que poderia me embriagar
Com a overdose de sua presença.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Símbolos descobertos

De sinal meu,
Não tenho elmo, capa ou caduceu,
Nem nada que me dê poder místico, tântrico, mágico, divino
Ou outro qualquer,

Razão óbvia:
Não sou Mulher.

Não sou estrela tríplice, feita do fluído que gera as galáxias,
Que alimenta a vida e a pode sustentar.

Sou homem, buscando me alimentar
Com Ishtar,
Peito arfando,
Cansaço a pulsar.

Carrego a lança
(Ou cajado)
Da perseverança.

Tenho a alma ressecada,
Sedenta em penetrar no mistério
Beber do Graal,
Cálice etéreo.

Àvido,
Serpenteio procurando
O centro do seu equilíbrio.
Eu, rápido, busco encontrar
O sàpido fulgor de estar perdido,
Querendo supor, pedir o perigo.
Ver a ceifadora colher o áureo trigo,

E próximo a ela, o Lótus, mais do que nunca, lindo.
Há então, outro cálice se expondo
O de uma flor que se abre,
Seu botão se exibindo.

Anseio pelo sonho,
A erótica elocubração
Tudo o que a perseverança procura com sofreguidão:
A feminina e sagrada compaixão.

Que quero sorver em longos goles,
Como se não houvesse amanhã,
Da boca da donzela,
Do seio da mãe,
Da mão da anciã.

Desejando ecoar o que não escuto mais,
Sejam os cantos celtas,
Ou os orgásticos "ais".

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Sete versos

Desde priscas eras,
Te quero sobre mim,
Levantando pela tarde,
Em luz ardente igual ao Meio-Dia,
Eu, quando me julgava consumido,
Nasço revivido,
Como estrela de pirotécnica profecia.

Laço vs Lassidão

Eis o triste laço que nos une,
Não o único, quem sabe, o maior.
Perdão por divulgá-lo em alto volume,
Perdão por sempre pensar no pior.

Então, eis o triste laço que nos une,
Devasso, feito de mau costume,
Talvez por isso realizado com prazer.

Mas é outra acepção que nos pune,
Essa, sim, pondo tudo a perder.

Lasso, de lassidão, com "ss",
Onde nada apetece,
E todo desinteresse
Se mostra bem mais que médio,
É fadiga, cansaço, tédio, sendo este, sobretudo,

Que me deixa mudo,
Ao fracasso fadado,
Como nó mal amarrado,
Assim, na lassidão,
Aos teus pés estou prostrado.
Você e sua depressão, como tudo o que és,
Com meus atos são irmanados.

Nossa melancolia chega ao cume,
E como nenhum de nós se vê impune,
Nesse momento se assume:
Eis o triste "lasso" que nos une.

"EpiGrafittis"

Por não ter a fazer nada mais,
Caço epígrafes:

"Sou nuvem ou folha seca ao vento?"

"Oh, ela sabia cada vez mais"

E afastava dos seus ouvidos
Meus esquecimentos,
Vampirescos lamentos,
A selvageria arfante do meu peito.

Menina caçadora, nua,
"Nas paisagens que imagino todas tuas",

Sou corsário,
Dos loucos sentimentos, mercenário,
Psicografando, "epigrafitando",
No muro, as contas do rosário.

Pensando nos seres que lutam contra o tempo como sendo meus.
Menina caçadora,
Não vá embora,
Adie o adeus,
Veja a ironia que se explora,
Nos "provérbios do inferno",
"A nudez da mulher é obra de Deus",

Qual deles,
Para nós,
Rudes plebeus?

domingo, 19 de junho de 2011

Carta Para Anne H.

Te encontro,
Com seus pés descalços
E polimórfica perversão.

Me chama a atenção:

Vê liberdade no tempo, pra outros prisão(?)
Entidade metamórfica,
Sonho refletindo sonho ="MetaMorpheus".

Construção em teus abismos,
Conectando, abismando os meus.


Atravessamos precipícios
Com pontes se interpondo
Fazendo versos, compondo
Diversificando nossos oníricos indícios.

Iguais aos discípulos de Orfeu,
Eis o que somos,
Você, eu
E qualquer romance belo
Que nunca aconteceu.

sábado, 18 de junho de 2011

Sempre, novamente

Sempre haverão belas canções,
Sempre haverão conexões,
Sempre haverão coalizões,
Sempre haverão colisões.

Sempre haverão acordes,
Sempre haverão desordens,
Dilemas em que pensar.

Sempre haverão sentidos
Em romances proibidos
Que ninguém irá explicar.

E estando eu propenso,
Sempre á esses pensamentos,
Finjo nunca mais lembrar

Sempre quando tenho sorte,
Abro minha alma em um corte,
Sempre sem ninguém notar.

E estando eu diante
De um momento tão pulsante
Sei que vou me libertar.

Sempre, Sempre, Sempre, Sempre...

Caça vs Cassação


Cortejei,
E por demais cortejar,
Tudo amar,
Cassei a caça,
Desisti de predar.

Estático vs. Extática


Eu,
"Estático",
Com "s",
Pra quem tudo aborrece.

Estagnado, Imóvel, parado,
Comtemplo as feridas,
Olho cada cicatriz.

Você,
"Extática",
Com "x".

Embevecida, Inebriada em êxtase,
De um modo que nunca pude ver,
Mas, sempre quis.

A Estrela de Ibsen e as ênclises


Altaneira, Alvissareira,
A estrela emite a boa- nova que deu-se.
Tão rápido quanto veio, foi embora.
"...E a bela visão esvaneceu-se"

Fogo


Se no fogo existe encanto
É pelo fato do calor ter sido extraído do teu corpo,
Meu belo espanto.

Se existe valor no ócio
(que pra mim sempre foi mau negócio)
É por ele se tornar, contigo
Direito compartilhado por merecedores sócios.

Espero o prêmio do teu suor derramado,
Encantado,
Do pranto desaguado,
Nunca visto, mas esperado,
Pra que haja o consolo como fato consumado.

"PseudErotiConcretismo"


Ainda há um espaço vazio,
Onde posso falar do arrepio,

Prazer intenso,
Mas, como proibido,
Mudo, retraído, arredio.

Me calo sobre as ficções
(e subsequentes fricções)
Em variadas frequências, vibrações, cadências,
Como a harmonia dos violões.

Eu não sabendo tocar,
Toco, sem restriçõesl
Na madrugada,
Onde os gatos são pardos

E os pudores, fardos.
Como algum poeta concreto deixou,
Para futuro elogio,
Ócio = O cio.

( "Matriz" de: Depois, Dois: Part

Nada, Tudo, Sempre e Nunca


Te Idolatro,
Como estrela-guia,
Como mestra,
Como outra das minhas irmãs de alma,
Como mulher.

Não se ofenda se eu disser
Que estás em meus sonhos tórridos,
Já que Nada estará neles,
Se eu gostar do Nada,

Tudo estará,
Se eu quiser o Tudo,
Sempre estará,
Se eu delirar como Sempre,

Nunca estará,
Se o Nunca eu puder chamar.

Mesmo que Nada,Tudo, Sempre e Nunca sejam mais meus parentes do que meus amantes,
Me lançarei, buscarei o teu consolo como poucos antes.

Te quero leve,
Igual a uma pluma,
Para saber se posso cobrir teu corpo de espuma.

Te quero pura,
Para compartilhar do teu militado ócio,
Tua candura crua, doçura nua.

Te quero na rua,
Para que esquadrinhes os caminhos,
Onde ando sozinho,
E sua mente construa a saída,
Para me dar o rumo,
Talvez até uma (perdida?) lua.

Em que servem, sendo dois faróis, seus olhos falantes,
Lindos agora,
 Lindos antes.

Que me levam até Bogotá,
Porto Alegre ou qualquer outro lugar.
Em que se componham
Milongas, cordéis cantantes, chorinhos,
Se incendeiem das casas os jardins, danosos e daninhos.
Com o Fogo da língua de Cervantes.

(E dos teus carinhos).

Promessa de Hipotético Futuro Materno


Me prometa que quando tiver herdeiros,
Vais lhes dar teus marcantes olhos,
Teu senso de justiça sem antolhos,
E a consciência dos guerreiros.

Tua transcendente crença
propensa, pelo que pensas,
Á digna indignação.

Teu foco,
Tua Concentração.

E o espelho retorna


Queria ser espelho de tudo o que amo,
Mesmo do amor sem corpo, vindo de outro plano.

Amor basco,
Vasto,
Onde me basto,

Com minha praxe de sofrer antes da partida,
Antegozar outra pontada na alma dolorida,

Só para crer que nada é um tiro a esmo,
Nem o prazer da vida um fim em si mesmo.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Certo Novembro


Você pode até se chocar com meu afeto hiperbólico,
Me arrisco a encarnar o inoprtuno,
Por ser demasiado prolixo, assumo:

Gosto de seus sussurros,
Sua melancolia de bons ouvidos,
Suas dores de transparentes sentidos;

Eu só tive,
Estando em outras estradas
Os sorrisos hipócritas da palavra dissimulada,
O beijo seguido pela escarrada.
A mordida deixando marcas assopradas
Pela pestilência de olhares de faces mascaradas,

Fingindo arco-Iris e Belos dias,
Criando em sua mente, entredentes, tempestades e frentes frias.

É você que tem o que quero:
Toque quente, Abraço sincero.

Me desespero em perder sua pista,
E seu nome ser só mais um em qualquer lista.

Sumindo assim, de repente,
Nebulizado,inesperadamente,
Um gesto seu, todo um instante.
Pedido meu, desencontrado no horizonte.

Eu, desejando ser tua catarse,
Grito primal em cada frase,

Carrego nos ombros o mundo,como Atlas,  
Um planeta que a ti faz menções.
Com suas poucas palavras, pequenas trapaças, canções, convites, grandes desilusões.
Só me atenda, e meu verbo te libertará
Pra que nada te prenda.

Fragmento com trocadilho tolo


Ela
Com suas doses de café
Parece concebida em preto-e-branco,

Não mostra nada além do que é:
Uma felina
(e Feliniana)
Mulher

Capaz de gerar em mim
Uma fulminante e agnóstica fé.

Refletindo o que és


Serei seu espelho,
Jogando dados,
Pontuando vazios.

Alcançar o Paraíso?
Talvez, no seu corpo esguio.

Pequena ancestral de Safo,
Encantadora,como Pandora.

Me faz, só por hábito,
Sofrer de futuro,
Agora.

Canção sem registro (a.k.a "dezembro")


Queira estar,
No mesmo lugar,
Pra que eu possa,
Te fotografar.

Queira ver,
Sempre há de ter
Uma Luz no seu caminhar.

Olha...
Sou a imagem
Da necessidade
Isso não vou negar.

Olha...
Estarei sempre
No mesmo lugar.

Tens a noite,
Nove vidas no ar,
E em Preto-e-branco,
O observar.

Meu desejo
É o seu flutuar
Um só verão, vai me instigar.

Serei tudo o que precisar,
Piada pra rir, ombro pra chorar,

Só pretendo me certificar,
De que de seu rosto
Poderei lembrar.

Olha...
Sou a imagem
Da necessidade
Isso não Vou negar.

Olha...
Estarei Sempre
No mesmo lugar.