Se bem ou mal,
Consigo falar o que sou capaz de sentir
Já não posso dizer a mesma coisa (distância abismal),
De escutar minhas próprias palavras,
Inaudíveis por conta das gotas de chuva a cair,
Perfurando aquilo que deveria se chamar "telhado",
É por isso que, se quiser me ouvir,
Tenho que fugir,
E optar
Entre fingir sorrindo
E lamentar calado.
Por isso me desesperei,
Em encontrar nos seus olhos meu conforto:
Desconheço o que me torna exemplo,
Se apesar do que sei, continuo torto...
Nego procurar lá fora o que já está em mim,
Só não esperarei solitário ao meu fim...
Essa pode ser a diferença entre o naufrágio e a salvação no porto,
Entre estar vivo e apenas se reconhecer não morto.

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