quinta-feira, 28 de julho de 2011

A escarlate

Eu me lembro que estou cercado,
E cerceado,
Com infelizes coincidências por todos os lados.

Coletando dados,
Amargos, secos,
Como os vinhos oferecidos pelo menestrel.

Os algozes,
Gentis com o meu lamentável estado,
E omissos,

Ao me ver engolindo o fel,
Colecionando falsos sorrisos.

Estou cansado,
De me posicionar sempre no local errado,
De não ter como presente um fato amado do teu passado.
Entre minhas mãos cerrado,
Lacrado,
Seguro e inviolado.

Enfadado de palavras com as quais me sinto incomodado,
Esvaziado,
Expurgado.

Distanciado do teu falar,
Cromado,
Brilhante,
Micro tonalizado,
Nunca pra mim pronunciado.

Os lapidados sons do teu precioso pensamento,
Nunca por mim tocado.

Da minha lista de ardores  Não declarados,
Indeclaráveis,
Por culpa de conexões indesejáveis.

Quando não mais banquetear-se com teu Vatel,
Sem poder mais (por causa de teus brônquios)
Acompanhar-lhe o tropel e o compasso,
E se lhe enganar o passo dado em falso?

Quando não mais recorreres ao saber de Platão,
Sem nem razão,
Pra carregar em teu ser os pergaminhos da lição
Que ele te deu.

Serei ombro,
Cabelo, suor e pele,
Onde conseguirá se confortar,
E ocultar,
A vermelhidão dos olhos teus.

Ou esperarei ser,
Antes que o cotidiano,
(E seu poder tão desumano)
Me afaste do prazer de te ver,

A mais carmim imperatriz,
Se lembre de mim quando tiver uma cicatriz.

Eu, veterano, apesar da pouca idade,
Lhe digo em verdade:

Fui,
Sou,
Serei feliz.

Enquanto recordar de um nosso
Vis-a-vis.

Nenhum comentário:

Postar um comentário