quarta-feira, 29 de junho de 2011

"Poli-Poética" (a.k.a: "o retorno do Nada")

Luar,
Devaneio,
Instante "Onilírico",
Em que todas as liras, Flautas de Pã e alaúdes
Aludem, amiúde,

Ao teu silêncio,
Ao que causas aos meus desejos,
Me fazendo aproveitar ensejos,
Reacender meus íntimos lampejos.

Eu, recordando temores,
Antigos tremores,
Pudicos pavores de auto-preservação,
Talvez, evitando oculta perversão?

Morpheus me levou até você essa noite
Comigo, voltando para a carne,
Só restou o açoite.

E como em outras hipnóticas madrugadas,
Caminhei para abraçar ao Nada,
Açodei meus instintos,
Iguais aos cães de caçada.

Lembrei então,
Que fostes roubada,
E, pelo menos por esta temporada,
Amordaçada.

Pelo furto,
Que despejou ferro,
Derreteu,
Fundiu com minhas chances de ouvir sua suspirante voz.

Orfeu me inspira,
Eu invento assunto entre nós.

Nós diversos,
De versos,
De canções,
Buscando aplacar tensões,
Gritar por uma profusão de atenções
Tuas,
Até os dentes armadas,
Ou mesmo despidas,
Nuas.

Um dia saberá - Tu já és "muitas pessoas":

Um exército de amazonas,
Se lançando,
Portando lanças e laços,
Querendo a flor de Lácio.

Ou Doze,
Como os pares da França
E toda a lembrança
Que tenho de dezembro.

Ou cada nome,
Cada membro,
Da heteronímia de Pessoa.

Os "trezentos, trezentos e cinquenta"
Junto com Mário,
Desvairada garoa?

Pela boca
Não posso dizer,
Mas você descobrirá,
Se me ler.

Hoje sei que aqui,
Como na Alemanha,
Saudade é "a doença de ver"...
Ou não ver.

Tamanha a crise de abstinências,
O excesso de ausências,
Carência de presenças,
De presentes do prazer.

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