quarta-feira, 9 de maio de 2012

Diz...

Nada contra a citação
Ou a apropriação,
Você sabe que adoro reeditar o dito,
E homenagear aquilo em que me atiro.

Mas acima de tudo,
É nas tuas próprias palavras que me reflito,
Encontro o que não espero no mais bonito,
Reconheço-me acompanhado quando aflito,
E além do mais além me retiro, na inspiração.

Eu, com meu suor deixo escrito,
Tudo o que respira em cada absorvição,
Quando há, em cada braço,um infinito,
Apenas reticências, sem final pontuação.

Após tamanha transpiração, levito,
O que diz ser tua monstruosidade
De tímida depravação
Eu nomeio transcendentalidade,
(E, exceto pelo meu agnosticismo,
Adquirido mais por preguiça do que por ceticismo),
Quase converto em oração.

Nada contra a referência,
A eficiente lembrança,
Da letra sob seiva,
Repousando nele e o cumprindo,
Como suporte e função:
O papel.

Aplicável também pra canção
Que desenhada no ar,
Tem por dever alcançar,
O dentro de mim, de ti,
E o céu.

Mas tenha a consciência,
Antes de qualquer referência,
Guardo por você a reverência,
De me manter da sua candente cadência,
Fluente influência
Fiel.

Você se quis absorvida,
Absorta,
Um pouco menos solta,
Se entendi suas intenções.

Eu me quero absolvido,
Réu que sou de crime ainda não cometido,
Pouco comedido, de excessivas pretensões.

Mal algum me fará se de novo tiver me perdido,
Percebo quando vem,
Melhor do que ninguém,
A rotina das ilusões,
Tonteando os sentimentos,
Torturando os desfeitos sentidos,
Defeitos constantemente revolvidos.

Diz,
Sou todo ouvidos,
O que de mim restou,
Já que ao nada tenho dos prazeres vividos.




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