quinta-feira, 12 de julho de 2012

Quase Teogonia

Para além da agonia,
Carrego em mim, aqui, e não sabia,
Também aquilo que, na forma dita por Hesíodo, surgiria:

Tenho quase tudo da cosmogonia e da teogonia,
E fiz descoberta, sobre o maior dos véus,
Falo da Terra, do Tempo, do Destino, do Vazio causando dor,
Roubando a cor,

Mas sempre faltou um tema  em meus delírios de carrossel:
Nunca toquei o Céu,
Não tenho firmeza ou firmamento pra supor.

Apesar de ter também Eros,
Capaz de unir quem a princípio,
Está para se opor,

Meus versos, mesmo sinceros,
Cegam-se para atmosfera,
E toda concretude que era,
No alto, se torna vapor.

Quando me retiraria,
Dessa vã tentativa,
De exegética filosofia,

Vi que na minha frente,
Você aparecia,
Rente,
Direta,
Reta 
E transparente,
Lhe parece,
Com já naquela época  me parecia,
Que nada ao nosso encontro se oporia?

Nada mais justo: algo assim se elogia,
Até pelo fato tal que,
A razão pra isso ocorrer,
Foi apenas acontecer,
Nenhum de nós até hoje entenderia,
Muito menos explicaria.

Ainda assim, com tão ausente lógica,
Cuja consequência  desvaria,
Me pego em sede pedagógica,
Querendo prender e aprender
Tua velha conhecida, 
Misteriosa e vivida 
Cosmologia. 






   
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário