domingo, 20 de novembro de 2011

Centésimo profundo.

Parece que alguém na Rússia
Junto com outro na Alemanha,
(Talvez da antiga Prússia)
Vez por outra me acompanha,
Quer me ler
O que equivale dizer que me escuta.

É impossível não me perguntar,
Se desmereço tua companhia, tão astuta.

Quem sabe eu não devesse me depreciar,
Porém, é lógico: por algum entrave devo me indagar,
Se por tudo em comum que temos
Ainda assim inexiste permuta.

Será arrogância da minha parte acreditar,
Que alguma coisa do que escrevo algo de bom lhe suscita?
E se não for bom, quiçá seja catártico,
Parece improvável que seu peito permaneça estático,
Posso ser, pra você, por demais cáustico,
Mas não aceito crer, que sejas gélida como o ártico.

Reflita,
Se permita,
És aflita?
Emudecida?
Com isso não se cansa?
Permuta: negociação,
Mas também mudança.

Diamante: belo brilhante,
E a pedra mais dura que existe,
Só quero que você escolha:
Se sou digno do sorriso
Ou do dedo em riste.

Creia: tudo o que eu quero é não te ver triste,
Mas nada é piada,
Aqui não cabe o chiste.

Mente e olhar sem corpo,
Sustentam pouco a calma,
Assemelho-me a um louco,
No entanto, ainda tenho alma.

Se grito e fico rouco
Com a efemeridade,
É pelo fato do afeto concreto
E o  refugo abjeto,

Negarem possuir proporcionalidade:
Muitas horas de prazer que sei que acabam
São incapazes de mudar minha realidade,
Mas um centésimo de segundo
Em que cai o meu mundo,
Constitui interminável eternidade.
No que há de mais profundo.


Nenhum comentário:

Postar um comentário