Sei que ao falar da nova dor, você riu.
Em mim, só a idéia de dor já me dói,
Corrói,
Ao ver a possibilidade do vazio,
(Mesmo que fulgás)
Dada pela fuga de sua imagem do meu âmago
Tão senil.
Oro,
Imploro,
Mentalmente Laboro
E elaboro necessária mentira,
Onde o ferimento da fera não interfira.
E se fecunde o riso,
Aplacando minha congênita e nata ira.
Fada,
Entidade feérica.
Tens poção,
Ou Placebo
Que oculte o medo?
Podes oprimir a compressão do meu peito sôfrego, dolorido?
Administrar substância que recupere os sentidos?
As razões,
Os propositos,
Os motivos?
E teu corpo,
Parcialmente desgastado, combalido,
Ainda poderá me dar abraço que sirva de abrigo?
Sei que ironiza, brinca, acha cômico
Mas eu, que adoro sarcasmo,
Não ignoro um arrepio trágico,crônico
Que minha pessimista e temerosa carne
Encarou como desarme
De qualquer garantia na fé,
Na crença,
De que poderia me embriagar
Com a overdose de sua presença.

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