sexta-feira, 27 de julho de 2012

O Poder do (Des)pudor, De Ser Outra Ode

Ele, Igual o sol, solitário e quente,
Porém sem nascer,
E da luz, descrente.

Segue sendo só,
Havendo calor,
Desconhece que o produz,
Não aquece, é puro ardor,
Que normalmente o conduz,
Para o caminho de fulgor,
Que adiando nele o  tornar-se pó,
Leva-o até quem, em um acidente,
O seduz.

Seu desejo?
Não poderia estar pior,
Quanto maior:
Sem tato,
Sem corpo,
Sem pele,
Sem suor.

Em suma,
Sem fato,
Ou consumação do lampejo,
E também, sem nem recato.

Se presta,
Ao que resta,
Ao apelo,
O frio,
A noite,
Prontos pra retê-lo.

Queria ter a escuridão,
Contida em um fio de cabelo,
Marca amada e manifesta.

Mas agora,
Nada parece inteiro,
Se vê a imagem, não toca,
Se escreve, não escuta,
Se bebe, não sente o cheiro,
Alma em asfixia absoluta,
Chora,
Por se saber do vazio
Servil hospedeiro.

Sem efeito,
Palavras lhe enfeitam,
Camuflam excitação como polido respeito,
A distância, se deleitam, enciumam, se dão o direito,
Da hipnose,
Pelo que percebo,

De serem como raios do Febo,
Apolo, Nesses tempos chamado sol,
Que podendo resultar em chama,
Destroem a desabitada e sonhada cama,
Incineram os escritos sob o lençol,
Matéria bordada,
Onde tudo,
No fundo,
Nada.













3 comentários:

  1. Sem tato,
    Sem corpo,
    Sem pele,
    Sem suor,
    Sem alma.

    Com poesia.

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    Respostas
    1. Belíssima surpresa ter você por aqui, Herculano! (Ainda mais considerando que, se me lembro bem, consegui achar 2 0u 3 coisas que você odeia em blogs no meu....rssssss.....) será sempre bem vindo! ( com ou sem hífen? essa reforma me confunde...rssss...)Abraços.

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    2. Ps: agradeça a Lara Amaral...Ela me levou até Você.

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