quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Elipse Do Eclipse

Disseram:
Decida!
Ele desceu,
Desobedeceu,
Sem plano,
Cansado,
Quase tal qual Caetano,
De optar na vida, 
Pelo incerto 
E o Inseticida.



Entrópicos de Câncer II

Lembrou-se:
Agonia lhe trouxe
Salvação.

Quis escrever "oblívio"
Em vez de "opróbrio",
Embora, agora,
Com certo alívio
Lhe soasse prova do óbvio,
Que esse erro de acepção,

(Dado da pressa, não?)

Tornasse implícito,
O virtual início,
De toda opressão,

Que põe qualquer elemento,
Com ou sem justo indicio,
Deparado, sobre si mesmo,
Diante do esquecimento,


Servindo assim,
Ao próprio algoz atroz,
Como munição,

Para quem segue impondo,
Por princípio,
Sendo um vício,
O precipício,
Engolindo o disposto em oposição.

(Deu-se então,
Por pronto,
Sem resquício,
Esse exercício
De elaboração)

Derivado de Entrópicos de Câncer




quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sutil Atrevimento

Brindemos,
Com as xícaras que agora temos,
Os goles do universo,
Imensidão que nos contém
Sem nos contermos.

Assim, contigo converso,
Enquanto te endosso,
E minha dose adoço,
Me perguntando se posso,
Enquanto a converto em verso,
Estar na história de nos pertencermos.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Sem Negar o Ócio

No que consiste acordar cedo,
Sem se sentir acordar sendo?


Onde?

Temo pelos desaparecimentos
De seus delírios, líricos pensamentos,
E subsequentes movimentos.

Terão perecido?
Enrijecido?

Quando vivos,
Em  qualquer momento,
Sou um dos que os visualizam.


Porém, lamento,
Se estão tal qual cimento,
E assim, nada concretizam.





segunda-feira, 13 de agosto de 2012

217 Concussões

Sem livrar-me de escapar,
De contra a vontade, em verdade,
Evadir,
Em desgosto,
Perder direito ao abraço,. ao rosto,
Simultâneo,
Consecutivo,
Sobreposto.

Mas afetam o afetivo,
Depressa, o tornam depreciativo,
Em queda,
Flor da pele,
Rumo ao subterrâneo,
Destruído, descomposto.

Querem mais do que apenas meu pedir,
Preciso apelar,
(Re) Fletir,
Para ver o que é diferente se repetir...
Justamente por não ferir.


domingo, 12 de agosto de 2012

Certeza?

O abraço vem...Será?
Vencerá?
Assim?
Sinceramente?
Servirá?
Fará a mente vir a ser?
Semente?
Sem Mentir?
Só ir?
Se virar?
Errar?
Não encerrar?
Vagar?
Devagar?
Divagar?
Tê-la vertida em ti, ao ver-te?
Divertida?
Em versão?
Inversa?
Perversão?
Transversa?
Conversão?
Ou conversa?
De verso?
Diversa?
Diva, essa?
Devir ou devaneio que se confessa?
Bastidor do que não se basta?
Apenas a superfície, a pena, a casca?
Ou a cascata?
Que é feita, perfeita,
Da urgência de gente,
Consciente,
Ao dispersar a pressão,
A pressa?




sábado, 4 de agosto de 2012

A Terceira Oitava E O Gosto

Se foi,
Entre o concreto e o abstrato,
A areia e o mar
Entre a fé e o fato,
A busca de um perfeito par.

Labirinto em que as paredes são cartas,
Arranhaduras e ignorâncias fartas,
Incapazes de notar
Que bastaria um sopro para as derrubar.

O destino se curva para a solidão,
O minotauro dessa armadilha, transformada em porão.
Felicidade: estranho sentimento,
Me chama a amizade,
Parecendo vento,
Porém , por quem partiu,
Desejo mais, na verdade,
Um beijo preso nos lábios alimento.

Inesperada liberdade,
Sonho Selvagem,
Caminho em amor e canto
Diversidade e imagem.

Para Tê-la,
No Coração,
Nos olhos,
No sorriso,
Primeiro preciso,
Tentar capturar estrela,
Ritualizar cada escrito do qual me utilizo...





sexta-feira, 27 de julho de 2012

O Poder do (Des)pudor, De Ser Outra Ode

Ele, Igual o sol, solitário e quente,
Porém sem nascer,
E da luz, descrente.

Segue sendo só,
Havendo calor,
Desconhece que o produz,
Não aquece, é puro ardor,
Que normalmente o conduz,
Para o caminho de fulgor,
Que adiando nele o  tornar-se pó,
Leva-o até quem, em um acidente,
O seduz.

Seu desejo?
Não poderia estar pior,
Quanto maior:
Sem tato,
Sem corpo,
Sem pele,
Sem suor.

Em suma,
Sem fato,
Ou consumação do lampejo,
E também, sem nem recato.

Se presta,
Ao que resta,
Ao apelo,
O frio,
A noite,
Prontos pra retê-lo.

Queria ter a escuridão,
Contida em um fio de cabelo,
Marca amada e manifesta.

Mas agora,
Nada parece inteiro,
Se vê a imagem, não toca,
Se escreve, não escuta,
Se bebe, não sente o cheiro,
Alma em asfixia absoluta,
Chora,
Por se saber do vazio
Servil hospedeiro.

Sem efeito,
Palavras lhe enfeitam,
Camuflam excitação como polido respeito,
A distância, se deleitam, enciumam, se dão o direito,
Da hipnose,
Pelo que percebo,

De serem como raios do Febo,
Apolo, Nesses tempos chamado sol,
Que podendo resultar em chama,
Destroem a desabitada e sonhada cama,
Incineram os escritos sob o lençol,
Matéria bordada,
Onde tudo,
No fundo,
Nada.













sexta-feira, 20 de julho de 2012

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Quase Teogonia

Para além da agonia,
Carrego em mim, aqui, e não sabia,
Também aquilo que, na forma dita por Hesíodo, surgiria:

Tenho quase tudo da cosmogonia e da teogonia,
E fiz descoberta, sobre o maior dos véus,
Falo da Terra, do Tempo, do Destino, do Vazio causando dor,
Roubando a cor,

Mas sempre faltou um tema  em meus delírios de carrossel:
Nunca toquei o Céu,
Não tenho firmeza ou firmamento pra supor.

Apesar de ter também Eros,
Capaz de unir quem a princípio,
Está para se opor,

Meus versos, mesmo sinceros,
Cegam-se para atmosfera,
E toda concretude que era,
No alto, se torna vapor.

Quando me retiraria,
Dessa vã tentativa,
De exegética filosofia,

Vi que na minha frente,
Você aparecia,
Rente,
Direta,
Reta 
E transparente,
Lhe parece,
Com já naquela época  me parecia,
Que nada ao nosso encontro se oporia?

Nada mais justo: algo assim se elogia,
Até pelo fato tal que,
A razão pra isso ocorrer,
Foi apenas acontecer,
Nenhum de nós até hoje entenderia,
Muito menos explicaria.

Ainda assim, com tão ausente lógica,
Cuja consequência  desvaria,
Me pego em sede pedagógica,
Querendo prender e aprender
Tua velha conhecida, 
Misteriosa e vivida 
Cosmologia. 






   
 

domingo, 8 de julho de 2012

Olhai: Lótus no Campo

Se morro de saudade de você,
Ou morro de você, Saudade,
É algo que nem minha própria pessoa vê,
Mas sabe que sempre invade.

Acabo me arriscando, sem medo de dizer
Que morro em você,
Sendo essa sim, a verdade.

Meu verso tem a consciência,
De que nunca será mais que a metade,
Nascido que é,
Da carência,
Abstinência
Querência de indefinido objeto,
Desconhecido portador de afeto,

Aquele, que evade,
Se faz ausência,
Antes de se perceber completo.

Ressurge a Razão de Tudo

O que há além do horizonte,
Você sabe,
Se lhe cabe,
Me conte.

Me disseque,
Me desmonte,
Aceito que me baste ser sua cobaia,
Para que o que nos une,
( lugar onde nada por muito tempo se pune)
Mesmo que demais se desgaste,
(aponte ou a ponte?)
Não caia.

Atenção Etimológica

Carne tensa demais para (a)notar o crepúsculo,
Então pensa nos fatos:
Serão os seus nervos ou os pequenos ratos*,
Minúsculos
Que comprimem os teus músculos?

Nada disso,
Diagnóstico inexato:
Todo mal que vem,
Persegue quando tem,
Em lugar de afeto,
Desacato,
Desencantado,
Completo.


* A origem da palavra músculo:  Vem do latim musculus ( Mus= Camundongo ou rato Culus= Pequeno) Musculus, em latim, significa rato pequeno.  Observando o movimento dos músculos, os antigos romanos achavam que eles pareciam ratos se mexendo por baixo de tecidos.



sexta-feira, 6 de julho de 2012

Rascunho Sobre O Vazio

Não suporto o vazio,
E o vazio não me suporta.

Está lançado desafio,
Como cada um se comporta?

A linha reta se viu
Coberta por grafia torta,

Sou então quem conseguiu,
Fazer  vida em letra morta.

O vazio então se torna,
Contorna, entorna,
Retorna,
Transtorna e transforma,
Deformação oscilante,
Cambiante,
Mutante,
Entre quente ou fria,
Todo dia,
Mas nunca morna.

Exultante,
Hesitante,
Excitante?

Por trás?
Ao lado?
Diante?

Desde sempre e doravante,
Da dor,
Inconformada
E despudorada amante,
Com todo ardor.

E por esse amor,
Me destranco,
Convenho e convenço,
Pelo labor, venço

 O vão,
Nato em rancor
Desafiador
Na página em branco.






Glosas e Um Glossário

Se sentisse perto de si a justiça, nenhum poema seria necessário.
Tão solidário,
Desde então, solitário
Em vão,
Insólito sem solidez,
Solidão,
Outra vez.
Ainda é?
Ainda são?
Solidariedade,
Centelha de fé?

Hoje não...

Sanidade descendo pelo sanitário,
Talvez, mal cármico,
Hereditário.

Mais difícil crer,
Que isso deve me pertencer,
Como único proprietário.

As cores doces você me trouxe,
Enquanto eu. a mim mesmo,
Liquidava, liquefazia,
Indo em direção ao ralo,
Ou pior, a esmo:
Caminhada vadia, vazia.

Lamentava te escrever,
Mais ou menos conseguir lhe ver,
Continuando a ser,
Quem nada ouvia.

Feito surdo pelo espiritual ferimento ,
Necessito ficar, em pigmento,
Para meu encanto vibrar, tal qual badalo.

Senão  me calo,
Por todo sempre,
Em qualquer momento.

Preciso me integrar ao teu perfume,
Assim, exalo
Entregar a ti meu paladar,
Meu gosto descomposto,
Exposto, por  forma que se assume,
Como os  autorretratos, na maneira da Frida Kahlo.

Sigo água,
Gerada na mágoa,
Para da fonte me libertar,
Regando plantas do seu quintal.

Se quiser, puder,
Me beba,
Perceba.

Alternativamente,
Interfira,
Me transfira,
Da minha mente demente,
Para teu preferido recipiente.

Natural,
Te dar irrelevante,
Porém afetuosa,
Informação adicional:

Há uma forma diferente de proceder,
Com o que pode da mão escorrer,
Em certas regiões de Portugal:

Mudar de lugar,
O capaz de outra superfície molhar,
Lá se chama trouçar*.


*regionalismo transferir (líquido) de um recipiente para outro, trasfegar
(Fonte:   http://www.infopedia.pt/diciope.jsp?dicio=15&Entrada=trouces)





terça-feira, 3 de julho de 2012

Um Dissenso

Vendo-me,
Pela vergonha vendado,
Ao me ver vendido,
Tornado tudo aquilo que quis ter evitado.



.

domingo, 24 de junho de 2012

(Pre)Posições, (Pro)Nomes.

Entre venenos e remédios,
Várias saudades, diversos tédios,
Mais do em quem os causou,
Deixam em mim profundas sequelas,
Pelo fato de que no fim,
As pessoas que eu espero nunca regressam até mim,
Eu, buscando tato, nunca regresso delas.



Com as minhas palavras, Parcas.

Ei, você, que coleciona distrações,
Não diga que ensurdeceu,
Nem ao menos pergunte "Quem, eu?"

Sei que em geral,
Isso comigo tua pessoa não faz,
Mas tomo precauções, normal,
Sempre recear interromper tua paz.

Já que distrair-se é em ti uma forma de coleta,
Entre pensamentos, sentimentos, silêncios, agonias,
Construindo tua incompletude completa
E paradoxais  ortodoxias.

Irei então te mostrar a  minha coleção:
Atenção, Tensão, Reação, Intervenção:
Quatro fiandeiras no ajuntamento dos meu dias.

Cada uma delas tem uma vítima certeira:

Pra Atenção pouco importa quem de mim está "à beira",
(Difere da Tensão, considerada aqui "bobeira")
Dizendo assim: "Quem está à beira não toco,
O que merece meu foco,
É a pessoa dentro, inteira,
Nisso me fundo, sem medo de errar,
Se não queres estar dentro, é melhor se afastar,
Depois, evite reclame,
Caso eu venha a te assustar."

Tensão vê se na beira de mim,
Enfim,
Alguém dá um sinal,
Tensão salta aos olhos de quem,
Desconhece se bem  vem,
Pro meu oceano existencial,
E para fazer permanecer
(O maior medo é perder)
A presença desse sinal,
A tensão se desencontra,
Prevê de antemão uma afronta,
De querer um bem prometido,
Se sente mal, de imaginá-lo de mim despedido.

Mas, se por sorte, vejo repetir o aceno,
É a Reação que busca dominar este meu peculiar terreno,
Sabendo de todo risco que há no "Sub", no "Mal", no "Des",
E quase qualquer outro "Entendido".

Com toda a coragem em si,
A reação compreende onde lhe sobram correntes,
Conhece limitações, irremediavelmente,
Algumas vezes contida, sendo por isso, prudente,
Dramática? Talvez pragmática...
Do drama é raro ter algo oponente.

A Reação pode combater,
Sem ignorar o temer,
Da ruptura pelo divergente, decepções.


A Intervenção  estará depois,
De no território existirem,
Dois,
Portando  cartas,
Correspondências,
Jogos,
Oráculos,
Vidências
Intenções,
Contra todos os "Senões",
Propor curas e transformações.

Despossuem saber suas irmãs,
Da forma como a Reação age pra fazer seus amanhãs,
Em um momento dizem:
"É astuta,
Mas pouco escuta"

Em outro, ainda:
"Nada vê,
Mas segue, linda"  

É fato que elas concordam em um termo,  por plena confiança:
"Muda, Mantém-se sem ser,
Se incapaz fosse de falar ou dizer,
Inexistiria mudança."











sexta-feira, 22 de junho de 2012

Há Sobre Ar

É preciso divagar,

Vagar,

Rápido ou devagar,

Para divulgar,

Vulgar ou não,

O Pensar,

Com ou sem penar,

Dar vazão e visão,

Ganhar ar.