domingo, 23 de dezembro de 2012

Expectativa Especular

Deixe-me arriscar,
Me contar ao encontro do teu lugar,
Pra afetuosamente te afetar,
De maneira total,

Não com algum soneto,
Mas com os erros que cometo,
Confundindo meus traços,
E gerando algum embaraço
Visceral.

Prometo,
Mesmo sendo tão irracional,
Não racionar,
Todo abraço pra te confortar,
Em outra tentativa,
Tentacular.





Retido,Sinto...

Até quando serei observador distanciado,
Dos efeitos daquele antraz,
Cujo sensação,sentido só  faz,
Entre os que podem  decorar-se das cores que têm tocado?

Enquanto deslizam os dedos,
Mútuos em suas peles,
Só carrego hematomas dos medos,
E morticidade que de mim mesmo me repele,
Quanto  mais em contrário eu apele.

E a cada vontade nos outros saciada,
Comigo  imaginada,
Me resta saber que toda ânsia de calor acumulada
Se acostuma em dar um passo atrás na caminhada.

E toda a mistura,
De lábios línguas e sabores praticada,
Indiferente,
Me passa rente,
E perdura
Apenas o suficiente,
Pra me lembrar que dela não terei nada.





quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Segundas Eras

Faltou falar de mais uma quimera
Interferência da feérica fera.

Ágil como pantera,
Luminosa feito estrela,
Faço lembrar,
Já que fracasso em retê-la.

Não exaspera
Nem desespera,
Carrega sincera
Certeza:

Nada se perde,
Só se altera,
Nela que traz natureza.






( Derivada de :Priscas Eras)



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Depois, Dois: Parto

O "PseudErotiConcretismo" Reverbera,
Ondula
Feito um sismo.

Jamais capitula,
Sabe sobrevoar,
Saltar sobre o abismo.

Volta invadindo cada vão,
Traz a transformação:
Substantivação,
Em Constatação,
E esta, tornada evocação

Ócio > O Cio > Ó, Cio!
Parte dos meus vícios,
Ou ossos do ofício?

Exacerbo,
Resgato desusado verbo,
Que não se dissimula,
Sendo eu um outro alguém quando se virgula.

Reflito e repito como grito,
"Ó, Cio!"
Transpirando o que pulula,
Suor ou arrepio,
Nada aqui se anula.




(Poema "continuação" de: "PseudErotiConcretismo")


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Havendo Ar, Ainda Mar

Preciso retornar
Pra falar a verdade:
Só consigo respirar
Dentro da profundidade.

A superfície tolhe,
Submerjo, e lá, fundo,
Faço um mundo,
Muito bem acolhe.

Nesse abrigo,
O que me inspira persigo,
Nada se abole,
O capturado não encolhe.

Então reflito,
E regurgito,
A palavra, quando a mim ela engole.



domingo, 9 de dezembro de 2012

Ar Mesmo, Mar Ermo


Também tive período sabático
Muito mais curto,
Quase tão enfático.

Um dia,
Apático,
Que só pelo efeito,
De estar embebido no meu ar,
Pesado e ao mesmo tempo rarefeito,
Dramático,
Sempre será capaz de se tornar.

Controle invisível?
Me pergunto se o é,
E em até que nível...

Seja como for,
Se mantém remoto,
Apertando a tecla daquela dor,
Intercalada entre o que suspiro ou arroto.

Nem sei se faço bem ou mal,
Me intuindo e incluindo,
Ao seu lado,
À deriva e derivado,
"No" e "do" seu espaço sideral.

Reconheço viver dos lugares e pessoas que adoto.
Espero cantando,
Ou mesmo me afogando
Ou chorando,
Acabar por encontrar um lugar,
A cada novo fôlego, quando o consigo, contigo,
Durante outro maremoto.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"Palavranovismos" e "Cartortografias"



Não era cartógrafo,
Carta náutica não lia
Apenas letras, em epístolas, escrevia.

Mas conhecia as uniões e rupturas,
Afinal, mapas e contracapas se fazem  em linhas e nervuras.

A falha quando  geológica,
Transformou em "neológica".

O acidente geográfico,
A ser encontrado e catalogado,
Quando ortográfico,
Busca-se  ser evitado,
Ou se muito, incorporado...

Como reconhecer,
"Pereceber"?

Perecer por não ter percebido?
Perceber o que foi recebido?
Receber o que tem perecido?

Deixar suspenso,
Se houver,
Algum sentido?




Fim Infindo Refinado

O adeus calado de quem fica,
A humanidade de alguém se coisifica,
O apequenamento se amplifica.


Perder o sono,
Conceber como atos implícitos e invitáveis de abandono,
As partidas e partos,
Dos quais segue farto.

Quem sempre permaneceu no porto,
Tem agora, dois conceitos pressentido

O abraço e o aborto
O primeiro,intocado,
O segundo,perpetuado, repetido.

De um sobressalto,
Costas no asfalto,
Apenas um sentimento:

A poesia concreta  da qual teve conhecimento,
Pelo rosto arranhado,
Arrastado,
Contra o cimento.

Será vítima?
Chora rios de dor,
Sendo navegador,
Em correnteza íntima.

Todo distanciamento,
Pior quando dotado de lógica, fundamento,
Requinte de crueldade,
Arbitrariedade legítima.

Ferida feita de afeto que inflama,
Também nada nascerá com ele, por ele, se não houver drama.

Fato até agora dado
Imediato medo,
Sujeito tornado objeto:
O prazer, efeito de ver,
Retardado e mediado,

O desgosto,
Imposto,
Vindo pra se viver o fenecer,
Na carne, direto e inadiado.

Tendo várias respostas decoradas em mente.
Nada entende do erro,
Quem quer, dentro dele mora,
Mas do peito até sua frente,
Habita o desterro,
Esse nunca vai embora.












domingo, 2 de dezembro de 2012

Retalhos De Medos Dominicais

Lavando debaixo do sereno,
Aquilo tudo que quis e não sou,
O ódio de ter apenas o eterno e incompleto aceno,
De quem não merece estar onde vou.

Me selar,
No pretenso lar,

Prisão,
Me pesa,
Extrema unção é a única reza,

Parece,
Apenas fora de mim tudo acontece,
Quem aprecio,desaparece,

A me fazer,
Presa da certeza,
Ao pressionamento fadado,
Em todo e qualquer traço,

E do abraço,
Um abstinente viciado.






Fim.

 O adeus calado de quem fica,
A simplicidade de quem complica.

As partidas acumuladas,
E intocadas,
Despedidas escritas,
Aflitas.

Sabe que antes de nascer,
Será tarde.

Ele, o sol,
Ou qualquer acróstico feito sem se perceber,
Com a palavra, "Arde".

Observador transtornado,
Tornado distanciado,
Absorvido pelo não vivido.

Cada vez um pouco mais morto,
Toda vez que se vê permanecendo no porto.

Ele sabe quem desaparecerá inevitavelmente,
Acenando, lentamente.
Desnecessário que alguém lhe conte.

Não mais verá um certo olhar,
Sumindo no e com o horizonte.

Destinado, em toda cena ao papel de vítima.
Saber que toda vez de se vivificar
Será a última,
É o que lhe cabe verificar.





sábado, 1 de dezembro de 2012

A Saber...

Também quero tocar alguma alma,
Mas só tenho o que a canção nega.

Uma nefasta fauna,
Em seu ser, segrega:

Com pesar,
Trauma,

Com temor,
Medo.

Sem acabar tão cedo.







(Inspirado por:Arnaldo Antunes - "Alma" )

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Depois Da Bonança, Tempestade.

Não adianta fingir que se manterá diante de mim
O teu contorno,

Que tudo será igual, agora, assim,
Ao meu entorno.

Que só pra variar,
Iria se perenizar
Algum retorno.

Será como ter que a mim mesmo vomitar,
Evidentemente,
Junto ao meu vazio,
Nem quente,
Nem frio,
Tecido rompido,
Morno.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Quatro Mãos, Duas Vozes*

Inspira,

Pira,

Aspira,

Respira,

Transpira,

Suspira...

Ira?

Ira?

Dependerá...

Mas o fato,

No ato,

É que irá...

Á!

Touché no jogo de cartas tocantes e trocadas,

Marcantes e marcadas,

Escolhendo entre o ás de copas ou espadas.

( *Com Juily Manghirmalani: http://juilymalani.tumblr.com/  )





Com/Para Outras Duas Mãos

Dizem que o sol, feitor dos dias e dos verões,
Sói* ser solidário sobre as solidões.

Diante dessa constatação,
Só me resta calar,
Minha boca incauta.

A lamentar,
Pronto a dar,
Em sólida mentalização,
E por falta,
Todas as canetas que gastei em vão.

(* do verbo "Soer"= Costumar).


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Parti(da) Pris

Posso estar sendo vão,
Chamando isso de amor.

Aos entendedores, por favor,
Uma solução para a equação:

O que irá resultar,
Da união,
Em se mesclar,
Desejo e admiração?


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O Que Dizer?

Duas mulheres se falam
Sobressaem em ser o que são, depois de um poema.

Minhas ignorâncias,
Fundo ao dono calam.

Já que possível, se repete um velho problema:

Da minha ciência saber,
Que de não  poder em feminina se verter,
Desconhecer  por  reconhecer:

Restarão somente vãos
E apenas
Invejas e penas
Como fatos certos
Errados em crerem despertos
Os tais símbolos descobertos.


Acreditem, eu queria entender,
Tudo o que meu olho ao ler, ouviu:

Dor,
Martírio,
Exílio
Mais belos que meu costumeiro vazio.




domingo, 11 de novembro de 2012

Quem Se Ausenta, Dissente?

Aqui estavam os ouvidos
Agora partidos.

As vozes extraídas das bocas,
Roucas,
Autocríticas
Aristocráticas,
Autoritárias,
Poucas

Tornaram os sons cinicamente olvidados,
Sumariamente esquecidos.

Os ouvintes, feitos surdos com os estampidos,
Atirados contra os tiros,
Retirando seus suspiros
De dentro dos peitos feridos.

Será que com  nenhuma gota de sangue,
(Para além do que me vem)
Eu interfiro?

Me referindo ao combustível para aniquilar,
Apressadamente depreciar
O Teatro dos vampiros?

Miro o presente que me ultrapassa,
O vazio transpiro, em febre que não passa,
E cada vez mais fumaça
Aspiro.




sábado, 10 de novembro de 2012

2007-C: Abismo Tênue

Notívagos,
Por conta da inércia do dia,
Revolucionários,
Mas, por enquanto, só na teoria.

Acídicos ?
Melancólicos?
Macambúzios?
Deprimidos?

Ou apenas descrentes com desconhecidos?

É como achar agulha no palheiro
Encontrar alguém que saiba de algum brasileiro
Que nunca teve que cair primeiro,

Para saber contra quem
(Seja algo ou alguém)
Luta o tempo inteiro.

Uns humanos jejuaram como resistência,
Outros, que não comem,
Enfrentam, sem total ciência,
Uma batalha onde não há  clemência.

Guerra contra as fomes,
De alimento, de afeto,
Ou consciência.

Do não saber se manter vivo,
E se ao  morrer, se vê sentido.

De ter que brigar por abrigo,
Ou em nome de quem?

Se toda ação carrega reação,
Pra onde olho?
O golpe,  de onde vem?

Se o que falo é nulo,
De antemão, já capitulo.

Se existe remédio,
É para qual doença?
A que domina quem faz?
Ou acomete quem pensa...?

Na falta de solução,
Esmigalham dó, comiseração.

Vidas...
Espaços vagos na multidão.
Sonhadores céticos
Em contradição.

Revoltosos,
Revoltados,
Possíveis estopins de insurreição

Mas estáticos,
Apáticos,

Aparentando ter a razão do problema e a salvação,
Mas sem a semente
Que gere a compreensão.

Entre os que sabem o que falam,
Porém não vivem.

E entre os que não sabem que pensam,  e por isso se restringem.
Se calam, se fecham,
Inibem.