sexta-feira, 29 de julho de 2011

Irresistivelmente: Nº 1 - Digo e fico.

"Não vou começar,
 Não vou começar"

Ainda assim, pego a caneta,
Mais um dilema para administrar:
Outro cumprimento
Que me comprometa.

Temendo o silêncio,
Calo,
Minhas moedas,
Meus valores,
E matérias-primas
Indo do bolso ao ralo.

Meus pavores,
Incendiários e sinceros
O fogo a queimar meus dedos,
Vindo de isqueiros amarelos.

Minhas reciprocidades,
Sempre frustradas,
A pele quente,
As palavras frias,
Desejadas e suportadas.

A voz que me preenche,
E da qual me recordo com encanto,
No entanto, não equivale
Ao verter do visto pranto.

Uma melodia agridoce,
Certo caráter tétrico,
Coisas emanadas da sonoridade
Das quatro cordas do baixo elétrico.

A desobediência aos mandamentos,
Os insistentes arrependimentos.

Quero escapar das relações impostas,
Receber um bom susto,
Abraço dado pelas costas.

Desejo  me livrar do cinismo,
Me forçar a fuga pulando o abismo.

Tudo o que o afeto representa:
Fazer um nome ser mais relevante do que quarenta.

Todos os meus choros contidos,
Todos os passos mal fingidos.

Nas minhas mãos,
As linhas da meritória lembrança,
Em deglutição,
Minha própria ignorância.

E é a partir disso que crio:
Descer garganta abaixo,
O sabor do vazio.

Encontrar as maravilhas do país,
Mesmo sendo o apressado coelho,
Esperar com desértica sede,
Um caminho, um conselho.
Vindo da imagem que ofereço
Através do meu espelho.

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