quarta-feira, 31 de outubro de 2012

De Volta Ao Teu Nome

Tinha morangos,
Mas os sabores eram poucos.

Prefiro te relembrar com os pierrôs mais loucos,
Esculturas de barroquismos roucos.

Então, pra te manter entre os meus agoras,
Finjo ser demônio,
Escravo de algum feromônio
E apareço só, quando contadas onze horas.



Derivado de: Ciprestes (E Morangos Silvestres)



domingo, 28 de outubro de 2012

Amálgama de Algumas Gamas


Meu tédio não é “enquanto”,
É “quando”
É antes

Escrever
Pra combater

Desencantos
Reinantes

Infernos
Internos

Onde cabem incontáveis Dantes.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Aperto de Mãos (E Esperados "Anti-Nãos")

Era um seguidor sorrateiro da tua estrada,
Furtando os frutos
Idos, (Ir)resolutos,
De alguma semente alada,
Feita de substância adjetivada.

Enquanto minha presença se ignorava,
(Entre encabulada e preguiçosa, caminhava)
Podia me apoderar de tudo que ali estava,
Me possuir em tudo que encontrava.

Quer trauma ou calma,
Flora ou fauna,
Lavo minha alma

Em lava,
E meu peito se escava.



sábado, 20 de outubro de 2012

Impasse Ou Práxis

Agora sabe
O que lhe cabe.

A razão de só as primeiras tentativas terem sido boas:
Interessam iniciativas,
Quando não se vêem mais pessoas?

Quem  há de mirá-lo
(Ou simplesmente vê-lo),
Terá alguém capaz de desvelar,
Se emaranhando em qualquer novelo.


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Quando O Verbo É "Te"

Era horrível,
Sempre falível,
Tudo  indizível,
Quase igual,
Dizimável.

Havia também
O complicado
Inenarrável,
Cheio de arranhões, 
Interminável.

Como ser justo,
Descobri,
Com muito custo,
Evoluí
Em relação ao que defini
Por nó na garganta, porém palatável:

Silêncio querido.
De gosto composto,
Desejo constituído,
Em que bebi,
O afável, também  inefável,

Tal e qual vi
No  teu rosto.



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Paralela Rara

É chama personificada.
Foi chamada,

"Poeta certa do cerrado"
(Não será poetisa?)
De qualquer forma, fato:
Se divisa,

(Des?)Equilibrada,
Bipolariza.

Entre o doce brado,
O áspero significado,
Uma seta ao apaixonado,
Quem sabe, punho fechado.

Dona de incertezas vívidas,
Fala de mulheres líquidas
Me mantêm intrigado
Sobressaltado.

Como quem de/para/com
Mudança eventual para um estado,
Volátil concretizado,
Ou alguma surdez nesse tom.




terça-feira, 9 de outubro de 2012

...Ou Nada

Dualidades de novo
Em mim
Ou assim,
Por volta:

Quem me escuta,
Ou quem me escolta.

Resíduos que me abrigam onde residem,
Ou de quem me tranca,

Em flor,
Bela que ao meu olfato apela,
E/ou Espanca.

De quem, tal qual a vida, passa
Ou permanece pra encarcerar minha carcaça.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Hoje, Por Ontem, Desde O Ano Passado...

"Outubro ou nada":
Novos papéis,
Novas palavras
Pra águas antes navegadas.

Mergulhar,
Em reverência?
Referência?
Reminisciência?

Ou me embriagar
Com copos e copos de essência?

Nadar e me afogar
Dentro da embarcação?

Tomar e ser tomado das reticências,
Que se acumulam,
Quase de tanto repetir, se anulam,
Já completando um estação de de duração.

Sempre me será inverno,
O velho medo de tornar eterno,
O armamento da putrefação.


sábado, 29 de setembro de 2012

A Má Temática

Incertas horas de setembro,
Meu problema:
Pouco sei, muito lembro,
Variações sem tema,
Tal qual um corpo sem membros.

Todo afeto que conheço,
É  irmão siamês de uma crise,
Cuja origem estabeleço,
Embora nunca localize.

Economia?
Talvez eco em compressão...

Geografia?
Escrita da queda sobre o chão...

Somos o que somos ?
Nós, dores ?
Cores, Valores?
Forcas, Fraquezas?
Voláteis Vapores?
Certezas, Gomos?
De Dourados pomos?

Talvez não...

Somos o que some,
Quando perdemos o nome?
Somando subtração?



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Derme - Me Deram ?

Se uma boca te toca,
Afeta,
Completa.

Se abraços abarcam todo o encontro,
Achamento,

Eu, nem migalhas disso vejo,
Tenho por Lampejo,

Lamento,
Em que os fragmentos,
Furtivos,
Nunca esfregam a chance de ser algo depois dos meros atos discursivos.


Te invejo em poder
Conceber, de um olhar, as desejadas partes.

De meu,
Lastimo unicamente oferecer,
Sendo o que me impele,
A certa pele de que falou Barthes.

Trago, unidas aos meus ais,
Minhas falanges verbo-manuais,
Dos dedos e dos medos,
Nada mais.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Oportunismo Meteoro-Lírico

Uma estação
Invertida,
Convertida em negação:

O que era pra ser,
Agora, impossível ver.

 InVERnÃO
Inverno quente,
Passa seco,
Direto,
Dentro
Rente.

E arrasta em constante repente,
O indisposto em visão.

Sem olhar
Nem molhar,
Inato
Em desnaturalização.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Armadura Abstrata

Cartas nunca escritas,
Jazem, já mais aflitas.

Meias luzes, no entanto, Infinitas.

Ritos de irritações interditas,
Entre continuações, nuas e incontidas,
Ditas,

Pelas retinas retidas.

Peço que reflitas,
Tu, que exercitas,
Excitas, citas,
Mas não hesitas.

Enquanto eu me recolho,
Quer pelo obstáculo,
Ou pela consciente ação que ponho diante do meu olho
(O melhor receptáculo),
Qualquer desses:
Escolho.




226 (Esc)Ombros

As sombras são,
O que sobra, resta, recai,soçobra,
Repousa,
Quando ousa
A Obra?

Assombrar
Por cobrir,
Acompanhar
Quem cobra?



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Carma Clínico

Tudo o que tenho
De todos que quero,
De cansar, espero.

No decantar,
Nalgum canto desespero.


Em papel, desenho,
Na pele, tatuagem,
Na luz, um peso, "Foto-grama",
Todo meu empenho,
E nada retenho
Para além de uma imagem,
Nunca tecer,
Ou ter sido inteiro,
Espelhos,
Telas,
Janelas,
Nenhum cheiro.

A única cor que decorei,
É a dos meus olhos quando vermelhos.

Exagero nesse cancioneiro?
Sempre há em quem perde a calma.

Em vez de ser virtual,
Quisera eu ver tua alma.



sábado, 8 de setembro de 2012

E Os Naipes?


Você me apresenta três valetes:
Nada mais do que aqui vem me compete.

Em manter minha sensação vibrante
Desde muito tempo, ou doravante,
Só posso concluir que falho,
Sou mais um descartado do baralho,
Mesmo sem morrer aos 27.

Se você tenta,
Eu atento contra mim.

No fim,
Entre a arte e a vida em  seus olhares,
Sigo cego,
Simples e seco,
Assim,
Enquanto em entusiasmantes inocências ,
Tivermos ausências,
Enterrando os pares.






quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Mais Que Um Algarismo

O que começo a esquecer:
Seu cheiro,
Exalando no ar,
Que eu quero tocar,
Pra acarinhar ou socar?
Não sei responder.

Digo que teu perfume,
Certeiro,
Faz com que me acostume,
Primeiro,
A ver que ele ecoa, igual ao meu vazio, de semblante fechado, e braços abertos.

Estarei com os sentidos despertos,
Acordados de um coma,
Graças a um memorável aroma
Indolor,
E ao silêncio que me toma,
Ensurdecedor.






quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Elipse Do Eclipse

Disseram:
Decida!
Ele desceu,
Desobedeceu,
Sem plano,
Cansado,
Quase tal qual Caetano,
De optar na vida, 
Pelo incerto 
E o Inseticida.



Entrópicos de Câncer II

Lembrou-se:
Agonia lhe trouxe
Salvação.

Quis escrever "oblívio"
Em vez de "opróbrio",
Embora, agora,
Com certo alívio
Lhe soasse prova do óbvio,
Que esse erro de acepção,

(Dado da pressa, não?)

Tornasse implícito,
O virtual início,
De toda opressão,

Que põe qualquer elemento,
Com ou sem justo indicio,
Deparado, sobre si mesmo,
Diante do esquecimento,


Servindo assim,
Ao próprio algoz atroz,
Como munição,

Para quem segue impondo,
Por princípio,
Sendo um vício,
O precipício,
Engolindo o disposto em oposição.

(Deu-se então,
Por pronto,
Sem resquício,
Esse exercício
De elaboração)

Derivado de Entrópicos de Câncer




quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sutil Atrevimento

Brindemos,
Com as xícaras que agora temos,
Os goles do universo,
Imensidão que nos contém
Sem nos contermos.

Assim, contigo converso,
Enquanto te endosso,
E minha dose adoço,
Me perguntando se posso,
Enquanto a converto em verso,
Estar na história de nos pertencermos.