sábado, 10 de novembro de 2012

2007-B: "O Kyklos"

Cavalgadas noturnas,
Nada soturnas,
São pouco mais que adolescentes
Apenas contentes,
Entre tantas, mais uma turma.

Todos estão envoltos,
Extrovertidos,soltos,
Vestindo lençóis brancos
Fingindo-se santos
Aos vizinhos assombrados

É a sombra da noite ou um rapaz montado
Que assusta o desavisado?

- Eles são do Circuito!
Grita alguém no intuito
De dar o alarme

O povo em desarme,
Empalidece.

Há um que corre,
Outro faz prece.

Os cobertos,
Incertos, desentendidos,
Desconhecem o ato aturdido,
Do povoado humilhado.

Aquele circuito entrou em curto,
Mal aquele fato,
Tornou-se passado.

Os logo ex-meninos,
- Sádico destino -
Haviam se transformado,
De cavaleiros displicentes,
Nos mais tementes
Assassinos do prado.

A guerra havia chegado e terminado.
O arraial liberto,
Composto de sangue dos antigos escravos,
Ao supor o fito,
Não se viu mais aflito,
Se sentindo aliviado.

Mas os tiranos,
Grandes latifundiários,
Arregimentando mercenários

Pagaram uma fortuna
(Já que sempre abastados)
Pra ver caírem, uma por uma,
As cabeças dos alforriados.

Treze campos sitiados,
Foram os palcos do mórbido brilho,
Daquele martírio,
Tão semelhante ao de Cristo,

Dito como bem quisto,
Mas nunca visto
Como exemplo praticado,
E igualado sim, com o diabo,
Nos atos daqueles homens odiosos e odiados.

Que tiveram ode
(Já que não manda quem está certo, e apenas quem pode)
Ao nascer de uma nação,
Onde fantasmas mereceriam adoração,
Fazendo amarguras no suor de uma secessão.

Estavam no topo,
Mas seu mundo oco,
Como um castelo edificado em alicerce pouco,
Desaba,
O terror acaba.

Alguns entre os cavaleiros,
Percebem, espantados,
Os horrores primeiros.

Razões, guardadas entrementes,
Que mesmo honestamente, ainda inocentes,
Podiam crer que apavoravam,
Cada vez mais a descalçada gente.

Havia ali previsão de futuro,
Branco,
Mas feitor de alvos, impuro.
Se manifestando previamente,
Rente aos impotentes.




2007-A: "Tele-Sofia"

Perdidos?
Todos estamos,
Talvez por hoje,
Talvez por anos.

Sou eu ou toda gente?

Que olha uma ilha, miragem
Em estado de natureza,
Mas ainda sem certeza
De ser só um bom selvagem.

Engenharia social
Utópica
Nas estrelas sagradas
Góticas.

Enumerações pecaminosas,
Psicologia intra-venosa,
Psicopatia como um "TAO",
Moralismo irracional.

Mutações polarizadas
Na casta castração real,
De uma casta universal
Em todas as tábulas rasas.

Hiper visualização do irrisório,
De tudo aquilo que é irrisório,
Conservando o falatório,
A filosofia do notório,
No orgulho do contraditório.

De uma ciência salafrária,
Paga, vaga,
Falsamente pagã.

Física vã?
Só você vê
A geometria avarenta em que

Tudo se encaixa:
Teu futuro está dentro de uma caixa,
Esperando comida.

Pressionando botões iguais,
Feitos pra negar a vida.

Apertas o botão da arma,
Obedecendo o carma,
Estando a mira apontada,
Para tudo o que é nada.

Patriota da nação errada,
Terra infértil, abortada.

Vermelho mutante,
Ditador claudicante

Da matilha,
Da manada,
Massa manobrada.

Mas escute, de agora em diante:
Tirano pedante e distante,
Antes dragão,
Agora arfante

Foste domado
Pelo presente do passado
O futuro vigiado,
Deserto ilhado

Em que sou questionado
Sobre o paradeiro e o estado
Sobre um grupo de naufragados
Na ilha de edição
Do mundo globalizado.

Como ficamos?


Perdidos?
Todos estamos,
Talvez por hoje,
Talvez por anos...


O Caderno Azul, O Cabelo Vermelho

Ter  uma bolha,
Como escolha,

Para se ater,
E não temer,

Que o urro,
De voz crua,
Ou pele nua

Nunca se evidencie
Perto demais de onde,
Ninguém o aprecie.

Desejo:
Um descarrilado bonde.

Lampejo:
Ferro em brasa contra a pele que arde.

É tarde,
Mas sigo,

Você não foi fabricar nuvens comigo,
Quando quis "Avant-Garde".

Minha cabeça pode explodir...
Ou não...
Eis minha grande ambição:

Pedir verso,
Diverso em quem se negar a ser omisso,
Pra declamarmos
Ou reclamarmos
Sem compromisso,
Qual o problema nisso?




sábado, 3 de novembro de 2012

Sem Que Antes Se Avise

Me atrevo
Evidencio:

Escrevo
Enquanto não vivencio.

Presenteio,
Nunca presencio.

Assumo o simulacro acontecendo
O lacre segue se rompendo.

E de lá, sai a mais real fantasia,
Quando se hipertrofia,

Para pôr em crise,
Toda  hipocrisia.



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

De Volta Ao Teu Nome

Tinha morangos,
Mas os sabores eram poucos.

Prefiro te relembrar com os pierrôs mais loucos,
Esculturas de barroquismos roucos.

Então, pra te manter entre os meus agoras,
Finjo ser demônio,
Escravo de algum feromônio
E apareço só, quando contadas onze horas.



Derivado de: Ciprestes (E Morangos Silvestres)



domingo, 28 de outubro de 2012

Amálgama de Algumas Gamas


Meu tédio não é “enquanto”,
É “quando”
É antes

Escrever
Pra combater

Desencantos
Reinantes

Infernos
Internos

Onde cabem incontáveis Dantes.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Aperto de Mãos (E Esperados "Anti-Nãos")

Era um seguidor sorrateiro da tua estrada,
Furtando os frutos
Idos, (Ir)resolutos,
De alguma semente alada,
Feita de substância adjetivada.

Enquanto minha presença se ignorava,
(Entre encabulada e preguiçosa, caminhava)
Podia me apoderar de tudo que ali estava,
Me possuir em tudo que encontrava.

Quer trauma ou calma,
Flora ou fauna,
Lavo minha alma

Em lava,
E meu peito se escava.



sábado, 20 de outubro de 2012

Impasse Ou Práxis

Agora sabe
O que lhe cabe.

A razão de só as primeiras tentativas terem sido boas:
Interessam iniciativas,
Quando não se vêem mais pessoas?

Quem  há de mirá-lo
(Ou simplesmente vê-lo),
Terá alguém capaz de desvelar,
Se emaranhando em qualquer novelo.


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Quando O Verbo É "Te"

Era horrível,
Sempre falível,
Tudo  indizível,
Quase igual,
Dizimável.

Havia também
O complicado
Inenarrável,
Cheio de arranhões, 
Interminável.

Como ser justo,
Descobri,
Com muito custo,
Evoluí
Em relação ao que defini
Por nó na garganta, porém palatável:

Silêncio querido.
De gosto composto,
Desejo constituído,
Em que bebi,
O afável, também  inefável,

Tal e qual vi
No  teu rosto.



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Paralela Rara

É chama personificada.
Foi chamada,

"Poeta certa do cerrado"
(Não será poetisa?)
De qualquer forma, fato:
Se divisa,

(Des?)Equilibrada,
Bipolariza.

Entre o doce brado,
O áspero significado,
Uma seta ao apaixonado,
Quem sabe, punho fechado.

Dona de incertezas vívidas,
Fala de mulheres líquidas
Me mantêm intrigado
Sobressaltado.

Como quem de/para/com
Mudança eventual para um estado,
Volátil concretizado,
Ou alguma surdez nesse tom.




terça-feira, 9 de outubro de 2012

...Ou Nada

Dualidades de novo
Em mim
Ou assim,
Por volta:

Quem me escuta,
Ou quem me escolta.

Resíduos que me abrigam onde residem,
Ou de quem me tranca,

Em flor,
Bela que ao meu olfato apela,
E/ou Espanca.

De quem, tal qual a vida, passa
Ou permanece pra encarcerar minha carcaça.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Hoje, Por Ontem, Desde O Ano Passado...

"Outubro ou nada":
Novos papéis,
Novas palavras
Pra águas antes navegadas.

Mergulhar,
Em reverência?
Referência?
Reminisciência?

Ou me embriagar
Com copos e copos de essência?

Nadar e me afogar
Dentro da embarcação?

Tomar e ser tomado das reticências,
Que se acumulam,
Quase de tanto repetir, se anulam,
Já completando um estação de de duração.

Sempre me será inverno,
O velho medo de tornar eterno,
O armamento da putrefação.


sábado, 29 de setembro de 2012

A Má Temática

Incertas horas de setembro,
Meu problema:
Pouco sei, muito lembro,
Variações sem tema,
Tal qual um corpo sem membros.

Todo afeto que conheço,
É  irmão siamês de uma crise,
Cuja origem estabeleço,
Embora nunca localize.

Economia?
Talvez eco em compressão...

Geografia?
Escrita da queda sobre o chão...

Somos o que somos ?
Nós, dores ?
Cores, Valores?
Forcas, Fraquezas?
Voláteis Vapores?
Certezas, Gomos?
De Dourados pomos?

Talvez não...

Somos o que some,
Quando perdemos o nome?
Somando subtração?



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Derme - Me Deram ?

Se uma boca te toca,
Afeta,
Completa.

Se abraços abarcam todo o encontro,
Achamento,

Eu, nem migalhas disso vejo,
Tenho por Lampejo,

Lamento,
Em que os fragmentos,
Furtivos,
Nunca esfregam a chance de ser algo depois dos meros atos discursivos.


Te invejo em poder
Conceber, de um olhar, as desejadas partes.

De meu,
Lastimo unicamente oferecer,
Sendo o que me impele,
A certa pele de que falou Barthes.

Trago, unidas aos meus ais,
Minhas falanges verbo-manuais,
Dos dedos e dos medos,
Nada mais.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Oportunismo Meteoro-Lírico

Uma estação
Invertida,
Convertida em negação:

O que era pra ser,
Agora, impossível ver.

 InVERnÃO
Inverno quente,
Passa seco,
Direto,
Dentro
Rente.

E arrasta em constante repente,
O indisposto em visão.

Sem olhar
Nem molhar,
Inato
Em desnaturalização.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Armadura Abstrata

Cartas nunca escritas,
Jazem, já mais aflitas.

Meias luzes, no entanto, Infinitas.

Ritos de irritações interditas,
Entre continuações, nuas e incontidas,
Ditas,

Pelas retinas retidas.

Peço que reflitas,
Tu, que exercitas,
Excitas, citas,
Mas não hesitas.

Enquanto eu me recolho,
Quer pelo obstáculo,
Ou pela consciente ação que ponho diante do meu olho
(O melhor receptáculo),
Qualquer desses:
Escolho.




226 (Esc)Ombros

As sombras são,
O que sobra, resta, recai,soçobra,
Repousa,
Quando ousa
A Obra?

Assombrar
Por cobrir,
Acompanhar
Quem cobra?



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Carma Clínico

Tudo o que tenho
De todos que quero,
De cansar, espero.

No decantar,
Nalgum canto desespero.


Em papel, desenho,
Na pele, tatuagem,
Na luz, um peso, "Foto-grama",
Todo meu empenho,
E nada retenho
Para além de uma imagem,
Nunca tecer,
Ou ter sido inteiro,
Espelhos,
Telas,
Janelas,
Nenhum cheiro.

A única cor que decorei,
É a dos meus olhos quando vermelhos.

Exagero nesse cancioneiro?
Sempre há em quem perde a calma.

Em vez de ser virtual,
Quisera eu ver tua alma.



sábado, 8 de setembro de 2012

E Os Naipes?


Você me apresenta três valetes:
Nada mais do que aqui vem me compete.

Em manter minha sensação vibrante
Desde muito tempo, ou doravante,
Só posso concluir que falho,
Sou mais um descartado do baralho,
Mesmo sem morrer aos 27.

Se você tenta,
Eu atento contra mim.

No fim,
Entre a arte e a vida em  seus olhares,
Sigo cego,
Simples e seco,
Assim,
Enquanto em entusiasmantes inocências ,
Tivermos ausências,
Enterrando os pares.






quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Mais Que Um Algarismo

O que começo a esquecer:
Seu cheiro,
Exalando no ar,
Que eu quero tocar,
Pra acarinhar ou socar?
Não sei responder.

Digo que teu perfume,
Certeiro,
Faz com que me acostume,
Primeiro,
A ver que ele ecoa, igual ao meu vazio, de semblante fechado, e braços abertos.

Estarei com os sentidos despertos,
Acordados de um coma,
Graças a um memorável aroma
Indolor,
E ao silêncio que me toma,
Ensurdecedor.