quinta-feira, 5 de abril de 2012

Há Lógica ?

A (meteoro)lógica diz que devo esperar pelo inverno,
A(teo)lógica diz que o calor caracteriza o pecado nas chamas do inferno.

A(dia)lógica diz que a minha decodificação
Depende da sua atenção,
Da qual sou alto subalterno.

A(termino)lógica daquilo que se recusa a terminar
Chama esse esforço de terno e interno,
Querendo se eternizar.

A(psico)lógica busca analisar
As pulsões de vida, comprimidas
Entre o ser e o estar,
De saber quem se é
Quando quem não for meu rosto no espelho
Puder identificar
("Caso contrário, tem-se a neurose, a melancolia, esquizofrenia em constatação:
Tome os receituários, os conselhos e meu cartão").

A(sócio)lógica diz que oscilo entre os ontens e os amanhãs,
Famílias, clubes, sindicatos, clãs,
Ilhas de todos os arcaísmos modernos,
Maternos, paternos, fraternos...

A(bio)lógica diz que sobrevivo com aquilo
Que constrói minha espécie,meu filo,
De quem sou, compulsoriamente interno,
(Assim, inexiste para mim agradável recurso:
Impossivel hibernar, isso cabendo ao urso)

Animal, só sou a norma,
O sangue quente que pelo corpo contorna
Em pele morna me prova
Certos fatos que se reproduzem
(Como dizem que também posso)
Sem desova.

A(cosmo)lógica que mal compreendo,
Me faz render apreensão e aprendizado,
Ao que quer que atravesso, suportado e cruzado.
Pelas palavras que seguem em sorrateiro passo marcado,

Pra serem pegas em vácuos,
Vãos de voz,
Silêncios e nós
Do que de melhor faço,

E povoa,
A extensão,
Imensidão
Da popa até a proa,
Sendo o que ressoa
O infinto,
Onde habito
E reflito
Entre tranquilo e aflito,

Entre brincante e sério,
A Assinatura de cada grito,
A (as)simetria de cada traço,
Contido na cor do compasso,
Na dor do atritado detrito
E trasparência de todo mistério.


Assim,sobre o abismo do espaço, recito.

Tal qual gás líquido,
Flexível monolito.






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