sexta-feira, 24 de junho de 2011

Ela e o Desenraizado

"Fevereiro febril" , eu já disse,
Nato, e de fato, seu.

Você, que sabe os cânticos de poeira,
Vindos da minha aldeia.

Como eu pude me esquecer
Que, alfaia tocando,
Sua alma volteia?

Que maracatu batendo,
Ferve em tua veia?

Que frevo passando
E a multidão a pular,
Destorcer,
Destroçar,
Destroncar,
Contorcer
É como rio carregado de saudade a correr?

O frevo ligeiro,
O febril fevereiro,
O amor colombineiro,
Tudo isso é teu por inteiro.

Te é Recife,
Lugar pra se estar em tudo
Vais entrando,
Vai entrudo
O mais bacana
E bacante
Acepipe.

As ladeiras de Olinda desces,
Sempre muito bem-vinda,
Muito mais ainda
Pelas sombrinhas protegida.

Tens tato,
Tens trato,
Tens lida
Para ler a vida,
A comédia profana por Dante preterida,
E por ti proferida e preferida.

"Fevereiro febril", eu já disse,
Nato, e de fato, seu.

Ai, que vil seria se você visse
Que "a vergonha do rebanho",
Segregado rato,
Sou eu.

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