domingo, 18 de setembro de 2011

Enquanto as pedras rolam...

Não sou nenhum estranho,
Você conhece meu modo de bater na porta,
E me ouve cantando,
Suave e baixo,
Aquela canção que sei que te conforta...

Por volta da meia-noite,
Escutas o açoite
De saber que não é sem sangrar que minha alma lavo.
Levo dentro de mim a doçura sofrida do açúcar mascavo.

Você sabe de cor o meu apelo antigo,
Contra a guerra e a tempestade, te peço abrigo,
Sou tão forte contigo,
Disfarçar isso não consigo.

Tenho consciência dos riscos que enfrento,
Hoje, sinto frio,
Estou alto,
Mas eu ainda tento.

Até ver que as marcas dessa escuridão em mim se vão,
Me recordarei de você, vestida de preto,
Entre as garotas com seus trajes de verão.

Enquanto insisto em querer alguma fala,
Faço do relento minha sala,
Esperando sua ligação.

Agora o chão serve de leito,
Não sei como posso, mas deito.
Há quanto tempo estou aqui,
No limite do ato de rastejar?

Não percebes, divindade feminina?
Estou tentando ganhar.

Vá em frente e acenda a cidade,
Invente tudo o que for da sua vontade,
E independente do errado ou certo,
Lembre-se, eu estarei sempre por perto.

Se você me receber,
Me dignar a ter a sua atenção,
Juro que não volto se não me esperar,
E pego o trem, sem o destino avaliar,
Com sua companhia me levando até a estação.

Sem isso,
Converto a tensão,
Em concentração digna de monge,
Quero tornar a desaparecer em teu espírito
E ir pra longe...

Pro andar de cima,
Depois das escadas,
Uma viagem, um passeio de versos e prosas.
Sonho com o dia em que se confundem todos os nadas,
E em que dirás que me cobrirá de rosas.

Eu,
Um cão  ganindo,
O animal mais doce do mundo,
Só querendo fazer, do que estou sentindo
Algum sentido mais profundo.

Desejando por ti ser protegido,
Ansiando amor concretizado,
Exibindo coração partido,
Caio no jogo da minha juventude,
No qual sempre perco, iludido.

Tento pôr fogo na minha imaginação,
Mas o fracasso parece ser minha missão,
Nada me resta pra atingir,
Nem minha satisfação,
Nem sua reação.

Só sobra o rolar das pedras,
O passar do tempo,
Para terminar por me consumir.

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