domingo, 26 de junho de 2011

Ovalle, Bandeira, Drummond

Contigo sonhei,
Mas como nunca remememorar-lhe saberei.
Meu sonho inventei:

"Aqui estamos todos nus"
Eu, órfico supus.
Mas, que nada!

Lá se via você,
Despida, porém, mascarada.

- Você me conhece?- Tu disses Pra mim

- Eu quis encontrar-te, te conheço sim!

- Então diga meu nome.

- Não posso dizer... Este delírio é meu, é meu o poder.

- Me recorde uma data que seja "aquela"!

- O sétimo dia do último mês,
São grandes seus olhos,
Lindos como daquela vez...
O que vês, o que vês?
Seja sincera,
Consegues notar como tu és bela?

- Beleza que seja minha?...Me falta percepção.

- Teus infinitos olhares,
Maiores se farão,
Aos meus e os de outros homens
Estranha paixão!

- Tens palavra, cavalheiro?...Não é enganação?

- Palavra alguma até tenho, mas não digo canção.
Tua fala é que é canto e persuasão.

- Me escutas, meu efebo, com quanta atenção?

- Atenção variada,
Por vezes desencontrada,
Perdida na escuridão.
Mas também iluminada,
Como a noite se abrindo,
Diante da minha visão!
"Mundo, mundo, vasto mundo,
Mais vasto é meu coração"...

- Coração que está no corpo...
Tens do meu corpo precisão?

- Perdia o sono toda vez absorto,
Nessa real ilusão;
Faço, em três termos
Uma enumeração;

UM: Teus seios, brilhantes como a lua, profundos como o céu
Astros de dorado lastro,
Frutos mais doces que o mel.

DOIS: Me estendo querendo
Seu firme, exíguo, palpitante
Umbigo
Pulsante, lírico, sensacional,
E que por isso está contido
em tua lira abdominal.

TRÊS: Dias lassos,
Erros crassos,
Me fizeram lamentar
De nunca nos seus braços ter podido chorar.

Antes de concluir o que acima falei,
Acordei.
Não vi ninguém.
"Sonambulei".

Então, desperto lhe chamei:
"A mascarada nua do vale do além".

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