Nós,
Milhas náuticas,
Oceanos de distância
Conscientizando adorações,
Dores, aproximações
Desnudando discrepâncias.
Nós,
Marinheiros mareados de concreto,
O baque surdo,
Golpe baixo,
Abjeto
De nada concretizar,
Eterno ser incompleto.
Nós,
Laços,
Enfeites secretos
E outros efeitos, discretos
Repletos de abraços não dados.
O choro,
O pranto rolado,
O (de)leite, sobre o peito derramado,
Decorado, sabido de cor,
No coração guardado.
Em mim, mais que o ciúme represado,
Vence o respeito,
Nada afoito, afeito e desapegado
Amor é direito de ser buscado.
É torto,
Se finge de morto,
Se for intrometido,
Só introjetado,
Missão invasiva,
Torturando o que nem foi tentado...
Preciso de mais paciência,
Quem sabe até da decência,
De saber libertar,
Se aprende,
(E é algo do qual, eu sei, não se arrepende):
Sendo erro aprisionar,
A quem realmente
É do seu gostar.
Deixa estar,
Se há de fato,
Um feliz olhar
Em quem decide ir
Quem quer bem percebe
E ao natural, concebe
Um acenar e sorrir.
Eu deixo ir.
Deixando com quem parte,
As pegadas e a arte
De quem quer voltar,
Se voltar preferir.
O carinho é circular
Como caminho feito
No navio a zarpar,
No horizonte a seguir.
Mas não é sobre-humano
Como o oceano,
Pode ocultar,
Sem fazer sumir.
Achará seu lugar,
O acalanto, o conforto,
Assim como todo velejador,
Tem o seu porto.

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