domingo, 2 de dezembro de 2012

Retalhos De Medos Dominicais

Lavando debaixo do sereno,
Aquilo tudo que quis e não sou,
O ódio de ter apenas o eterno e incompleto aceno,
De quem não merece estar onde vou.

Me selar,
No pretenso lar,

Prisão,
Me pesa,
Extrema unção é a única reza,

Parece,
Apenas fora de mim tudo acontece,
Quem aprecio,desaparece,

A me fazer,
Presa da certeza,
Ao pressionamento fadado,
Em todo e qualquer traço,

E do abraço,
Um abstinente viciado.






Fim.

 O adeus calado de quem fica,
A simplicidade de quem complica.

As partidas acumuladas,
E intocadas,
Despedidas escritas,
Aflitas.

Sabe que antes de nascer,
Será tarde.

Ele, o sol,
Ou qualquer acróstico feito sem se perceber,
Com a palavra, "Arde".

Observador transtornado,
Tornado distanciado,
Absorvido pelo não vivido.

Cada vez um pouco mais morto,
Toda vez que se vê permanecendo no porto.

Ele sabe quem desaparecerá inevitavelmente,
Acenando, lentamente.
Desnecessário que alguém lhe conte.

Não mais verá um certo olhar,
Sumindo no e com o horizonte.

Destinado, em toda cena ao papel de vítima.
Saber que toda vez de se vivificar
Será a última,
É o que lhe cabe verificar.





sábado, 1 de dezembro de 2012

A Saber...

Também quero tocar alguma alma,
Mas só tenho o que a canção nega.

Uma nefasta fauna,
Em seu ser, segrega:

Com pesar,
Trauma,

Com temor,
Medo.

Sem acabar tão cedo.







(Inspirado por:Arnaldo Antunes - "Alma" )

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Depois Da Bonança, Tempestade.

Não adianta fingir que se manterá diante de mim
O teu contorno,

Que tudo será igual, agora, assim,
Ao meu entorno.

Que só pra variar,
Iria se perenizar
Algum retorno.

Será como ter que a mim mesmo vomitar,
Evidentemente,
Junto ao meu vazio,
Nem quente,
Nem frio,
Tecido rompido,
Morno.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Quatro Mãos, Duas Vozes*

Inspira,

Pira,

Aspira,

Respira,

Transpira,

Suspira...

Ira?

Ira?

Dependerá...

Mas o fato,

No ato,

É que irá...

Á!

Touché no jogo de cartas tocantes e trocadas,

Marcantes e marcadas,

Escolhendo entre o ás de copas ou espadas.

( *Com Juily Manghirmalani: http://juilymalani.tumblr.com/  )





Com/Para Outras Duas Mãos

Dizem que o sol, feitor dos dias e dos verões,
Sói* ser solidário sobre as solidões.

Diante dessa constatação,
Só me resta calar,
Minha boca incauta.

A lamentar,
Pronto a dar,
Em sólida mentalização,
E por falta,
Todas as canetas que gastei em vão.

(* do verbo "Soer"= Costumar).


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Parti(da) Pris

Posso estar sendo vão,
Chamando isso de amor.

Aos entendedores, por favor,
Uma solução para a equação:

O que irá resultar,
Da união,
Em se mesclar,
Desejo e admiração?


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O Que Dizer?

Duas mulheres se falam
Sobressaem em ser o que são, depois de um poema.

Minhas ignorâncias,
Fundo ao dono calam.

Já que possível, se repete um velho problema:

Da minha ciência saber,
Que de não  poder em feminina se verter,
Desconhecer  por  reconhecer:

Restarão somente vãos
E apenas
Invejas e penas
Como fatos certos
Errados em crerem despertos
Os tais símbolos descobertos.


Acreditem, eu queria entender,
Tudo o que meu olho ao ler, ouviu:

Dor,
Martírio,
Exílio
Mais belos que meu costumeiro vazio.




domingo, 11 de novembro de 2012

Quem Se Ausenta, Dissente?

Aqui estavam os ouvidos
Agora partidos.

As vozes extraídas das bocas,
Roucas,
Autocríticas
Aristocráticas,
Autoritárias,
Poucas

Tornaram os sons cinicamente olvidados,
Sumariamente esquecidos.

Os ouvintes, feitos surdos com os estampidos,
Atirados contra os tiros,
Retirando seus suspiros
De dentro dos peitos feridos.

Será que com  nenhuma gota de sangue,
(Para além do que me vem)
Eu interfiro?

Me referindo ao combustível para aniquilar,
Apressadamente depreciar
O Teatro dos vampiros?

Miro o presente que me ultrapassa,
O vazio transpiro, em febre que não passa,
E cada vez mais fumaça
Aspiro.




sábado, 10 de novembro de 2012

2007-C: Abismo Tênue

Notívagos,
Por conta da inércia do dia,
Revolucionários,
Mas, por enquanto, só na teoria.

Acídicos ?
Melancólicos?
Macambúzios?
Deprimidos?

Ou apenas descrentes com desconhecidos?

É como achar agulha no palheiro
Encontrar alguém que saiba de algum brasileiro
Que nunca teve que cair primeiro,

Para saber contra quem
(Seja algo ou alguém)
Luta o tempo inteiro.

Uns humanos jejuaram como resistência,
Outros, que não comem,
Enfrentam, sem total ciência,
Uma batalha onde não há  clemência.

Guerra contra as fomes,
De alimento, de afeto,
Ou consciência.

Do não saber se manter vivo,
E se ao  morrer, se vê sentido.

De ter que brigar por abrigo,
Ou em nome de quem?

Se toda ação carrega reação,
Pra onde olho?
O golpe,  de onde vem?

Se o que falo é nulo,
De antemão, já capitulo.

Se existe remédio,
É para qual doença?
A que domina quem faz?
Ou acomete quem pensa...?

Na falta de solução,
Esmigalham dó, comiseração.

Vidas...
Espaços vagos na multidão.
Sonhadores céticos
Em contradição.

Revoltosos,
Revoltados,
Possíveis estopins de insurreição

Mas estáticos,
Apáticos,

Aparentando ter a razão do problema e a salvação,
Mas sem a semente
Que gere a compreensão.

Entre os que sabem o que falam,
Porém não vivem.

E entre os que não sabem que pensam,  e por isso se restringem.
Se calam, se fecham,
Inibem.








2007-B: "O Kyklos"

Cavalgadas noturnas,
Nada soturnas,
São pouco mais que adolescentes
Apenas contentes,
Entre tantas, mais uma turma.

Todos estão envoltos,
Extrovertidos,soltos,
Vestindo lençóis brancos
Fingindo-se santos
Aos vizinhos assombrados

É a sombra da noite ou um rapaz montado
Que assusta o desavisado?

- Eles são do Circuito!
Grita alguém no intuito
De dar o alarme

O povo em desarme,
Empalidece.

Há um que corre,
Outro faz prece.

Os cobertos,
Incertos, desentendidos,
Desconhecem o ato aturdido,
Do povoado humilhado.

Aquele circuito entrou em curto,
Mal aquele fato,
Tornou-se passado.

Os logo ex-meninos,
- Sádico destino -
Haviam se transformado,
De cavaleiros displicentes,
Nos mais tementes
Assassinos do prado.

A guerra havia chegado e terminado.
O arraial liberto,
Composto de sangue dos antigos escravos,
Ao supor o fito,
Não se viu mais aflito,
Se sentindo aliviado.

Mas os tiranos,
Grandes latifundiários,
Arregimentando mercenários

Pagaram uma fortuna
(Já que sempre abastados)
Pra ver caírem, uma por uma,
As cabeças dos alforriados.

Treze campos sitiados,
Foram os palcos do mórbido brilho,
Daquele martírio,
Tão semelhante ao de Cristo,

Dito como bem quisto,
Mas nunca visto
Como exemplo praticado,
E igualado sim, com o diabo,
Nos atos daqueles homens odiosos e odiados.

Que tiveram ode
(Já que não manda quem está certo, e apenas quem pode)
Ao nascer de uma nação,
Onde fantasmas mereceriam adoração,
Fazendo amarguras no suor de uma secessão.

Estavam no topo,
Mas seu mundo oco,
Como um castelo edificado em alicerce pouco,
Desaba,
O terror acaba.

Alguns entre os cavaleiros,
Percebem, espantados,
Os horrores primeiros.

Razões, guardadas entrementes,
Que mesmo honestamente, ainda inocentes,
Podiam crer que apavoravam,
Cada vez mais a descalçada gente.

Havia ali previsão de futuro,
Branco,
Mas feitor de alvos, impuro.
Se manifestando previamente,
Rente aos impotentes.




2007-A: "Tele-Sofia"

Perdidos?
Todos estamos,
Talvez por hoje,
Talvez por anos.

Sou eu ou toda gente?

Que olha uma ilha, miragem
Em estado de natureza,
Mas ainda sem certeza
De ser só um bom selvagem.

Engenharia social
Utópica
Nas estrelas sagradas
Góticas.

Enumerações pecaminosas,
Psicologia intra-venosa,
Psicopatia como um "TAO",
Moralismo irracional.

Mutações polarizadas
Na casta castração real,
De uma casta universal
Em todas as tábulas rasas.

Hiper visualização do irrisório,
De tudo aquilo que é irrisório,
Conservando o falatório,
A filosofia do notório,
No orgulho do contraditório.

De uma ciência salafrária,
Paga, vaga,
Falsamente pagã.

Física vã?
Só você vê
A geometria avarenta em que

Tudo se encaixa:
Teu futuro está dentro de uma caixa,
Esperando comida.

Pressionando botões iguais,
Feitos pra negar a vida.

Apertas o botão da arma,
Obedecendo o carma,
Estando a mira apontada,
Para tudo o que é nada.

Patriota da nação errada,
Terra infértil, abortada.

Vermelho mutante,
Ditador claudicante

Da matilha,
Da manada,
Massa manobrada.

Mas escute, de agora em diante:
Tirano pedante e distante,
Antes dragão,
Agora arfante

Foste domado
Pelo presente do passado
O futuro vigiado,
Deserto ilhado

Em que sou questionado
Sobre o paradeiro e o estado
Sobre um grupo de naufragados
Na ilha de edição
Do mundo globalizado.

Como ficamos?


Perdidos?
Todos estamos,
Talvez por hoje,
Talvez por anos...


O Caderno Azul, O Cabelo Vermelho

Ter  uma bolha,
Como escolha,

Para se ater,
E não temer,

Que o urro,
De voz crua,
Ou pele nua

Nunca se evidencie
Perto demais de onde,
Ninguém o aprecie.

Desejo:
Um descarrilado bonde.

Lampejo:
Ferro em brasa contra a pele que arde.

É tarde,
Mas sigo,

Você não foi fabricar nuvens comigo,
Quando quis "Avant-Garde".

Minha cabeça pode explodir...
Ou não...
Eis minha grande ambição:

Pedir verso,
Diverso em quem se negar a ser omisso,
Pra declamarmos
Ou reclamarmos
Sem compromisso,
Qual o problema nisso?




sábado, 3 de novembro de 2012

Sem Que Antes Se Avise

Me atrevo
Evidencio:

Escrevo
Enquanto não vivencio.

Presenteio,
Nunca presencio.

Assumo o simulacro acontecendo
O lacre segue se rompendo.

E de lá, sai a mais real fantasia,
Quando se hipertrofia,

Para pôr em crise,
Toda  hipocrisia.



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

De Volta Ao Teu Nome

Tinha morangos,
Mas os sabores eram poucos.

Prefiro te relembrar com os pierrôs mais loucos,
Esculturas de barroquismos roucos.

Então, pra te manter entre os meus agoras,
Finjo ser demônio,
Escravo de algum feromônio
E apareço só, quando contadas onze horas.



Derivado de: Ciprestes (E Morangos Silvestres)



domingo, 28 de outubro de 2012

Amálgama de Algumas Gamas


Meu tédio não é “enquanto”,
É “quando”
É antes

Escrever
Pra combater

Desencantos
Reinantes

Infernos
Internos

Onde cabem incontáveis Dantes.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Aperto de Mãos (E Esperados "Anti-Nãos")

Era um seguidor sorrateiro da tua estrada,
Furtando os frutos
Idos, (Ir)resolutos,
De alguma semente alada,
Feita de substância adjetivada.

Enquanto minha presença se ignorava,
(Entre encabulada e preguiçosa, caminhava)
Podia me apoderar de tudo que ali estava,
Me possuir em tudo que encontrava.

Quer trauma ou calma,
Flora ou fauna,
Lavo minha alma

Em lava,
E meu peito se escava.



sábado, 20 de outubro de 2012

Impasse Ou Práxis

Agora sabe
O que lhe cabe.

A razão de só as primeiras tentativas terem sido boas:
Interessam iniciativas,
Quando não se vêem mais pessoas?

Quem  há de mirá-lo
(Ou simplesmente vê-lo),
Terá alguém capaz de desvelar,
Se emaranhando em qualquer novelo.


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Quando O Verbo É "Te"

Era horrível,
Sempre falível,
Tudo  indizível,
Quase igual,
Dizimável.

Havia também
O complicado
Inenarrável,
Cheio de arranhões, 
Interminável.

Como ser justo,
Descobri,
Com muito custo,
Evoluí
Em relação ao que defini
Por nó na garganta, porém palatável:

Silêncio querido.
De gosto composto,
Desejo constituído,
Em que bebi,
O afável, também  inefável,

Tal e qual vi
No  teu rosto.



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Paralela Rara

É chama personificada.
Foi chamada,

"Poeta certa do cerrado"
(Não será poetisa?)
De qualquer forma, fato:
Se divisa,

(Des?)Equilibrada,
Bipolariza.

Entre o doce brado,
O áspero significado,
Uma seta ao apaixonado,
Quem sabe, punho fechado.

Dona de incertezas vívidas,
Fala de mulheres líquidas
Me mantêm intrigado
Sobressaltado.

Como quem de/para/com
Mudança eventual para um estado,
Volátil concretizado,
Ou alguma surdez nesse tom.




terça-feira, 9 de outubro de 2012

...Ou Nada

Dualidades de novo
Em mim
Ou assim,
Por volta:

Quem me escuta,
Ou quem me escolta.

Resíduos que me abrigam onde residem,
Ou de quem me tranca,

Em flor,
Bela que ao meu olfato apela,
E/ou Espanca.

De quem, tal qual a vida, passa
Ou permanece pra encarcerar minha carcaça.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Hoje, Por Ontem, Desde O Ano Passado...

"Outubro ou nada":
Novos papéis,
Novas palavras
Pra águas antes navegadas.

Mergulhar,
Em reverência?
Referência?
Reminisciência?

Ou me embriagar
Com copos e copos de essência?

Nadar e me afogar
Dentro da embarcação?

Tomar e ser tomado das reticências,
Que se acumulam,
Quase de tanto repetir, se anulam,
Já completando um estação de de duração.

Sempre me será inverno,
O velho medo de tornar eterno,
O armamento da putrefação.


sábado, 29 de setembro de 2012

A Má Temática

Incertas horas de setembro,
Meu problema:
Pouco sei, muito lembro,
Variações sem tema,
Tal qual um corpo sem membros.

Todo afeto que conheço,
É  irmão siamês de uma crise,
Cuja origem estabeleço,
Embora nunca localize.

Economia?
Talvez eco em compressão...

Geografia?
Escrita da queda sobre o chão...

Somos o que somos ?
Nós, dores ?
Cores, Valores?
Forcas, Fraquezas?
Voláteis Vapores?
Certezas, Gomos?
De Dourados pomos?

Talvez não...

Somos o que some,
Quando perdemos o nome?
Somando subtração?



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Derme - Me Deram ?

Se uma boca te toca,
Afeta,
Completa.

Se abraços abarcam todo o encontro,
Achamento,

Eu, nem migalhas disso vejo,
Tenho por Lampejo,

Lamento,
Em que os fragmentos,
Furtivos,
Nunca esfregam a chance de ser algo depois dos meros atos discursivos.


Te invejo em poder
Conceber, de um olhar, as desejadas partes.

De meu,
Lastimo unicamente oferecer,
Sendo o que me impele,
A certa pele de que falou Barthes.

Trago, unidas aos meus ais,
Minhas falanges verbo-manuais,
Dos dedos e dos medos,
Nada mais.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Oportunismo Meteoro-Lírico

Uma estação
Invertida,
Convertida em negação:

O que era pra ser,
Agora, impossível ver.

 InVERnÃO
Inverno quente,
Passa seco,
Direto,
Dentro
Rente.

E arrasta em constante repente,
O indisposto em visão.

Sem olhar
Nem molhar,
Inato
Em desnaturalização.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Armadura Abstrata

Cartas nunca escritas,
Jazem, já mais aflitas.

Meias luzes, no entanto, Infinitas.

Ritos de irritações interditas,
Entre continuações, nuas e incontidas,
Ditas,

Pelas retinas retidas.

Peço que reflitas,
Tu, que exercitas,
Excitas, citas,
Mas não hesitas.

Enquanto eu me recolho,
Quer pelo obstáculo,
Ou pela consciente ação que ponho diante do meu olho
(O melhor receptáculo),
Qualquer desses:
Escolho.




226 (Esc)Ombros

As sombras são,
O que sobra, resta, recai,soçobra,
Repousa,
Quando ousa
A Obra?

Assombrar
Por cobrir,
Acompanhar
Quem cobra?



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Carma Clínico

Tudo o que tenho
De todos que quero,
De cansar, espero.

No decantar,
Nalgum canto desespero.


Em papel, desenho,
Na pele, tatuagem,
Na luz, um peso, "Foto-grama",
Todo meu empenho,
E nada retenho
Para além de uma imagem,
Nunca tecer,
Ou ter sido inteiro,
Espelhos,
Telas,
Janelas,
Nenhum cheiro.

A única cor que decorei,
É a dos meus olhos quando vermelhos.

Exagero nesse cancioneiro?
Sempre há em quem perde a calma.

Em vez de ser virtual,
Quisera eu ver tua alma.



sábado, 8 de setembro de 2012

E Os Naipes?


Você me apresenta três valetes:
Nada mais do que aqui vem me compete.

Em manter minha sensação vibrante
Desde muito tempo, ou doravante,
Só posso concluir que falho,
Sou mais um descartado do baralho,
Mesmo sem morrer aos 27.

Se você tenta,
Eu atento contra mim.

No fim,
Entre a arte e a vida em  seus olhares,
Sigo cego,
Simples e seco,
Assim,
Enquanto em entusiasmantes inocências ,
Tivermos ausências,
Enterrando os pares.






quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Mais Que Um Algarismo

O que começo a esquecer:
Seu cheiro,
Exalando no ar,
Que eu quero tocar,
Pra acarinhar ou socar?
Não sei responder.

Digo que teu perfume,
Certeiro,
Faz com que me acostume,
Primeiro,
A ver que ele ecoa, igual ao meu vazio, de semblante fechado, e braços abertos.

Estarei com os sentidos despertos,
Acordados de um coma,
Graças a um memorável aroma
Indolor,
E ao silêncio que me toma,
Ensurdecedor.






quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Elipse Do Eclipse

Disseram:
Decida!
Ele desceu,
Desobedeceu,
Sem plano,
Cansado,
Quase tal qual Caetano,
De optar na vida, 
Pelo incerto 
E o Inseticida.



Entrópicos de Câncer II

Lembrou-se:
Agonia lhe trouxe
Salvação.

Quis escrever "oblívio"
Em vez de "opróbrio",
Embora, agora,
Com certo alívio
Lhe soasse prova do óbvio,
Que esse erro de acepção,

(Dado da pressa, não?)

Tornasse implícito,
O virtual início,
De toda opressão,

Que põe qualquer elemento,
Com ou sem justo indicio,
Deparado, sobre si mesmo,
Diante do esquecimento,


Servindo assim,
Ao próprio algoz atroz,
Como munição,

Para quem segue impondo,
Por princípio,
Sendo um vício,
O precipício,
Engolindo o disposto em oposição.

(Deu-se então,
Por pronto,
Sem resquício,
Esse exercício
De elaboração)

Derivado de Entrópicos de Câncer




quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sutil Atrevimento

Brindemos,
Com as xícaras que agora temos,
Os goles do universo,
Imensidão que nos contém
Sem nos contermos.

Assim, contigo converso,
Enquanto te endosso,
E minha dose adoço,
Me perguntando se posso,
Enquanto a converto em verso,
Estar na história de nos pertencermos.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Sem Negar o Ócio

No que consiste acordar cedo,
Sem se sentir acordar sendo?


Onde?

Temo pelos desaparecimentos
De seus delírios, líricos pensamentos,
E subsequentes movimentos.

Terão perecido?
Enrijecido?

Quando vivos,
Em  qualquer momento,
Sou um dos que os visualizam.


Porém, lamento,
Se estão tal qual cimento,
E assim, nada concretizam.





segunda-feira, 13 de agosto de 2012

217 Concussões

Sem livrar-me de escapar,
De contra a vontade, em verdade,
Evadir,
Em desgosto,
Perder direito ao abraço,. ao rosto,
Simultâneo,
Consecutivo,
Sobreposto.

Mas afetam o afetivo,
Depressa, o tornam depreciativo,
Em queda,
Flor da pele,
Rumo ao subterrâneo,
Destruído, descomposto.

Querem mais do que apenas meu pedir,
Preciso apelar,
(Re) Fletir,
Para ver o que é diferente se repetir...
Justamente por não ferir.


domingo, 12 de agosto de 2012

Certeza?

O abraço vem...Será?
Vencerá?
Assim?
Sinceramente?
Servirá?
Fará a mente vir a ser?
Semente?
Sem Mentir?
Só ir?
Se virar?
Errar?
Não encerrar?
Vagar?
Devagar?
Divagar?
Tê-la vertida em ti, ao ver-te?
Divertida?
Em versão?
Inversa?
Perversão?
Transversa?
Conversão?
Ou conversa?
De verso?
Diversa?
Diva, essa?
Devir ou devaneio que se confessa?
Bastidor do que não se basta?
Apenas a superfície, a pena, a casca?
Ou a cascata?
Que é feita, perfeita,
Da urgência de gente,
Consciente,
Ao dispersar a pressão,
A pressa?




sábado, 4 de agosto de 2012

A Terceira Oitava E O Gosto

Se foi,
Entre o concreto e o abstrato,
A areia e o mar
Entre a fé e o fato,
A busca de um perfeito par.

Labirinto em que as paredes são cartas,
Arranhaduras e ignorâncias fartas,
Incapazes de notar
Que bastaria um sopro para as derrubar.

O destino se curva para a solidão,
O minotauro dessa armadilha, transformada em porão.
Felicidade: estranho sentimento,
Me chama a amizade,
Parecendo vento,
Porém , por quem partiu,
Desejo mais, na verdade,
Um beijo preso nos lábios alimento.

Inesperada liberdade,
Sonho Selvagem,
Caminho em amor e canto
Diversidade e imagem.

Para Tê-la,
No Coração,
Nos olhos,
No sorriso,
Primeiro preciso,
Tentar capturar estrela,
Ritualizar cada escrito do qual me utilizo...





sexta-feira, 27 de julho de 2012

O Poder do (Des)pudor, De Ser Outra Ode

Ele, Igual o sol, solitário e quente,
Porém sem nascer,
E da luz, descrente.

Segue sendo só,
Havendo calor,
Desconhece que o produz,
Não aquece, é puro ardor,
Que normalmente o conduz,
Para o caminho de fulgor,
Que adiando nele o  tornar-se pó,
Leva-o até quem, em um acidente,
O seduz.

Seu desejo?
Não poderia estar pior,
Quanto maior:
Sem tato,
Sem corpo,
Sem pele,
Sem suor.

Em suma,
Sem fato,
Ou consumação do lampejo,
E também, sem nem recato.

Se presta,
Ao que resta,
Ao apelo,
O frio,
A noite,
Prontos pra retê-lo.

Queria ter a escuridão,
Contida em um fio de cabelo,
Marca amada e manifesta.

Mas agora,
Nada parece inteiro,
Se vê a imagem, não toca,
Se escreve, não escuta,
Se bebe, não sente o cheiro,
Alma em asfixia absoluta,
Chora,
Por se saber do vazio
Servil hospedeiro.

Sem efeito,
Palavras lhe enfeitam,
Camuflam excitação como polido respeito,
A distância, se deleitam, enciumam, se dão o direito,
Da hipnose,
Pelo que percebo,

De serem como raios do Febo,
Apolo, Nesses tempos chamado sol,
Que podendo resultar em chama,
Destroem a desabitada e sonhada cama,
Incineram os escritos sob o lençol,
Matéria bordada,
Onde tudo,
No fundo,
Nada.













sexta-feira, 20 de julho de 2012

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Quase Teogonia

Para além da agonia,
Carrego em mim, aqui, e não sabia,
Também aquilo que, na forma dita por Hesíodo, surgiria:

Tenho quase tudo da cosmogonia e da teogonia,
E fiz descoberta, sobre o maior dos véus,
Falo da Terra, do Tempo, do Destino, do Vazio causando dor,
Roubando a cor,

Mas sempre faltou um tema  em meus delírios de carrossel:
Nunca toquei o Céu,
Não tenho firmeza ou firmamento pra supor.

Apesar de ter também Eros,
Capaz de unir quem a princípio,
Está para se opor,

Meus versos, mesmo sinceros,
Cegam-se para atmosfera,
E toda concretude que era,
No alto, se torna vapor.

Quando me retiraria,
Dessa vã tentativa,
De exegética filosofia,

Vi que na minha frente,
Você aparecia,
Rente,
Direta,
Reta 
E transparente,
Lhe parece,
Com já naquela época  me parecia,
Que nada ao nosso encontro se oporia?

Nada mais justo: algo assim se elogia,
Até pelo fato tal que,
A razão pra isso ocorrer,
Foi apenas acontecer,
Nenhum de nós até hoje entenderia,
Muito menos explicaria.

Ainda assim, com tão ausente lógica,
Cuja consequência  desvaria,
Me pego em sede pedagógica,
Querendo prender e aprender
Tua velha conhecida, 
Misteriosa e vivida 
Cosmologia. 






   
 

domingo, 8 de julho de 2012

Olhai: Lótus no Campo

Se morro de saudade de você,
Ou morro de você, Saudade,
É algo que nem minha própria pessoa vê,
Mas sabe que sempre invade.

Acabo me arriscando, sem medo de dizer
Que morro em você,
Sendo essa sim, a verdade.

Meu verso tem a consciência,
De que nunca será mais que a metade,
Nascido que é,
Da carência,
Abstinência
Querência de indefinido objeto,
Desconhecido portador de afeto,

Aquele, que evade,
Se faz ausência,
Antes de se perceber completo.

Ressurge a Razão de Tudo

O que há além do horizonte,
Você sabe,
Se lhe cabe,
Me conte.

Me disseque,
Me desmonte,
Aceito que me baste ser sua cobaia,
Para que o que nos une,
( lugar onde nada por muito tempo se pune)
Mesmo que demais se desgaste,
(aponte ou a ponte?)
Não caia.

Atenção Etimológica

Carne tensa demais para (a)notar o crepúsculo,
Então pensa nos fatos:
Serão os seus nervos ou os pequenos ratos*,
Minúsculos
Que comprimem os teus músculos?

Nada disso,
Diagnóstico inexato:
Todo mal que vem,
Persegue quando tem,
Em lugar de afeto,
Desacato,
Desencantado,
Completo.


* A origem da palavra músculo:  Vem do latim musculus ( Mus= Camundongo ou rato Culus= Pequeno) Musculus, em latim, significa rato pequeno.  Observando o movimento dos músculos, os antigos romanos achavam que eles pareciam ratos se mexendo por baixo de tecidos.



sexta-feira, 6 de julho de 2012

Rascunho Sobre O Vazio

Não suporto o vazio,
E o vazio não me suporta.

Está lançado desafio,
Como cada um se comporta?

A linha reta se viu
Coberta por grafia torta,

Sou então quem conseguiu,
Fazer  vida em letra morta.

O vazio então se torna,
Contorna, entorna,
Retorna,
Transtorna e transforma,
Deformação oscilante,
Cambiante,
Mutante,
Entre quente ou fria,
Todo dia,
Mas nunca morna.

Exultante,
Hesitante,
Excitante?

Por trás?
Ao lado?
Diante?

Desde sempre e doravante,
Da dor,
Inconformada
E despudorada amante,
Com todo ardor.

E por esse amor,
Me destranco,
Convenho e convenço,
Pelo labor, venço

 O vão,
Nato em rancor
Desafiador
Na página em branco.






Glosas e Um Glossário

Se sentisse perto de si a justiça, nenhum poema seria necessário.
Tão solidário,
Desde então, solitário
Em vão,
Insólito sem solidez,
Solidão,
Outra vez.
Ainda é?
Ainda são?
Solidariedade,
Centelha de fé?

Hoje não...

Sanidade descendo pelo sanitário,
Talvez, mal cármico,
Hereditário.

Mais difícil crer,
Que isso deve me pertencer,
Como único proprietário.

As cores doces você me trouxe,
Enquanto eu. a mim mesmo,
Liquidava, liquefazia,
Indo em direção ao ralo,
Ou pior, a esmo:
Caminhada vadia, vazia.

Lamentava te escrever,
Mais ou menos conseguir lhe ver,
Continuando a ser,
Quem nada ouvia.

Feito surdo pelo espiritual ferimento ,
Necessito ficar, em pigmento,
Para meu encanto vibrar, tal qual badalo.

Senão  me calo,
Por todo sempre,
Em qualquer momento.

Preciso me integrar ao teu perfume,
Assim, exalo
Entregar a ti meu paladar,
Meu gosto descomposto,
Exposto, por  forma que se assume,
Como os  autorretratos, na maneira da Frida Kahlo.

Sigo água,
Gerada na mágoa,
Para da fonte me libertar,
Regando plantas do seu quintal.

Se quiser, puder,
Me beba,
Perceba.

Alternativamente,
Interfira,
Me transfira,
Da minha mente demente,
Para teu preferido recipiente.

Natural,
Te dar irrelevante,
Porém afetuosa,
Informação adicional:

Há uma forma diferente de proceder,
Com o que pode da mão escorrer,
Em certas regiões de Portugal:

Mudar de lugar,
O capaz de outra superfície molhar,
Lá se chama trouçar*.


*regionalismo transferir (líquido) de um recipiente para outro, trasfegar
(Fonte:   http://www.infopedia.pt/diciope.jsp?dicio=15&Entrada=trouces)





terça-feira, 3 de julho de 2012

Um Dissenso

Vendo-me,
Pela vergonha vendado,
Ao me ver vendido,
Tornado tudo aquilo que quis ter evitado.



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