domingo, 17 de junho de 2012

Meu Ano Selvagem (?)

Veja o que sou,
O exato contra-exemplo,
Pra você, pra qualquer alguém,
E agora também,
Pra Rosseau.

Não pareço bom,
Nem mesmo selvagem,
Queria poder assumir,
Sua Lírica semelhança,
Metamórfica imagem.

Parece haver algo errado,
Em me negar indomado?
Não há nada para dar,
Nenhum dado jogado,
Nada pra tomar,
Tampouco uma posição,
Eu mesmo causo meu próprio estrago,
Tragando o ópio da minha anulação.

Qual é o gosto  de um beijo errado?
Desconheço isso, sequer uma boca tenho alcançado,
A seta que imaginei ter me direcionado,
Era de fato, um dardo envenenado.

Já que este assunto me vem numerado,
Pela irracionalidade dominado,
Formulo então meu enigma,
De solução tão previsível quanto errática,
Tão entrópica quanto estática:
A resposta está na soma,
Simbolizada no sigma.

Um segredo tão desorientado,
Que tem medo de seguir vedado,
Vende barato a própria chave,
E segue no entrave,
De despossuir algo além de desinteressante resultado.

Mistério ofendido e bandido,
Degradado e degredado,
Aflito e proscrito,
Destruído e soterrado.

Deterioração,
Interior, inação,
Nata inaptidão:
Ocupar lugar
Inapropriado.

Me perguntas como não seria,
Dotado de alguma selvageria,
Se mais ninguém
Minhas paredes arranharia?

Acontece, minha cara,
Que ajo apenas como aquele que primeiro dispara e depois corre,
Sabendo que logo morre,
A fera sem presas ou garras,
Carrego então as amarras,
Da impotência em minha retina,
O único capaz de falsidade sem fingir,
Pagando sua pena e recebendo em troca compaixão cretina.








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